               Eu Mereo!
                Gossip Girl
                              Vol. 4
Contra capa:

Adolescentes adoram fofocar em qualquer lugar do mundo, mas no mundinho fabuloso dos
jovens da alta sociedade nova-iorquina as fofocas so sempre mais divertidas, sem que seja
pelas suas roupas caras de estilistas famosos, pelas casas de frias em lugares hiperchiques,
pelos litros de bebidas que consomem ou pelas brigas sem qualquer motivo. Em Gossip Girl,
iremos conhecer o universo quase secreto dos alunos de tradicionais escolas particulares
para meninas e meninos, onde nem mesmo os horrveis uniformes conseguem esconder a
beleza desses afortunados. Todos moram nos endereos mais caros da cidade, em
apartamentos suntuosos com vista para o Central Park. Herdaram os traos clssicos de suas
famlias aristocrticas e no tm muito com o que se preocupar: podem beber  vontade,
contanto que no deixem seus pais constrangidos; so inteligentes; tm toneladas de
privacidade e, no mximo, ficam um pouco nervoso quando o assunto  sexo ou decidir em
qual universidade iro se inscrever. Mas tudo sempre com muita classe, of course.

Em Gossip girl: eu mereo!, a palavra de ordem  "amor", com a proximidade do Dia dos
Namorados. Serena est totalmente apaixonada por Aaron, Vanessa e Dan parecem dois
pombinhos melosos, Jenny encontra uma nova paixo e Blair est de volta  ativa, flertando
com um homem mais velho, que pode ser seu passaporte para Yale. At mesmo Nate se
depara com um novo romance na clnica de reabilitao para onde  enviado depois de ser
flagrado em ao no Central Park. Muito aucarado? Pode esquecer... Depois da Fashion
Week de Nova York, na qual todos os personagens acabam se envolvendo de uma forma ou
de outra, o clima de "o amor est no ar"  soterrado com a neve que castiga a cidade.
Traio, mentiras, fama, rompimentos e beijo entre meninas so s alguns dos ingredientes
deste novo volume da srie. Nada que escape do olhar atenta da casa vez mais misteriosa
Gossip Girl.

Considerada a Sex and the City para adolescentes, Gossip Girl  uma das sries mais lidas
pelos jovens americanos, com mais de um milho e meio de exemplares vendidos. Os fs de
Segundas Intenes, The O.C., Gilmore Girls vo se deliciar com a alta dose de drama,
romance, intriga e, claro, muita fofoca. Um dos motivos que torna esta srie to real  que
sua autora, Cecily von Ziegesar, foi criada na alta-roda nova-iorquina e foi aluna de um dos
mais chiques colgios da cidade, convivendo com pessoas to requintadas, elegantes, fteis
e divertidas como os personagens que criou. Atualmente, ela escreve outros livros da srie
enquanto cuida dos filhos.

                            Gossipgirl.net
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advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                         oi, gente!

Fevereiro  como aquela garota da festa que eu dei quando meus pais saram para uma
"segunda lua-de-mel" no Cabo na semana passada (eu sei: triste). Vocs se lembram - a
garota que vomitou todo o piso de mrmore espanhol do banheiro de hspedes e depois se
recusou a ir embora. Atiramos a bolsa Dior e o exagerado casaco de pele de ovelha Oscar de
la Renta dela no elevador e ela finalmente entendeu o recado. Mas, ao contrrio da maioria
dos lugares do mundo, Nova York se recusa a cair na depresso de fevereiro e se tornar um
deserto cinzento, frio e melanclico. Pelo menos, a minha Nova York no  assim. Aqui no
Upper East Side, todos conhecemos a cura para a melancolia: uma dose de vestidos de noite
totalmente sexy Jedediah Angel, uma par de Manolos de cetim preto, aquele novo batom
vermelho "Ready or Not" que voc s pode comprar na Bendel's, uma boa depilao com
cera na virilha e uma montanha generosa de loo de auto-bronzeamento Este Lauder, para
o caso do bronzeado de St. Barts que restou do feriado de Natal finalmente ter desaparecido.
A maioria de ns est terminando o ensino mdio - at que enfim. Nosso pedido de admisso
na faculdade foi encaminhado e nossa agenda est livre, com dois tempos livres todo dia,
durante os quais podemos ver um desfile da Fashion Week na tev ou ir  cobertura de uma
amiga beber lattes desnatados, fumar cigarros e ajudar a escolher a roupa para a festa de
foda-se-o-dever-de-casa da noite.
Outra coisa que compensa em fevereiro  meu dia favorito, que devia ser feriado nacional, o
Valentines's Day, nosso Dia dos Namorados. Se voc j tem namorado, sorte sua. Se no
tem, agora  sua oportunidade de se aproximar daquele gato por quem voc ficou babando o
inverno todo. Quem sabe? Voc pode encontrar o verdadeiro amor, ou pelo menos o
verdadeiro sexo, e logo todo dia ser Dia dos Namorados. Ou isso ou voc pode
simplesmente se sentar em casa escrevendo tristes e annimas mensagens instantneas
para as pessoas e comer chocolate em forma de corao ate que no caiba mais no seu
jeans Seven preferido. Voc escolhe.



Flagra

S e A de mos dadas andando lentamente pela Quinta Avenida para o bar do Compton
Hotel, onde podem ser vistos na maioria das noites de sexta-feria, virando Red Bull com
Veuve Clicquot e dando risadinhas um para o outro, sabendo que so sem dvida o casal
mais quente do salo. B recusando-se a entrar na Veronique - uma loja para mes na
Madison - com a mame ardentemente grvida. D e V usando gola rul preta combinando,
as pernas tranadas enquanto assistem ao filme tortuoso e deprimente de Ken Mogul no
centro, no Angelika. Os dois so mrbitos, artsticos, igualzinhos - to loucamente perfeitos
um para o outro que a gente tem vontade de gritar para eles: "Ei, por que demoraram
tanto?!"
J no nibus circular da rua 96 analisando cuidadosamente um folheto de cirurgia para a
reduo de seios. Era o que eu definitivamente faria se estivesse no suti tamanho G...
Hmmmm, quer dizer, se eu estivesse no lugar dela. O sempre adorvel N num jogo chapado
de golfe no gelo com os colegas no Sky Rink. Ele no parece ligar por estar sem namorada.
No que v ter algum problema em arranjar uma nova...
E, FINALMENTE: QUEM VAI ENTRAR ANTES??

Esta semana um grupinho irritante de ns vai descobrir se conseguiu entrar ou no para as
melhores universidades do pas.  isso. No d mais tempo de nossos pais comprarem outra
ala da biblioteca. No d mais tempo de subornar outro estimado ex-aluno para mandar uma
carta de recomendao ao sub-reitor da admisso. No d mais tempo de estrelar outra
pea da escola. Os envelopes j esto no correio.

Gostaria de ter um minuto para assinalar que a deciso  totalmente arbitrria, porque
basicamente somos todos espcimes perfeitos. Somos lindos, inteligentes, eloqentes e
educados, temos pais influentes e histricos escolares perfeitos (exceto por um probleminha
ou outro, como ser expulsa de um internato ou ter de fazer os testes de aptido escolar oito
vezes).

Tambm gostaria de dar um conselho para aqueles de ns que realmente vo entrar cedo:
procurem no falar demais nisso, t legal? O resto de ns ainda tem alguns meses de espera
e, se vocs querem ser convidados para sair conosco,  melhor nem pronunciar as palavras
Ivy League em nossa presena. Nossos pais j fazem isso demais, muito obrigada. No que
seja um tema tabu, nada disso.

Acho que posso dizer com segurana que todos estamos sofrendo de febre do confinamento
de esperar-notcias-da-universidade do ltimo inverno.  hora de pirar um pouco! Pense
nisso: quanto mais tempo ficarmos fora, mais rpido o tempo passa. E, podem acreditar,
cada coisa depravada que fizermos sera glamourizada, dissecada e sair totalmente de
proporo bem aqui, cordialmente. Alguma coisa eu decepcionei vocs?

                                  Pra voc que me ama,
                                        gossip girl



b se alia a j no tamanho dos peitos

- S umas fritas e ketchup, por favor - disse Jenny Humphrey a Irene, a atendente barbada
de cem anos colocada atrs do balco do refeitrio do subsolo da Constance Billard School
for Girls. - S um pouquinho - insistiu. Hoje era o primeiro dia do grupo de discusso e Jenny
no queria que as lderes veteranas do grupo pensassem que ela era uma porca total.
O grupo de discusso era um novo programa que a escola estava experimentando. Toda
segunda-feira, na hora do almoo, as calouras se reuniam em grupos de cinco, com duas
veteranas, para discutir a presso dos colegas, imagem corporal, meninos, sexo, drogas,
lcool e qualquer outro assunto que possa estar incomodando as calouras ou que as lderes
veteranas do grupo considerem importante o bastante para ser discutido. A idia era a
seguinte: se as meninas mais velhas dividissem suas experincias com as mais novas e
comeassem um dilogo simptico, as mais novas tomariam decises sensatas em vez de
cometer erros idiotas que estragassem a carreira no ensino mdio e constrangessem os pais
ou a escola.
Com teto de vigas, paredes de espelhos e mesas e cadeiras modernistas de btula, o
refeitrio da Constance Billard School mais parecia um novo restaurante da moda do que um
salo de jantar institucional. O velho refeitrio encardido tinha sido reformado no vero
passado porque muitas alunas saam para almoar ou levavam a prpria comida, e a escola
estava perdendo dinheiro e desperdiando alimentos. O novo refeitrio ganhou um prmio
de arquitetura pelo design atraente e a cozinha high-tech, e agora era o ponto de encontro
preferido das alunas na escola, apesar de ser Irene e suas camaradas mesquinhas, as
avarentas de unhas encardidas, quem serviam a comida do cardpio nouvelle americano do
refeitrio modernizado.
Jenny abriu caminho pelo grupo de meninas de sais pregueadas azul-marinho, cinza e
marrom, pegando seus hambrgueres de atum defumado-wasabi e batatas fritas Red Bliss e
conversando sobre as festas a que foram no fim de semana. Ela deslizou a bandeja de ao
inox para uma mesa redonda desocupada, que fora reservada para o grupo de discusso A, e
se sentou com as costas na parede espelhada, para no ter de se ver enquanto comia. Mal
podia esperar para descobrir quais seriam as lderes veteranas de seu grupo. Parece que a
concorrncia foi feroz, uma vez que ser lder era uma forma relativamente indolor de
mostrar  universidade que voc ainda estava envolvida em atividades escolares, embora
seu pedido de admisso j tivesse sido entregue. Era como ganhar um crdito a mais por
comer fritas e falar de sexo por 15 minutos.
Quem no ia querer isso?
- Oi, Ginny. - Blair Waldorf, a garota mais piranha e mais ftil de toda a turma do terceiro
ano, ou talvez de todo o mundo, deslizou a bandeja para o lugar na frente de Jenny e se
sentou. Enfiou uma mecha ondulada de cabelos castanhos por trs da orelha e murmurou
para seu reflexo na parede espelhada: - Estou louca pra cortar o cabelo. - Ela olhou para
Jenny, pegou o garfo e despejou um monte de creme chantilly por cima do bolo de
chocolate. - Sou uma das lderes do grupo de discusso A. Voc est mesmo no grupo A?
Jenny assentiu, agarrando o assento da cadeira enquanto olhava desanimada e fixamente
para o prato de fritas frias e gordurosas. No conseguia acreditar em sua falta de sorte. No
s Blair Waldorf era a veterana mais apavorante da escola como tambm era a ex-namorada
de Nate Archibald. Blair e Nate sempre foram o casal perfeito; os que estavam destinados a
ficar juntos para todo o sempre. Ento, por mais estranho que parea, Nate realmente
trocara Blair por Jenny depois de conhec-la no parque e dividir um baseado com ela.
Foi o primeiro baseado de Jenny e Nate foi o primeiro amor. Ela nunca sonhou em ter um
namorado mais velho, e muito menos um namorado to bonito e cool como Nate. Mas depois
de uns dois meses bons demais para serem verdade, Nate se encheu de Jenny e a magoou
da forma mais cruel possvel, largando-a na festa de Ano-novo. Ento agora ela e Blair
Waldorf realmente tinham alguma coisa em comum - as duas foram chutadas pelo mesmo
cara. No que isso fizesse alguma diferena. Jenny tinha certeza absoluta de que Blair ainda
a odiava at a medula.
Blair sabia perfeitamente bem que Jenny era a caloura peituda que lhe roubara o Nate, mas
tambm sabia que Nate tinha dado um p na bunda de Jenny depois de algumas fotos
extremamente constrangedoras do traseiro nu e da tanga de Jenny foram publicadas na
Internet pouco antes da vspera de Ano-novo. Blair pensou que Jenny j tivera o castigo
merecido e ela realmente no ia se incomodar em odi-la mais.
Jenny olhou para Blair.
- Que  a outra lder? - perguntou ela timidamente. Jenny queria que os outros membros do
grupo se apressassem e chegassem logo, antes que Blair dilacerasse sua cabea com as
unhas rosas opalescentes perfeitamente manicuradas.
- Serena est chegando. - Blair revirou os olhos. - Sabe como  a Serena. Ela sempre se
atrasa. - Ela penteou o cabelo com os dedos, imaginando o corte que ia fazer quando fosse
ao salo na hora que marcara durante os dois tempos livres. Ia fazer uma rinsagem mogno
para se livrar das luzes cor de cobre e depois cort-lo curto, de um jeito moderno e
superfashion, tipo Audrey Hepburn em Como roubar um milho de dlares.
- Ah - respondeu Jenny, aliviada. Serena van der Woodsen era a melhor amiga de Blair, mas
no era nem um pouco apavorante, porque era realmente legal.
- Oi, gente. Este  o grupo de discusso A? - Uma caloura grandalhona e sardenta chamada
Elise Wells se sentou ao lado de Jenny. Cheirava a talco de beb e o cabelo louro-palha era
cortado na altura do queixo, com mechas grossas cobrindo a testa, exatamente como a bab
cortava seu cabelo quando voc tinha dois anos. - Preciso dizer a vocs agora que tenho um
problema com comida - anunciou Elise. - No consigo comer em pblico.
Blair assentiu e empurrou a fatia de bolo de chocolate para longe dela. No treinamento para
lder do grupo de discusso com a professora de sade, a Sra. Dohery, disseram-lhe para
ouvir e tentar ser sensvel, colocando-se no lugar das meninas mais novas. a Sra. Doherty
tinha de dizer isso. S o que ela fala na aula de sade da oitava srie era dos namorados
que teve e todas as posies sexuais que experimentou. Ainda assim, a Sra. Doherty era
uma das professoras que Blair tinha atormentado para conseguir uma recomendao extra a
ser enviada ao departamento de admisso de Yale, e ela realmente queria se destacar como
a melhor lder de grupo de discusso da turma do terceiro ano. Queria que as calouras de
seu grupo gostassem dela - no, adorassem-na - e, se uma delas tinha problemas para
comer em pblico, Blair no ia ficar sentada ali se entupindo de bolo de chocolate,
especialmente quando estava planejando vomitar assim que a sineta tocasse.
Blair puxou um mao de papis da bolsa vermelha Louis Vuitton.
- Imagem corporal e auto-estima so duas das questes que vamos discutir hoje - disse ela
a Elise e Jenny, tentando parecer profissional. - Se minha colega na liderana e o resto do
grupo decidirem chegar aqui - acrescentou com impacincia. Seria fisicamente possvel para
Serena chegar a tempo uma vez que fosse?
Aparentemente, no.
Foi nesse momento que, em uma lufada de cashmere e cabelos louro-claros, Serena van der
Woodsen sentou a bunda bronzeada e modelada na cadeira ao lado de Blair. As trs outras
calouras do grupo de discusso a seguiam como patinhos.
- Olha o que a gente conseguiu depois de encher o saco da Irene! - falou Serena, jogando
um prato cheio de anis de cebola gordurosos no meio da mesa. - Eu disse a ela que amos
ter uma reunio especial e estvamos famintas.
Blair olhou solidariamente para Elise, que fitou carrancuda o prato de anis com os olhos
azuis de pestanas louras que seriam bonitos se ela tentasse usar um pouco de rmel
castanho-escuro Stila.
- Est atrasada - acusou Blair, passando as notas para Serena e as outras calouras. - Eu sou
a Blair - disse ela a todas. - E vocs so...?
- Mary Goldberg, Vicky Reinerson e Cassie Inwirth - responderam as trs em unssono.
Elise cutucou o cotovelo de Jenny. Mary, Vicky e Cassie eram o trio mais irritantemente
inseparvel do primeiro ano. Elas sempre estavam escovando os cabelos uma da outra nos
corredores, e faziam tudo juntas, at xixi.
Blair olhou para as notas e leu em voz alta:
- "Imagem corporal: aceitando e adotando quem voc ." - Ela olhou pra cima e sorriu para
as calouras, cheias de expectativas. - Alguma de vocstem um problema especfico de
imagem corporal que queria discutir?
Jenny sentiu o sangue insinuar no pescoo e no rosto enquanto pensava corajosamente em
contar a elas sobre a consulta para reduo de seios. Mas, antes que pudesse falar alguma
coisa, Serena enfiou um enorme anel de cebola na boca delicada e perguntou:
- Posso dizer uma coisa antes?
Blair fez uma carranca para a melhor amiga, mas Mary, Vicky e Cassie assentiram ansiosas.
Ouvir qualquer coisa que Serena van der Woodsen tivesse para dizer era muito mais
interessante do que qualquer discusso idiota sobre imagem corporal.
Serena cravou os cotovelos nas anotaes e pousou o queixo perfeitamente cinzelado nas
mos manicuradas, os enormes olhos azul-escuros mirando sonhadoramente o prprio
reflexo idlico na parede espelhada.
- Estou to apaixonada. - suspirou ela.
Blair agarrou o garfo e cavucou novamente o bolo de chocolate, esquecendo-se da sua
solidariedade nada-de-comida com Elise. Serena estava sendo tremendamente insensvel.
Primeiro, o cara por quem Serena aparentemente estava "to apaixonada" era por acaso o
meio-irmo pseudo-hippie, guitarrista e cheio de trancinhas de Blair, Aaron Rose, o que era
simplesmente um absurdo. E segundo, embora Nate tenha largado Blair em novembro, Blair
ainda no havia superado Nate, e a simples meno da palavra apaixonada fazia-a querer
explodir em pedaos.
- Acho que devemos fazer com que elas falem dos problemasdelas, e no dos nossos -
sibilou ela para Serena.  claro, se Serena realmente tivesse se incomodado em aparecer no
treinamento do grupo de discusso, ela saberia disso.
Serena matou o treinamento para poder ir ao cinema com Aaron e, como uma idiota
simplria, Blair deu cobertura a ela. Disse  Sra. Doherty que Serena teve uma enxaqueca,
mas que ela lhe passaria pessoalmente os principais pontos pelo treinamento quando Serena
estivesse melhor. Era to tpico. Sempre que Blair fazia algo por algum, em geral se
arrependia de t-lo feito.
O que meio que explica por que ela era uma piranha daquelas a maior parte do tempo.
Serena balanou os ombros perfeitos em uma frente nica.
- Acho que o amor  um tema muito melhor do que imagem corporal. Quer dizer, j falamos
de imagem corporal at morrer na oitava srie. - Ela olhou para as calouras sentadas em
volta da mesa. - No  ?
- Eu s acho que a gente devia seguir o programa - insistiu Blair , obstinada.
-  com vocs, meninas - disse Serena s garotas mais novas.
Mary, Vicky e Cassie esperavam, as orelhas em p, pelo furo da vida amorosa de Serena.
Elise estendeu a mo e futucou um anel de cebola gordurento com um dedo trmulo e uma
unha roda, retirando depois a mo rapidamente como se tivesse se queimado. Jenny passou
a lngua pelos lbios rachados pelo inverno.
- Como a gente devia falar de imagem corporal, acho que tenho uma coisa a dizer - disse ela
ao grupo, em voz tremida. Jenny ergueu os olhos e deu com Blair assentindo sorrindo para
ela, estimulando-se.
- Sim, Ginny?
Jenny baixou os olhos para a mesa novamente. Por que estava sempre dizendo essas coisas
a elas? Porque eu preciso falar com algum, percebeu ela e se obrigou a continuar falando,
apesar do rubor furioso de constrangimento que ardia em seu rosto.
- Neste fim de semana eu quase tive uma consulta para uma reduo se seios.
Mary, Vicky e Cassie se inclinaram para a frente para ouvir melhor. No s o grupo de
discusso ia ser o lugar para pegar as ltimas tendncias da moda das duas garotas mais
cool da escola como ia ser uma fonte preciosa de fofoca!
- Marquei uma consulta - continuou Jenny -, mas no fui. - Ela afastou o prato e tomou um
gole d'gua, tentando ignorar os olhares curiosos das outras meninas. O grupo estava
concentrado, e roubar os refletores de Blair e Serena no era uma proeza fcil.
Elise pegou um anel de cebola, deu uma mordidinha e deixou-o cair no prato novamente.
- Por que mudou de idia? - perguntou ela.
- Voc no precisa responder. - interrompeu Blair, lembrando-se de uma coisa que a Sra.
Doherty tinha dito no treinamento sobre no pressionar nenhuma garota do grupo a se abrir
antes que estivesse preparada para isso. Ela olhou para sua co-lder. Serena estava
ocupada, examinando as pontas do cabelo com um olhar sonhador e distante, como se no
tivesse ouvido uma palavra do que foi dito. Blair se virou para Jenny de novo e tentou
pensar em alguma coisa tranqilizadora para dizer, para que Jenny no se sentisse a nica
pessoa no grupo que tinha problema com o tamanho dos peitos. - Eu sempre quis ter seios
maiores. Pensei seriamente em colocar silicone. - No era uma mentira total. Ela era
somente tamanho P e sempre quis usar M.
Quer no quer?
-  mesmo? - perguntou Serena, voltando  Terra. - Desde quando?
Blair deu outra dentada raivosa no bolo. Ser que Serena estava mesmo tentando sabotar
suas habilidades de liderana?
- Voc no sabe tudo sobre mim. - rebateu ela.
Cassie, Vicky e Mary se chutaram por baixo da mesa. Isso era to excitante! Serena van der
Woodsen e Blair Waldorf estavam brigando e elas testemunhavam cada palavra da briga!
Elise penteou a franja com as unhas rodas.
- Acho que foi mesmo, hmmm, maravilhoso voc nos contar isso, Jenny. - Ela sorriu com
timidez para Jenny. - E eu acho que foi coragem sua no fazer.
Blair fez uma carranca. Por que ela no disse alguma coisa sobre como Jenny fora corajosa
em vez de fazer aquela declarao ultrajante sobre querer colocar silicone? Quem sabia o
que essas calouras imbecis iam falar dela quando o grupo se separasse? Depois ela se
lembrou de outra coisa que a Sra. Doherty tinha dito no treinamento.
- Opa. Acho que tnhamos que falar um pouco da questo da confidencialidade antes de
comearmos. Sabe como , tipo assim, nada do que dissermos aqui ser repetido fora do
grupo, entenderam?
Tarde demais. Em questo de minutos cada garota da escola estaria discutindo os implantes
iminetes de Blair Waldorf. Eu soube que ela est esperando pela formatura... etc, etc.
Jenny deu de ombros.
- Tudo bem. No ligo se vocs contarem. - No  que ela pudesse esconder os peitos
enormes, de qualquer forma. Eles simplesmente estavam ali.
Elise se inclinou e pegou a bolsa bege Kenneth Cole.
- Hmmm, s faltam oito minutos para a sineta tocar. Tudo bem se eu sair e comprar um
iogurte agora? - perguntou ela.
Serena empurrou o prato de anis de cebola para Elise.
- Coma mais uns desses - ofereceu ela generosamente.
Elise sacudiu a cabea, o rosto sardento ficando rosa.
- No, obrigada. No como em pblico.
Serena franziu a testa.
-  mesmo? Que estranho. - Ela recuou quando Blair lhe deu uma cotovelada no frao, com
fora. - Ai! Meu Deus, pra que isso?
- Talvez, se voc realmente tivesse ido ao treinamento do grupo de discusso, entendesse o
porqu - grunhiu Blair entre dentes.
- Posso ir agora? - perguntou Elise novamente.
Ocorreu a Blair que as calouras do grupo de discusso ia ador-la de verdade se ela as
deixasse sair cedo. Ela podia usar os oito minutos extrs para chegar ao cabeleleiro a tempo.
- Todas vocs podem ir. - disse ela, sorrindo com doura - , a no ser que realmente
queiram ficar e ouvir Serena falar de amor pelo resto do tempo.
Serena sacudiu os braos para cima e deu uma risadinha para o teto.
- Eu podia falar de amor o dia todo.
Jenny se levantou. Desde que Nate a chutara, a ltima coisa que queria falar era de amor.
Engraado - ela achara que Blair ia ser a lder do grupo de discusso com quem teria
problemas, mas acabou sendo Serena.
Elise se levantou, puxando o enormw suter rosa de gola rul como se estivesse apertado
demais.
- Sem ofenas, mas, se eu no comer um iogurte antes de terminar o almoo, vou desmaiar
na aula de geometria.
- Vou comprar um com voc - disse Jenny a ela, usando essa desculpa para sair da mesa.
- Posso ir com vocs, meninas. - bocejou Blair, levantando-se tambm.
- Aonde voc vai? - perguntou Serena, toda inocente. Normalmente, na segunda-feira depois
do almoo, as duas passavam os suntuosos dois tempos livres no Jackson Hole, bebendo
capuccino e fazendo planos malucos e ncriveis para o vero depois da formatura.
- No  da sua conta - rebateu Blair. Ela ia convidar Serena para ir com ela ao salo, mas
agora que Serena se comportava como uma egosta patricinha cretina isso estava totalmente
fora de questo. Ela jogou o cabelo por sobre o ombro e pendurou a bolsa no brao. - Vejo
vocs na semana que vem - acrescentou ela a Mary, Vicky e Cassie enquanto seguia Jenny e
Elise pela sada e pegava a escada para a rua 93.
No refeitrio lotado, Vicky se inclinou para a mesa meio vazia.
- E a, conta - insistiu com Serena.
Mary deu um golinho no leite com um por cento de gordura e assenteiu, ansiosa.
- , . Conta.
Cassie apertou o rabo-de-cavalp castanho claro.
- Conta tudinho.
um dever de casa bem diferente

- E a, o que voc quer filmar primeiro? - perguntou Daniel Humphrey a sua melhor amiga e
namorada  seis semanas, Vanessa Abrams. Dan freqentava a renomada escola para
meninos do Upper West Side, a Riverside Prep, e Vanessa era aluna da Constance Billard,
mas eles conseguiram permisso para colaborar em um projeto especial do terceiro ano
chamado A construo da poesia. Vanessa, uma cineasta nascente, ia filmar Dan, um poenta
nascente e astro ocasional dos filmes de Vanessa, escrevendo e revisando seus poemas.
No era exatamente um material de detonar as bilheterias, mas Dan ficava to bonitinho no
modelito artista amarrotado e desmazelado que solta sua angstia que as pessoas
provavelmente iam querer ver.
- S fique sentado  mesa e escreva alguma coisa em um dos blocos pretos, como voc
sempre faz - instruiu Vanessa, olhando pela lente da cmera de vdeo digital para ver se a
luz estava correta. - Pode tirar algumas dessas porcarias da sua mesa?
Dan passou o brao na mesa e mandou canetas, clipes, folhas de papel, elsticos, livros,
maos vazios de Camel sem filtro, caixas de fsforos e latas vazias e amassadas de Coca-
cola para o cho de carpete marrom. Eles estavam filmando no quarto de Dan porque era ali
que ele em geral trabalhava. Alm disso, bastava atravessar o parque, vindo da Constance
Billard, na rua 93 Leste, entre a Quinta e a Madison, para chegar ao prdio de Dan, na 99
Oeste com a West End Avenue.
- E talvez tirar a camisa tambm - sugeriu Vanessa. A construo da poesia seria sobre o
processo artstico, ilustrando que o que no  feito no trabalho  to importante como o que
 feito. Havia montes de tomadas de Dan amassando papel e atirando-os com raiva pelo
quarto. Vanessa queria mostrar que escrever - ou criar alguma coisa, lias - no era um
mero exerccio mental; era fsico. Alm disso, Dan tinha aqueles musculinhos nas costas que
ela estava doida pra filmar.
Dan se levantou e tirou a camiseta bsica preta, jogando-a em uma cama desfeita onde o
gato gordo dos Humphrey, Marx, dormia de costas como uma baleia encalhada e peluda.
Tudo no apartamento que Dan dividia com o pai, Rufus, um editor de poetas beat nada
conhecidos, e sua irm mais nova, Jenny, era desfeito, caindo aos pedaos ou no mnimo
completamente coberto de plo de gato e rolos de poeira. Era um grande apartamento claro,
de p-direito alto, mas no era limpo adequadamente h vinte anos e as paredes esfareladas
impliravam por uma nova demo de tinta. Dan, o pai e a irm raramente jogavam alguma
coisa fora, ento a moblia arqueada e o cho de madeira arranhada estavam salpicados de
jornais e revistas velhos, livros esgotados, baralhos incompletos, pilhas usadas e lpis sem
ponta. Era o tipo de lugar onde seu caf ganhava plo de gato no minuto em que voc o
colocava na xcara, um problema com o qual Dan lidava constantemente porque ele era
viciado em cafena.
- Quer que eu olhe para a cmera? - perguntou ele, sentando-se na cadeira de madeira
gasta e girando para Vanessa. - Eu podia colocar o bloco no colo e escrever, assim -
demonstrou ele.
Vanessa se ajoelhou e espiou pela lente da cmera. Estava usando o uniforme cinza
pregueado da Constance Billard com meia-cala preta, e o carpete marrom pudo parecia
eriado em seus joelhos.
- A, isso  legal - murmurou ela. Ah, olha s como o peito de Dan era branco e macio! Ela
podia ver cada costela, e aquela linha linha de penugem castanho-amarelada, como pssego,
que corria at o umbigo! Ela avanou um pouco para a frente de joelhos, tentandp chegar o
mais perto possvel sem estragar o enquadramento.
Dan mordeu a ponta da caneta, sorrindo para si mesmo, e depois escreveu:Ela tem a cabea
raspada, usa preto o tempo todo, ela precisa de um novo par de botas de combate e ela
odeia usar maquiagem. Mas ela  o tipo de garota que acredita em voc e consegue
secretamente que seu melhor poeta seja publicado na New Yorker. Acho que se pode dizer
que eu a amo.
Provavelmente era a coisa mais piegas que ele j escrevera, mas ele no ia publicar aquilo
em suas "Obras Escolhidas" ou coisa assim. Vanessa se aproximou um pouco mais, tentando
capturar o branco fervente dos ns dos dedos de Dan enquando ele escrevia.
- O que est escrevendo? - Ela apertou o boto de gravao da cmera.
Dan olhou para cima, sorrindo para ela atravs das mechas embaraadasm os olhos
castanhos-dourados brilhando.
- No  um poema.  s um conto sobre voc.
Vanessa sentiu o corpo esquentar.
- Leia para mim.
Dan empinou o queixo, constrangido, e depois deu um pigarro.
- Tudo bem. "Ela tem a cabea raspada..." - comeou ele, lendo o que havia escrito.
Vanessa corou enquanto ouvia e depois deixou a cmera no cho. Foi de joelhos at onde
Dan estava sentado, tirou o bloco do caminho e deixou a cabea no colo dele.
- Voc sabe como a gente sempre fala de transar, mas nunca fez, n ? - sussurou ela, os
lbios roando o tecido duro das calas cargo verde-oliva dele. - Por que no transamos
agora mesmo?
Por baixo da bochecha, ela sentiu os msculos de Dan se retesarem.
- Agora? - Ele olhou para baixo e passou o dedo pela borda da orelha de Vanessa. Tinha
quatro piercings em cada uma delas, mas nenhum brinco. Ele respirou fundo. Vinha
poupando o sexo para um momento em que parecesse potico e correto. Talvez essa hora
fosse agora, um momento espontano. Talvez especialmente adequado e irnico, que
exatamente daqui a uma hora, ele iria voltar  Riverside Prep, sentar no curso de latim
avanado do ltimo tempo e ouvir o Dr. Werd ler Ovdio com seu sotaque exagerado de nerd
em latim.
Introduo ao sexo nos dois tempos livres - a mais recente disciplina do currculo de
primavera.
- T legal - concordou Dan. - Vamos nessa.




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  advertncia: Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram alterados ou
                  abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                        oi, gente !

REJEIO PRECOCE

Ento eu soube que as universidades da Ivy League montaram uma conspirao para manter
a intriga e exclusividade: este ano no esto aceitando ningum cedo. Talvez seja s um
boato falso. Mas se voc no entrar cedo, tente pensar desta forma: talvez voc seja perfeito
demais. Eles simplesmente no conseguem lidar com isso. E so pense em como vamos nos
divertir se todos formos para a mesma universidade comunitria !

MELHORAR OU NO MELHORAR CIRURGICAMENTE, EIS A QUESTO

A idia de alterar cirurgicamente o corpo por qualquer meio sempre me assustou, no por
que eu no pense que Dolly Parton seja tima. Ela no parece ter passado dos quarenta nem
um dia e agora deve ter uns duzentos anos. Mas eu nem me preocupo se os mdicos
cometessem um erro e desinflassem totalmente um dos peitos ou tirassem uma narina ou
coisa parecida.  claro que sou to mulherzinha quanto qualquer garota e sei da importncia
de se sentir bem com a propria aparncia. Tento pensar nisso assim: sabe quando voc v
um cara lindo na rua e diz  amiga " Olha s esse ai!" e depois a amiga faz uma cara tipo,
feio? Todas ns temos gostos totalmente variados e alguem vai olhar pra voc e pensar,
hmmm-hmmm, gostosinha, independentemente do que voc pensar da sua aparncia. Voc
so precisa aprender a ver o que eles vem.

Seu email

P: Cara G-Girl,
Eu soube que voc foi aceita na Bryn Mawr e ficou maluca porque queria ir para faculdade
com meninas e  essa sapata enorme que joga volei. hihihi
-dorf

R: Oi, dorf
Que tipo de nome  dorf, alis? Eu me recuso a me rebaixar a seu nvel de humor ou dizer a
voc que universidade me candidatei, mas minha me e minha irm foram para Bryn Mawr,
e sabe de uma coisa ? As duas so umas gatas.
- GG

Vou correndo pra casa procurar na correspondncia por um envelope tamanho ofcio com um
jeito de importante que pode ou no determinar todo meu futuro prximo. Desejem-me
sorte!

                                   Pra voc que me ama
                                        gossip girl




o mauricinho inutilide tenta se dar bem

Quando o ultimo tempo de francs finalmete acabou, Nate Archibald deu um  demain
apressado aos colegas de turma da St. Jude's School e correu pela Madison at a pizzaria na
esquina 86, o local de trabalho de seu confivel traficante de maconha, Mitchell. Para a sorte
de Nate, a St. Jude's era a mais antiga escola para meninos de Manhattan e tinha como
tradio terminar as aulas de todos os meninos s duas da tarde, embora a maioria das
outras escolas da cidade liberasse os alunos s quatro. O raciocnio da escola era que isso
dava aos garotos um tempo a mais para praticar esportes e fazer as copiosas quantidades de
dever de casa que levavam consigo todo dia. Tambm dava tempo para dar uns tapas e ficar
chapado antes, durante e depois da pratica de esporte e fazer o dever de casa.
A ultima vez que Nate tinha visto Mitchell, o traficante engraadinho que usava um chapu
Kangol disse que ia voltar para Amsterd muito em breve. Hoje era a ltima chance de Nate
conseguir o maior saco de erva peruana doce que Mitchell podia fornecer. Blair sempre
reclamava do hbito de Nate fumar maconha quando estava, juntos, queixando-se de como
era chato v-lo encarar o tapete persa no quarto dela por dez minutos quando eles podiam
estar se agarrando ou ir a uma festa em algum lugar.
Nate sempre sustentava que sua maconha era apenas um prazer, como comer chocolate -
uma coisa que ele podia largar a qualquer momento. E s provar isso - no que ele
precisasse provar mais alguma coisa a Blair - ele ia parar depois de fumar cada folhinha de
maconha do saco gigante que ia comprar hoje. Se tivesse cuidado, o saco podia durar umas
oito semanas. At l, ele preferiu nem pensar em largar.
- Duas fatias simples - disse Nate ao pizzaiolo careca que usava uma camiseta roxo berrante
WELCOME TO LOSERVILLE. Ele pousou os cotovelos no balco vermelho da pizzaria,
afastando para o lado recepientes de sal e alho, flocos de pimenta vermelha e organo. -
Cad o Mitchell?
O negocinho paralelo de Mitchell no era segredo no salo da pizzaria. O pizzaolo ergueu as
grossas sombrancelhas pretas. O nome dele bem que podia ser Ray, mas, mesmo depois de
nos comprando pizza e maconha ali, Nate no tinha certeza.
- O Mitchell j foi. Voc o perdeu.
Nate bateu no bolso traseiro de sua cala de sarja cqui, onde havia enfiado a carteira Coach
estufada, um tijolo amargo de pnico subindo pela garganta.  claro que le no era viciado,
mas no gostava de ficar sem maconha quando tinha planejado apertar um dos gordos para
passar o resto da tarde. E a tarde de manh, e de depois de amanh...
- O qu? Quer dizer que ele j foi para Amsterd?
Ray - ou talvez fosse Roy - abriu a reluzente porta cromada do forno e, num movimento de
expert, puxou duas fatias quentes para pratos duplos de papel e os deslizou pelo balco na
direo de Nate.
- Lamento, cara - disse ele, s meio solidrio. - Mas de agora em diante vendemos pizza e
refrigerante, e s pizza e refrigerante. Sacou ?
Nate pegou o prato de pizza e o ps no balco novamente. No conseguia acreditar na falta
de sorte. Puxou a carteira e tirou uma nota de dez dlares do gordo mao dentro dela.
- Fica com o troco - murumurou ele, largando a noa no balco antes de sair com a pizza.
Na rua, Nate vagou meio sem rumo para o parque, sentindo-se um cachorro abandonado.
Vinha comprando erva do Mitchell desde a sexta srie. Numa tarde qualquer de maio, Nate e
o colega Jeremy Scott Tomplinson foram  pizzaria para comprar uma fatia de pizza e
Mitchell ouviu Jeremy dizer a Nate para roubar o recepiente de organo para que eles
levassem para casa e fumassem. Mitchell props vender a eles uma coisa que melhorava
ainda mais o humor, e desde ento Nate e os colegas voltavam l. O que devia fazer agora,
comprar trouxinhas baratas de um daqueles espertinhos do Central Park? A maioria daqueles
caras vendia um bagulho do Texas, seco e quebradio, e no as trouxas verdes e suculentas
que MItchell conseguia diretamente do tio dele no Peru. Alm disso, ele soube que metade
dos traficantes do Central Park eram policias da Entorpecentes s esperando para acabar
com um garoto com ele.
Depois de atirar as fatias de pizza meio comidas na lixeira mais prxima, Nate vasculhou os
bolsos do casaco naval Hugo Boss em busca de um baseado que tivesse sobrado. Depois de
encontrar um ele atravessou a Quinta Avenida e se agachou um banco do parque para
acender, ignorando a aproximao de um grupo de meninas da oitava srie que davam
risadinhas no uniforme azul-escuro da Constance Billard, lanando olhares sensuais para ele.
Com seu sorriso eu-sei-que-sou-gostoso, os cabelos dourados, os olhos cor de esmeralda, a
pele sempre bronzeada e o conhecimento sexy de construo de barcos e regatas a vela,
Nate Archibald era o cara mais cobiado do Upper East Side. Ele no tinha de procurar pelas
garotas. Elas caam no colo dele. Literalmente.
Nate deu uma puxada forte no baseado aceso e tirou o celular do bolso. O problema era que
os outros chapados da St. Jude's - Jeremy Scott Tompkinson, Charlie Dern e Anthony
Avuldsen - tambm compravam com Mitchell. O cara era o melhor. Mas valia a pena ligar
para saber se um deles tinha conseguido uma boa trouxa antes do sumio do traficante.
Jeremy estava num txi a caminho de um jogo interescolar de squash.
- Desculpa, cara. - A voz dele estalou na linha. - Fiquei tomando o Zoloft da mame o dia
todo. Por que no compra uma trouxinha de um daqueles traficantes do parque ou coisa
assim?
Nate deu de ombros. Comprar uma trouxinha no parque parecia to... capenga.
- Deixa pra l, cara - disse ele a Jeremy - A gente se v amanh.
Charlie estava numa megaloja da Virgin, comprando DVD's com o irmo mais novo.
- Que droga - exclamou ele quando Nate contou a situao. - Mas voc est perto do parque,
n? Ento compra uma trouxinha l.
- , t, deixa pra l. - respondeu Nate. - A gente se v amanh.
Anthony estava numa aula de direo do novo BMW M3 esporte que os pais deram a ele no
aniversrio de 18 anos na semana anterior.
- D uma olhada no armrio de remdios da sua me - aconselhou ele. - Os pais so o
ltimo recurso.
- Vou ver - respondeu Nate. - Mais tarde. - Ele desligou e deu uma ouxada no insignificante
baseado. - Droga! - praguejou ele, esmagando a bagana queimada na neve suja com o p.
Este semestre era para ser zoeira 24 horas por dia. Ele teve uma entrevista espantosa com a
Brown em novembro e tinha certeza absoluta de que sua solicitao de admisso fora
bastante boa o suficiente para coloc-lo l dentro. Alm disso, ele no estava mais saindo
com a Jenny Humphrey, que era muito doce e tinha uns peites timos, mas tomava muito
tempo livre dele. No resto do terceiro ano, Nate pretendia fumar, relaxar e ficar calminho at
a formatura, mas sem o traficante de confiana esse plano era no mnimo discutvel.
Nate se sentou no banco de madeira verde e olhou para os suntuosos prdios de calcrio que
se enfileiravam na Quinta Avenida.  direita dele, podia ver o canto do prdio de Blair, na 72
leste. Na cobertura, o gato Russian Blue, Kitty Minky, provavelmente estava deitado na
colcha rosa de Blair, esperando anciosamente que a dona chegasse em casa e o coasse no
queixo com as unhas rosa-coral.
Impulsivamente, Nate pressionou os botes de discagem rpida para Blair no celular. Tocou
seis vezes antes de ela atender.
- Al- respondeu Blair numa voz fininha. Estava sentada no novo salo Garren na 57 Leste,
decorado com um harm turco. Cachecis difanos e seda rosa e amarela se penduravam do
teto, e enormes almofadas de tapearia rosa e amarela foram atiradas aleatoriamente pelo
salo para as clentes se encostarem e beberem caf turco enquanto esperavam pela hora
marcada. Diante de cada cabeleireiro havia um enorme espelho com moldura dourada.
Gianni, o novo cabeleireiro de Blair, tinha acabado de pentiar as mechas recm-lavadas e
condicionadas de sua cliente. Com o celular encostado na orelha molhada, Blair olhou o
reflexo no espelho. Era o momento decisivo: ela ousaia cortar curto ?
- Oi. Sou eu, o Nate.- Ela ouviu uma voz murmurar em seu ouvido.
Blair ficou atordoada demais para responder. Eles nao se falavam desde a festa do Ano-
Novo, e mesmo ento a conversa tinha terminado mal. O que Nate estava fazendo ligando
para ela agora ?
-Nate?- respondeu Blair, meio impaciente, meio curiosa.- Isso  realmente importante?
Porque no posso falar. Estou meio que numa hora muito ruim.
-No, nao  importante- respondeu Nate enquanto tentava pensar numa explicao razovel
para ter ligado para ela.- S achei que voc quisesse saber que eu decidi parar. Sabe como
...parar de fumar bagulho.-Ele chutou um monte de lixo congelado. Nem tinha certeza se
era verdade. Ele estava largando realmente? Para sempre?
Blair ficou segurando o telefone num silencio confuso do outro lado da linha. Nate sempre
era imprevisvel- especialmente quando estava chapado-, mas nunca desse jeito. Gianni
bateu o pente de tartaruga impaciente no encosto da cadeira de Blair.
- Bem, legal pra voc- respondeu ela por fim - Olha eu tenho que ir, ta bem ?
Blair parecia distrada e Nate no tinha certeza por que tinha ligado pra ela.
- A gente se v- murmurou ele, enfiando o telefone de volta no bolso do casaco.
- Tchau - Blair atirou o Nokia metalizado de volta na bolsa vermelha e se endireitou na
cadeira giratria de couro.- Estou pronta- disse confiante.
- Lembre-se quero curto mas feminino.
Rugas de diverso apareceram nas bochechas bronzeadas e intencinalmente eriadas de
pels de Gianni. Ele piscou um olho castanho de clios londos.
- Como la Katerina Hepburn. Certo ?
Epa.
Blair apertou o cinto do roupo bege do salo e olhou no espelho o cabelo preto de Gianni
completamente cheio de gel, rezando para que ele no fosse idiota nem imcompetente como
parecia. Talvez fosse um problema de idioma.
- No, no Katherine Hepburn. Audrey Hepburn. Sabe quem , de bonequinha de luxo? My
Fair Lady? Cinderela em paris? - Blair vasculhou o cerebro em busca de uma celebridade
mais atual, algum com o cabelo curto decente - ou talvez como Selma Blair-acrescentou ela
desesperadamente, embora pensasse que o corte de cabelo de Selma era mais moleque que
o cabelo que tinha em mente.
Gianni no respondeu. Em vez disso, passou os dedos nos cabelos castanhos e molhados de
Blair.
- Que belo cabelo - disse ele pensativo enquanto pegava a tesoura e reunia os cabelo em
uma mecha. Depois, sem nenhum aviso, ele decepou todo o rabo-de-cavalo com uma
tesourada brutal.
Blair fechou os olhos enquanto o feixe de cabelos caa no cho. Por Favor, deixe-me bonita,
rezava ela em silncio, e sofisticada,com atitude e elegncia. Ela abriu os olhos e viu,
horrorizada, seu reflexo. A franja molhada, rombuda, na altura da orelha apontava para todo
lado.
- No se preocupe  tranqilizou-a Gianni enquanto passava da tesoura grande para uma
tosquiadora menor. - Agora modelamos.
Blair respirou fundo, enrijecendo-se. Era tarde demais para voltar atrs. A maior parte do
cabelo estava no cho.
- Tudo bem - gaguejou ela. Depois o celular tocou de novo e ela investiu para ele. - Espere -
disse a Gianni. - Al. -  Blair Waldorf? Filha de Harold?
Blair se estudou no espelho. No tinha mais muita certeza de quem era. Ela parecia mais
uma nova prisioneira preparando-se para a penitenciria do que a filha do famoso advogado
corporativo Harold Waldorf, que se divorciou da me de Blair dois anos antes e agora
morava em um chteau na Frana, onde administrava um vinhedo com uma "pessoa", que
por acaso
era um homem.
Considerando o estado turbulento de sua existncia atual, Blair realmente no se importava
em ser completamente diferente, e era em parte por isso que ela se submetia a Gianni.
Nem ligava de virar Katherine em vez de Audrey, desde que o visual fosse totalmente novo.
- Sim - respondeu Blair com a voz fraquinha.
- timo - respondeu o cara no telefone. A voz dele era profunda e lisonjeira, dificultando
adivinhar a idade. Dezenove ou 35? - Aqui  Owen Wells. Seu pai foi meu orientador na
firma quando eu comecei na carreira. Nos dois fomos alunos de Yale, e eu soube que voc
est interessada em ir para l.
Interessada? Blair no estava s interessada em ir para Yale - era seu nico propsito na
vida. Por que diabos teria feito cinco matrias de estudos avanados?
 estou - guinchou ela. Ela olhou para Gianni, que cantarolava as palavras de uma musica
melosa de Celine Dion que saa do sistema de som do salo. - Mas eu meio que estraguei
minha entrevista.
Na verdade, ela meio que contou toda a lacrimosa histria da vida dela ao entrevistador e
depois meio que o beijou, o que era mais do que uma simples mancada.
- Bem, e exatamente por isso que eu estou ligando - respondeu Owen Wells, a voz sensual
ressoando como as notas graves de um violoncelo. - O apoio de seu pai significa muito para
a universidade e eles querem dar uma segunda chance a voc. Estou oferecendo meus
servios como ex-aluno entrevistador, e o departamento de admisso j concordou em usar
meu relatrio quando analisar sua solicitao, em vez da entrevista que voc fez em
novembro.
Blair ficou pasma. U ma segunda chance - era quase bom demais para ser verdade. Cansado
de esperar, Gianni largou a tesoura no carrinho sobre rodas ao lado da cadeira de Blair,
arrancou a ultima edio da Vogue do colo dela e foi, rebolando, reclamar com os colegas.
- E ento, quando voc est disponvel? - insistiu Owen Wells.
Agora, Blair queria dizer. Mas no podia pedir a Owen para se sentar e esperar que Gianni
cortasse o cabelo enquanto ele lhe fazia todas aquelas perguntas tpicas de entrevista, tipo
Quem e a pessoa mais influente de sua vida?
- A qualquer hora - piou ela. Depois ela percebeu que no devia parecer to desesperada,
no quando devia ser uma menina prodgio total com uma agenda insana. - Na verdade,
hoje eu estou meio ocupada e amanha pode ser um dia meio louco tambm. Na quarta ou
quinta-feira depois da aula seria melhor.
- Em geral eu trabalho ate mais tarde, e tenho muitas reunies esta semana, mas que tal
quinta a noite? L pelas oito e meia?
- Tudo bem - respondeu Blair ansiosa. - Quer que eu v ao seu escritrio?
Owen fez uma pausa. Blair podia ouvir a cadeira de escritrio dele estalar e ela o imaginou
examinando a sala em Tribeca decorada por Philippe Starck com vista para o porto de Nova
York, perguntando-se se era um lugar adequado para a reunio. Ela o imaginou alto e louro,
com um bronzeado do tenis, como o pai.
Mas Owen Wells seria pelo menos dez anos mais novo do que o pai, e por isso a aparncia
dele seria muito melhor. Ela se perguntou se ele sabia como era cool ter um w no nome e no
sobrenome.
- Por que no nos encontramos no Compton Hotel?
Eles tem um timo bar que deve ser bem tranqilo.  Ele riu. - Posso te pagar uma Coca,
embora seu pai diga que voc prefere Dom Perignon.
O rosto de Blair corou. O idiota do pai dela - o que mais ele tinha dito?
- Ah, no, Coca est timo - gaguejou ela.
- Que bom. Vejo voc na quinta a noite. Estarei usando minha gravata de Yale.
- Espero ansiosamente por isso. - Blair tentou manter um tom de executiva apesar da vvida
fantasia Owen-no-escritrio.
- Muito obrigada por me ligar. - Ela desligou o celular e olhou diretamente para o espelho
dourado diante dela. Os olhos azuis j pareciam maiores e mais intensos, agora que tinha
menos cabelo.
Se fosse realmente uma atriz estrelando o filme de sua vida - o que ela sempre gostava de
imaginar -, este seria o momento da virada: o dia em que ela mudou de cara e comeou
a ensaiar para o maior papel de sua carreira. Olhou o relgio.
S tinha meia hora para voltar a Constance para a aula de educao fsica. Mas no havia
motivo para voltar correndo, especialmente agora que a Bendel's ficava a apenas trs
quadras e um vestido novo para a reunio com Owen Wells chamava por ela. Valia a pena se
ferrar por matar a educao fsica se o novo corte de cabelo e o novo vestido a ajudassem a
ingressar em Yale.
Gianni estava bebendo caf e dando mole para os garotos do xampu. Blair lanou-lhe um
olhar ameaador, ele que se atrevesse a foder com o cabelo dela.
- Quando estiver pronta, senhorita - gritou ele num tom de tdio, como se pouco importasse
se ia cortar ou no o cabelo dela.
Blair respirou fundo. Estava apagando o passado  seu relacionamento fracassado com Nate,
o novo marido revoltante e a gravidez constrangedora da me, a entrevista malfeita em Yale
- e se recriando com uma nova imagem.
Yale estava lhe dando uma segunda chance, e de agora em diante ela seria a senhora de seu
prprio destino, escrevendo, dirigindo e estrelando o filme que era a sua vida. Ela j podia
ver as manchetes no caderno Styles do New York Times, mostrando seu corte de cabelo.A
Frente dos Tempos: linda morena encurta estria para Yale!
Seu rosto se abriu num sorriso que ela j praticava para a nova entrevista com Owen Wells
na quinta a noite.
- Estou pronta.




os poemas erticos so cheios de mentiras

- E a... - disse Vanessa, balanando o joelho na coxa de Dan enquanto estavam deitados
nus de costas, contemplando o teto rachado do quarto em um deslumbramento ps-sexo. 
o que achou?
Vanessa j havia experimentado sexo algumas vezes com o ex-namorado Clark, um
bartender mais velho com quem ela ficou por pouco tempo no outono, quando Dan (como o
resto da populao masculina previsvel) estava ocupado demais babando Serena van der
Woodsen para perceber que Vanessa era apaixonada por ele. Mesmo que Vanessa tivesse
transado pela primeira vez, ela teria lidado com tudo de uma forma banal, porque era assim
que lidava com tudo. Dan, por outro lado, no era banal em nada, e foi ele que foi deflorado.
Ela estava doida para saber da reao dele.
- Foi ... - Dan encarou sem piscar a lmpada cinza desligada pendurada no meio do teto,
sentindo-se imobilizado e superestimulado ao mesmo tempo. Os quadris dos dois se tocavam
sob o fino lenol vinho e parecia que uma corrente eltrica passava entre eles, zunindo nos
dedos dos ps, nos joelhos, no umbigo, nos cotovelos e terminando no cabelo de Dan.
- Indescritvel- respondeu ele finalmente, porque no havia palavras para descrever como se
sentira. Escrever um poema sobre o sexo seria impossvel, a no ser que ele recorresse a
clichs metafricos tediosos como fogos de artifcio explodindo ou crescendo musicais. At
isso era totalmente impreciso.
No descreviam a verdadeira sensao,ou como o sexo era todo esse processo de
descoberta durante o qual tudo que era com um se tornava absolutamente maravilhoso. Por
exemplo, o brao esquerdo de Vanessa: no era um brao particularmente
espetacular - carnudo e branco, recoberto de uma penugem acastanhada e salpicado de
sardas. Enquanto estavam transando no era mais o mesmo brao que ele conhecia e
amava desde que ele e Vanessa ficaram acidentalmente presos em uma festa na oitava serie
- era uma coisa preciosa e extraordinria que ele no conseguia parar de beijar; algo
novo, excitante e delicioso. Ah, meu Deus. Est vendo? Tudo o que podia pensar para
descrever o que era o sexo soava como uma propaganda idiota de um novo cereal ou coisa
parecida.
At a palavra sexo estava errada, e fazer amor parecia novela vagabunda.
Eltrico teria sido uma boa palavra para descrever o que era o sexo, mas novamente tinha
conotaes negativas demais, como cadeira eltrica e cerca eletrificada. Prolfico era outra
palavra boa, mas o que significava exatamente? E trepidante parecia requintado demais e
fraco, como um ratinho assustado.
Se era para escrever um poema sobre sexo, ele que ria provocar idias de sexo, feras
musculosas como lees e veados, mas no ratos.
_ Terra chamando Dan. - Vanessa estendeu o brao e mexeu no lbulo da orelha dele com a
unha.
_ Pinculo - murmurou Dan desvairado. - Epifania.
Vanessa se enfiou por baixo do lenol e deu um chupo na barriga branca e magra de Dan.
_ Oi! Voc est em choque ou coisa assim?
Dan deu uma risadinha e a puxou para si para poder beijar a boca de gato de Cheshire e o
queixo de covinha de Vanessa.
- Vamos de novo.
Uaaaau!
Vanessa riu e esfregou o nariz nas sobrancelhas castanhas e desgrenhadas dele.
- Ento parece que voc gostou, hein?
Dan beijou o olho direito dela e depois o esquerdo.
_ Hmmmm - suspirou ele, todo o corpo zunindo de prazer e desejo. - Eu te amo.
Vanessa tombou no peito de Dan e fechou bem os olhos.
No era uma garota muito mulherzinha, mas nenhuma garota consegue deixar de derreter
na primeira vez que ouve um cara dizer essas trs palavras.
- Eu tambm te amo - sussurrou ela em resposta.
Para Dan, parecia que todo o corpo estava sorrindo. Quem diria que essa segunda-feira
comum de fevereiro seria to...tima?
Era demais para descries floreadas, elegantes e poticas.
De repente o celular de Dan disparou seu toque vibrante e alarmante na mesa-de-cabeceira,
a alguns centmetros de distancia. Dan tinha certeza absoluta de que era s sua irm mais
nova, Jenny, ligando para reclamar da escola de novo. Ele virou a cabea para ler o numero
no visor. PRIVADO, piscava a mensagem, o que s acontecia quando Vanessa ligava de casa
para ele.
-  a sua irm. - Dan se apoiou no cotovelo enquanto pegava o telefone. - Talvez ela esteja
ligando para dizer que voc finalmente tem um celular - brincou ele. - Devo atender?
Vanessa revirou os olhos. Ela e a irm guitarrista de 22 anos, Ruby, dividiam um
apartamento em Wiliamsburg, no Brooklyn.
Ruby tomou trs resolues de Ano-novo: fazer ioga todo dia, beber ch verde em vez de
caf e cuidar mais de Vanessa, uma vez que os pais das duas estavam ocupados demais
sendo umas aberraes hippies da arte em Vermont para cuidar dela.
Vanessa tinha certeza de que Ruby s estava ligando para perguntar se ela ia para casa,
para que Ruby preparasse um bolo de carne e pur quando ela chegasse, mas era to
improvvel que Ruby ligasse para o celular de Dan no meio do horrio de aula que ela no
podia deixar de atender.
Ela pegou o telefone tocando e o abriu.
- Oi! Como sabe onde me encontrar?
- Bem, boa tarde pra voc, minha querida irm  piou Ruby alegremente. - Lembra? Eu
preguei seu horrio na geladeira para saber exatamente onde voc esta e o que est
pensando o tempo todo, como uma nova verso melhorada de um Big Brother de Irms. De
qualquer forma, s queria que voc soubesse que chegou a correspondncia e tem um
envelope meio suspeito da Universidade de Nova York pra voc. No resisti e abri. Adivinha
s? Voc entrou!
- T brincando! - O corpo de Vanessa j havia sido atingido pela adrenalina quando ouviu
"Eu te amo", e agora isso.
Que piegas que nada, isso e que era orgsmico! Ela nunca teve certeza das chances que
tinha de entrar cedo. E s para mostrar seu alcance artstico ao pessoal da admisso
da NYU e para provar como falava a serio quando dizia que queria ser uma cineasta
importante, Vanessa mandou para a universidade o filme sobre Nova York que tinha feito no
Natal. Depois de mandar, ela se preocupou que eles pensassem que ela estava exagerando.
Mas agora suas preocupaes se dissiparam. Eles gostaram dela! Eles a queriam! Vanessa
finalmente podia se livrar para sempre dos grilhes ocos e cretinos da
Constance Billard e se concentrar em sua arte num lugar para artistas srios, como ela.
Dan a encarava da cama. Seus doces olhos castanhos pareciam estar brilhando com um
xtase um pouco menor do que antes.
- Estou to orgulhosa de voc, querida  cantarolou Ruby em sua voz mais maternal. - Voc
vem jantar em casa?
Andei lendo uns livros de culinria do Leste europeu. Estou pensando em fazer pierogi.
- Claro - respondeu Vanessa baixinho, subitamente preocupada com Dan. Ele no tinha se
candidatado a universidade nenhuma cedo, ento ele s saberia para onde ia no ano
seguinte daqui a alguns meses. Dan era to sensvel. Esse era o tipo de coisa que podia
atir-lo em uma depresso de insegurana, do tipo em que ele se trancava no quarto e
escrevia poemas sobre morrer em acidentes de carro ou coisa assim. - Obrigada por me
contar - disse ela a Ruby rapidamente.- Te vejo mais tarde, t bem?
Dan ainda encarava Vanessa cheio de expectativa quando ela desligou o telefone e o largou
na cama.
- Voc entrou para a NYU - disse ele, tentando inutilmente esconder o tom de acusao na
voz. Ah, como ele era magrela, idiota e inadequado! No que ele no ficasse feliz por ela,
mas Vanessa j estava na faculdade... e ele era s aquele cara esqueltico que gostava de
escrever poemas e que podia nunca entrar em faculdade nenhuma. - Uau - acrescentou ele
com a voz rouca. - Isso e timo.
Vanessa deitou novamente na cama e puxou o lenol por sobre o corpo, o quarto parecia
mais gelado agora que o suor da paixo tinha esfriado no corpo dos dois.
- No e grande coisa - afirmou ela, tentando disfarar a empolgao que transpirou quando
ouviu a novidade. - Voc e o cara do poema que vai sair na New Yorker.
Nos feriados de Natal, Vanessa mandou um poema de Dan, "Putas", para a The New Yorker
sem o conhecimento dele e o poema fora aceito para publicao na edio dupla do Dia dos
Namorados, que sairia no fim daquela semana.
- Parece que sim - concordou Dan, dando de ombros dubiamente. - Mas eu ainda no sei
nada ... Quer dizer, sobre meu futuro.
Vanessa abraou a cintura de Dan e apertou o rosto no peito branco e ossudo dele. Ela ainda
no conseguia acreditar que ia para a NYU no outono. Era uma coisa certa, o destino dela.
Ainda tremendo de empolgao, ela tentou se concentrar em consolar Dan.
- Quantos caras de 17 anos voc conhece que publicam poemas na New Yorker?  incrvel-
murmurou ela com delicadeza.
- E assim que os funcionrios da admisso das universidades a que voc se candidatou
descobrirem isso, voc vai ingressar onde quiser, e talvez ate seja aceito onde no quer.
- Talvez - respondeu Dan. Era fcil para Vanessa parecer to confiante. Ela j estava dentro.
Vanessa se apoiou no cotovelo. Havia uma maneira certa de fazer com que Dan se sentisse
melhor, pelo menos por algum tempo.
- Lembra do que estvamos fazendo antes de Ruby telefonar? - ronronou ela como uma
gatinha preta safada.
Dan fez uma carranca para ela. Uma sobrancelha castanha estava erguida em um angulo
ardente e suas narinas plidas ficaram vermelhas. Ele no achou que ia ficar excitado de
novo, mas seu corpo o surpreendeu. Ele puxou Vanessa e a beijou com fora.
     Se havia uma coisa que fazia um garoto se sentir um leo, e no um ratinho, era um
                                          ronronar.
                                            Mi-au.

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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                         oi, gente !



A BAIXA DOS VETERANOS

Eu j conhecia a expresso "baixa dos veteranos", mas no sabia o que significava
exatamente. Agora est claro como cristal. Baixa dos veteranos  quando voc mata as aulas
da tarde e vai para a casa de um amigo pedir veggie lo mein, beber chardonnay e fumar
cigarros.  quando voc acaba na cama com um cara s trs horas da tarde.  quando voc
mata a aula de clculo para se abastecer de vestidos de seda colantes na sala privativa da
Diane von Furstenberg.  quando voc por acaso dorme at as dez numa tera-feira. Epa.
No semestre passado, ramos os cachorrinhos dengosinhos dos professores. Neste semestre
somos maus. Tambm cometemos nossas extravagncias de jovens. Tenho certeza absoluta
de que metade das garotas da minha turma de educao fsica estava l fora beijando os
caras na escada do Metropolitan Museum of Art em vez de fazer flexes nas barras da
academia. Continuem assim, meninas  namorar  um exerccio muito melhor!

Flagra

J e uma garota alta e sardenta com um corte de cabelo infeliz dando risadinhas durante uma
aula de dana na Constance Billard. Acho que J tem uma amiga nova. N e os amigos pedindo
chai no Starbucks na esperana de topar com alguma coisa que altere a conscincia. V na
loja da NYU comprando uma caneca NYU, um suter NYU e um bon de beisebol da NYU. E
ela afirma no ser tarada nesse tipo de coisa. D vasculhando a banca de jornais do bairro em
busca de uma edio da New Yorker. S e A curtindo uns amassos em pblico, como sempre.
Ela nunca teve namorado por mais de cinco minutos, ento vamos ver quanto tempo isso vai
durar...
Tudo bem, eu admito. Estou matando aula enquanto falo aqui. Prometam que no vo contar
nada!
                                 Pra voc que me ama,
                                       gossip girl



s est apaixonada

Parado em um banco de neve na calada da Constance Billard School for Girls na 93 leste,
Aaron Rose esperava que Serena zunisse pelas altas portas azuis da escola e corresse para
seus braos. Mookie, o boxer castanho e branco, ofegava sentado ao lado dele na calada,
usando a manta vermelha e preta que Serena tinha comprado para ele na vspera na
Burberry. Nas mos de Aaron havia dois copos fumegantes do Starbucks.
Desde que ficaram juntos na festa de Ano-novo maluca de Serena seis semanas antes, era
este o ritualzinho deles. Aaron encontrava Serena depois da escola e eles andavam pela
Quinta Avenida de braos dados, bebendo lattes de soja e parando de vez em quando para
se beijar. O Ano-novo tinha sido um lance espontneo do tipo foda-se-estamos-a-fim-e-por-
que-no-namorar?
Total, mas no ultimo ms eles passaram cada momento fora da escola juntos e agora eram
conhecidos como o mais adorvel e mais bonito casal - bom trio, se voc incluir Mookie - do
Upper East Side.
De repente um raio de sol do inverno bateu na linda cabea loura de Serena enquanto ela
abria as portas da escola, descia a escada correndo nas botas de camura marrom Stephane
Kelian e casaco azul-marinho Les Best e chegava a calada cheia de neve. Todo o rosto dela
brilhava de excitao angelical ao ver Aaron e Mookie.
- Oi, nenm! - gritou Serena quando Mookie abanou o rabo para ela e enfiou o focinho em
suas mos com luvas de cashmere. Ela se abaixou e deixou que o cachorro lambesse
seu rosto enquanto afagava a cabea dele. - Est to lindo hoje.
Aaron observou os dois com um orgulho meio indolente.  essa  minha namorada. , ela
no  linda?
Serena se ergueu e atirou os braos no pescoo dele. O ar em volta deles se encheu do
aroma de leo essencial de sndalo e patchouli que ela sempre usava.
- Sabe no que andei pensando o dia todo?  perguntou Serena entusiasmada, dando um
beijo nos lbios finos e vermelho-escuros de Aaron com a boca carnuda de batom de
pssego.
Aaron afastou os ps para no cair para trs e derrubar os lattes.
- Em mim? - chutou ele. Serena era o tipo de garota que se entregava totalmente ao que
estivesse se dedicando no momento, e por acaso neste momenta ela se dedicava a Aaron.
Isso o deixava meio bbado.
Ela fechou os olhos e eles se beijaram de novo, desta vez profundamente. Atrs deles, as
meninas com elegantes casacos de l e botas de couro de cano alto safam pelas portas da
escola, gritando vertiginosamente. Algumas se reuniram para observar com assombro
enquanto Serena e Aaron continuavam a se beijar.
- Ai, meu Deus - sussurrou uma da sexta serie, tendo uma sncope na presena de tanta
elegncia. - Esto vendo o que estou vendo?
Mookie bateu a pata na neve e gemeu de impacincia. Serena passou o rosto no spero
gorro de l de alpaca cinza e roxo que tinha com prado para Aaron no fim de semana na
Kirna Zabete, no Soho. Ela adorava o modo como as lindas trancinhas castanho-escuro
ficavam por trs das orelheiras.
Tudo em Aaron era to adorvel que ela queria com-lo de colher!
-  claro que fiquei pensando em voc - disse ela, pegando o latte. Ela abriu a tampa num
estalo e soprou o lquido doce e fumegante. - Eu estava pensando que a gente devia fazer
uma tatuagem. - Ela se interrompeu, esperando que Aaron respondesse, mas os olhos
castanho-claros dele pareciam confusos, ento ela prosseguiu: - Sabe como , tipo o nome
da gente. Para mostrar nosso compromisso um com o outro.
- Ela tomou um gole do caf e lambeu os lbios adorveis e suculentos. - Eu sempre quis
uma tatuagem que s eu conhecesse.
Sabe, num lugar privado.
Aaron sorriu, hesitante. Ele gostava muito de Serena. Ela era embriagadoramente bonita,
um doce total e no era nada exigente. Estava acima e alem de qualquer outra garota que
ele tinha conhecido.
Mas ele no tinha certeza se queria tatuar o nome dela no corpo. Na verdade, ele sempre
achou que as tatuagens eram meio violentas, como ferro em gado, e, na qualidade de
vegetariano e rastafari, ele se opunha moralmente a qualquer tipo de violncia.
- Tatuagem  contra a minha religio - declarou ele, mas, quando viu a linda cara de Serena
se enrugar de decepo, pegou a mo dela e acrescentou rapidamente: - Mas vou pensar no
assunto, t legal?
Serena no era de guardar rancor, certamente no contra o garoto mais gracinha do
universo. J superando o problema, ela pegou a mo dele e os dois comearam a andar para
a Quinta Avenida. O cu estava de um cinza sombrio e um vento gelado picava o rosto dos
dois. Uma hora depois escureceria.
- E ai, o que vamos fazer? - perguntou ela.  Estava pensando que podia ser meio doido ir
ao topo do Empire State.
Morei a vida toda aqui e nunca fui l. E esta to frio. Aposto que ningum pensa em subir l
nesta poca do ano. Deve estar totalmente vazio e romntico, tipo um filme antigo.
Aaron riu.
- Voc anda demais com a Blair. - A meia-irm dele sempre transformava tudo em um
romntico filme em preto-e-branco da dcada de 1950, tentando tomar a vida ainda
mais glamourosa do que j era. Quando eles entraram na Quinta, Mookie galopou a frente
deles, apertando a guia que estava frouxa na mo de Aaron. - Ei, calma ai, Mook.
Serena enfiou a mo livre no bolso da parca preta North Face de Aaron.
- Blair estava muito esquisita no grupo de discusso, aquele troo novo que estamos fazendo
com as calouras na hora do almoo. Depois da reunio, ela sumiu. Nem apareceu
na educao fsica.
Aaron deu de ombros e bebeu o latte.
- Talvez ela estivesse com clica, ou coisa assim.
Serena sacudiu a cabea bonita.
- Estou achando que ela esta meio com cime. Sabe como e, da gente.
Aaron no disse nada. Nos feriados de Natal, ele estava a fim de Blair, embora ela fosse
meia-irm dele.
Ficar com Serena o fizera esquecer de tudo isso, mas ainda era estranho
pensar que Blair realmente podia ter cime deles, quando ele ficou grudado nela aquele
tempo todo.
- E ai,vamos ao Empire State? - perguntou Serena, parando na esquina seguinte e virando-
se para olhar a Quinta Avenida, atrs deles. Uma frota de nibus passou rugindo. - Se a
gente for, vai ter de pegar um txi.
Aaron olhou o relgio. Eram quatro e dez.
- Eu meio que pensei em dar uma passada l em casa para ver a correspondncia. - Ele deu
uma risadinha tmida, constrangido por ter parecido to nerd. - As cartas da admisso
esto chegando esta semana.
Os grandes olhos azul-escuros de Serena se arregalaram.
- Por que no disse isso antes? - Ela atirou o copo de papel na lixeira prxima e comeou a
correr. - Venha, Mook! - gritou ela enquanto o boxer pulava de felicidade atrs dela. - Vamos
para casa ver se seu papai sabe-tudo vai para Harvard!




b faz um favorzinho a j

Jenny sempre foi tmida e sempre teve problemas para fazer amigos, mas conseguiu uma
amiga no grupo de discusso naquele dia.
- Sabe de uma coisa, eu nunca tinha percebido seu, hmmm... tamanho de suti murmurou
Elise timidamente enquanto as duas pegavam os livros para voltar para casa. Dos dois lados
as outras meninas batiam as portas dos armrios de metal e gritavam umas com as outras
enquanto desciam a escada correndo e saam pelas portas da escola.
- Ah, ta - respondeu Jenny sarcasticamente, tentando enfiar o caderno de geometria entre
o livro de francs e Anna Karenina na mochila listrada de preto e vermelho Le Sportsae.
Elise deu uma risadinha enquanto passava o cachecol rosa em volta do pescoo e fechava os
botes de veludo preto de seu casaco nerd de tweed. Definitivamente, parecia que a me
dela ainda a vestia toda manh.
- T legal, eu percebi. Mas nunca pensei que isso te incomodasse.
Jenny enfiou o cabelo crespo castanho atrs das orelhas e olhou para Elise.
- Isso no me incomoda.
Elise tirou a boina rosa da cabea loura e arrancou a mochila do ombro. Ela era quase trinta
centmetros mais alta do que Jenny.
- Hmmm, est ocupada agora? Quer, tipo assim, fazer alguma coisa?
- Tipo o qu? - Jenny fechou o zper da parca preta corpulenta. Agora que no estava mais
grudada em Nate nem no irmo mais velho, Dan, ela realmente precisava de novos
amigos e podia ser meio legal sair com uma garota pelo menos uma vez, embora Elise
parecesse meio afetada e imatura.
- No sei. Tipo ir comprar maquiagem nova na Bendel's ou coisa assim? - sugeriu Elise.
Jenny inclinou a cabea, agradavelmente surpresa. Por um minuto tinha pensado que Elise ia
sugerir comprar uma casquinha de sorvete ou visitar o zoolgico.
- Eu adoraria - concordou ela, batendo a porta do armrio e comeando a andar para a
escada. - Vamos.

- A partir de agora eu s vou usar cores slidas  sussurrou Blair enquanto abotoava o
uniforme e pendurava o ltimo vestido rejeitado no cabide. - E tudo deve ter gola. -
Ela abriu a cortina de veludo vermelho e atirou seis tops Diane von Furstenberg de estampas
fortes nas mos da vendedora.
- Mudei de idia. Estou procurando roupas simples em azul-marinho e preto. E camisetas
brancas bsicas com gola.  Ela queria ficar sensual num estilo parisiense-chique-usando-um
simples-vestido-preto-enquanto-pedala-uma -bicicleta-e-leva-uma-baguete-debaixo-do-
brao. Nate sempre teve uma queda por garotas francesas. Ele se desviava do caminho
normal e passava pela Ecole Franaise s para se embasbacar com as meninas de saia cinza
curtinha, saltos altos e sue teres pretos de gola em V. Aquelas vagabas.
Logo Blair encontrou o primeiro item de seu novo guarda-roupa e a coisa perfeita para vestir
na entrevista de quinta a noite: um vestido abotoado de tric azul-marinho Les Best
com cinto de contas e uma linda gola de rendinha branca. Era formal e no entanto intrigante
- exatamente o que Blair procurava.
Ela pagou pelo vestido e depois desceu para a seo de cosmticos para se munir de sombra
azul-marinho e um brilho labial sutil que no fosse to mulherzinha nem sexualmente
convidativo como a sombra habitual rosa-claro ou vermelho-escuro.
- Olha quem est aqui - cochichou Jenny para Elise diante do balco da Stila. - Oi, Blair.
- timo cabelo! - acrescentou Elise alegremente.
Blair se virou e viu as duas calouras do grupo de discusso: Ginny ela-realmente-deve-fazer-
reduo-dos-seios e a que precisava-desesperadamente-de-maquiagem, Eliza, ou sei l qual
era o nome das duas, olhando-a com admirao. Ela ficou apavorada em ver que estavam
experimentando algumas das mesmas sombras para os olhos e batons que ela usava o
tempo todo. Ser possvel que no podiam se limitar a Maybelline de Rite Aid ou coisa
assim?
Elise fez uma careta para o frasco de sombra preta com glitter na mo dela.
- Esse troo e bom mesmo?
, e bom. Mas voc ainda no est pronta para isso.
Blair nao conseguiu deixar de dar um conselhozinho de irm mais velha a elas. Pendurou no
pulso a sacola de compras da Bendel's listrada de marrom e branco e ps mos  obra.
- No seu tom, eu usaria alguma coisa mais leve.  Ela pegou uma amostra de sombra em gel
verde-claro prateado. - Isto aqui realmente daria u, tom aqua a seus olhos  instruiu ela,
maravilhando-se com o fato de parecer to legal.
Elise pegou o tubo e passou um pouco nas plpebras. Mal era visvel, mas capturou a luz e
deixou seus olhos azuis pequenos e prximos miraculosamente mais brilhantes e mais
bonitos.
- Uau - trinou Elise, mesmerizada.
Jenny pegou o tubo.
- Posso experimentar?
Blair o pegou de volta.
- De jeito nenhum. Voc precisa de algo em bege ou pssego. - Blair nem acreditava em si
mesma. O estranho era que estava gostando. - Tome. - Ela estendeu a Jenny um
lpis para olhos grosso e de cor ferrugem. -  mais suave do que parece.
Jenny desenhou uma linha cuidadosa na borda da plpebra e piscou com o resultado. Parecia
instantaneamente mais ve1ha e a cor dava a seus olhos castanhos um lindo brilho mbar.
Ela se inclinou para a frente para fazer o olho esquerdo, mas uma coisa refletida no espelho
atraiu sua ateno.
Ou algum, para ser mais precisa.
A loja estava num alvoroo s de compradores fazendo estoque para o inverno, mas a
Bendel's s fornecia a mulheres, ento todas as compradoras eram mulheres. Exceto uma
pessoa.
Ele parecia ter uns 16 anos, era alto e magro, com cabelos louros desgrenhados e usava
uma jaqueta de veludo cotel marrom-chocolate e jeans largo no corpo emaciado. Meio
como o cara da propaganda de Eternity for Men, da Calvin Klein, s que no to bonito.
- Uau  exclamou Jenny baixinho.
- No fica timo? - disse Blair num tom cadenciado.
- Borre um pouco com o dedo. Voc deve usar sombra marrom tambm. Deixar seus olhos
ainda maiores.
- No, quero dizer uau, olhe pra ele - esclareceu Jenny. -Atrs de mim.
Blair olhou por sobre o ombro para ver um garoto louro meio esquisito, novo demais para
ela, examinando as bolsas de cosmtico da Bendel's. Ela se voltou para Jenny.
- O que? Acha que ele  bonitinho?
Elise deu uma risadinha.
- Ele parece meio palerma.
A campanhazinha Ampare os Desamparados de Blair estava comeando a melar.
- Se est comprando na Bendel's, provavelmente  gay.
Por que no vai ate l e fala com ele, se acha ele to bonitinho?
Jenny ficou mortificada. Ir l e falar com ele como uma anormal desesperada que persegue
os caras pela rua? De jeito nenhum.
- V - espicaou Elise. - Sabe muito bem que quer.
Jenny mal conseguia respirar. Toda vez que pensava que estava ficando mais confiante,
acontecia uma coisa dessas para provar que ela era a mesma insegura de sempre.
- Talvez a gente deva ir embora - murmurou ela nervosa, como se Blair e Elise a estivessem
aliciando a participar de algum negcio obscuro com drogas. Ela pegou a mochila com os
livros do cho.
- Obrigada pela ajuda - disse ela a Blair rapidamente. Depois pegou a mo de Elise e a
arrastou para fora da loja, olhando diretamente para a frente enquanto passava pelo
lourinho.
Ridculo. Blair suspirou enquanto as observava ir. Mas estava num humor to bom desde o
telefonema de Owen Wells que no a mataria dar a Jenny mais uma ajudazinha quando
ela precisava to obviamente dela. Blair pegou o recibo do vestido na sacola de compras e,
usando o lpis para olho de cor ferrugem, desenhou um grande corao no verso e escreveu
o e-mail de Jenny na Constance Billard dentro dele. Os e-mails de todos na escola eram os
mesmos, s a primeira inicial e o ultimo nome, para que no fosse difcil de memorizar.
Depois ela amassou o recibo numa bola e passou pelo louro magrela, atirando a bola nas
costas dele com fora e disparando pelas portas giratrias antes que ele tivesse a chance de
ver quem era.
Blair Waldorf esforando-se para fazer uma coisa boa por outra pessoa? Mas isso  que 
renovao! Era mais do que uma mudana do tipo troca de leo no corte de cabelo. Como
uma verdadeira diva, ela ia adotar todo o pacote do spa de fim de semana, inclusive
recondicionamento espiritual.




como se j no bastasse

Exatamente como Aaron suspeitava, havia um envelope creme de Harvard esperando por ele
atrs do vaso de porcelana chinesa Spode com rosas brancas no aparador do hall do
apartamento do pai e da madrasta na cobertura da 72 Leste. Aaron deixou que um Mookie
extremamente sedento fosse para a cozinha ainda com a coleira e pegou a carta com os
dedos rgidos. Serena esperava ansiosa atrs dele, mas Aaron na verdade queria abrir o
envelope sozinho. E se ele no entrou?
Serena tirou o casaco e o atirou na cadeira com estofado de tapearia azul no canto.
- Eu ainda te amo, independentemente do que vier - disse ela a meia voz.
Aaron encarou o envelope, irritado consigo mesmo por ficar tio tenso. Em geral ele era muito
calmo com esse tipo de coisa.
- Foda-se - declarou ele baixinho e rasgou o envelope selado. Abriu a folha de papel creme
elegantemente dobrada e leu duas vezes o curto pargrafo datilografado. Depois olhou para
Serena. - Epa.
Que coisa horrvel um namorado passar por isso!
- Ah, coitadinho. Eu sinto muito.
Aaron passou a carta a ela, que a leu com relutncia. Caro Sr. Rose. Analisamos sua
solicitao e temos o enorme prazer de inform-lo de sua admisso a Universidade de
Harvard para o curso de... Os olhos azuis de Serena de repente ficaram enormes.
- Voc entrou! Ah, gato, voc entrou!
Atrs de1es, Myrtle, a cozinheira, andou animadamente pelo corredor com um Mookie
babando e trotando atrs dela. O uniforme amarelo-claro de empregada estava manchado
com alguma coisa vermelho-alaranjada e ela parecia irritada.
- Myrtle, Aaron entrou pra Harvard - anunciou Serena orgulhosa. Ela colocou os braos em
volta do namorado e deu um apertado. - No  maravilhoso?
Myrtle no ficou impressionada. Passou a coleira de Mookie para Aaron, os pulsos carnudos
tilintando com as pulseiras e as mos calejadas cheirando a alho.
-  melhor levar o cachorro com voc para onde voc vai - repreendeu ela antes de marchar
de volta para a cozinha em seus tnis Nike brancos e novos.
Serena e Aaron riram maliciosamente um para o outro.
- Acho que isso merece uma comemorao, n?  perguntou Aaron, o alvio transformando-
se imediatamente em petulncia.
Serena beliscou o adorvel nariz sardento dele com um indicador esguio.
- Eu sei onde eles guardam o champanha.

Blair subiu o elevador para a cobertura da famlia com vista para o Central Park na 72.
Quando as portas do elevador se abriram, ela reconheceu de imediato o novo casaco de
cashmere azul-marinho atirado com descuido na cadeira de tapearia Lus XVI no hall. Ainda
era difcil se acostumar com a idia de Serena namorando em sua casa quando ela no
estava l.
- Blair? - A voz de Serena ecoou do antigo quarto de hspedes, que agora pertencia a Aaron.
-Vem c. Aonde voc foi?
- Pera - gritou Blair. Ela tirou o casaco de l azul-claro e o pendurou no armrio. No queria
explicar seu novo look a Serena e Aaron enquanto eles estivessem sentados de roupa ntima
ou com alguma coisa igualmente nauseante, mas no via como sair dessa. Se os ignorasse,
eles logo estariam batendo na porta de seu quarto, quicando na cama dela e exigindo
ateno como imbecis imaturos.
O cheiro de cigarro natural flutuou para o corredor.
- Oi - falou ela, parada do lado de fora da porta entreaberta.
- Entra - disse Aaron com a voz abafada. Depois de duas taas de Dom Perignon, ele j
estava de porre. - Estamos dando uma festinha.
Blair abriu a porta. O quarto tinha sido redecorado por Aaron em tons de roxo e azul-celeste,
com persianas de metal cinza da dcada de 1950 nas janelas em vez de cortinas e pufes de
vinil gigantes no cho para quem quisesse descansar. O tapete de cnhamo orgnico que
cobria o cho estava cheio de caixas de CDs,jogos de computador, DVDs, revistas de musica
e livros da biblioteca sobre a cultura rastfari e os males da industria
de carne. Serena e Aaron estavam sentados na cama de baldaquino eduardiana, bebendo
champanha nas melhores fltes de cristal da me de Blair, de roupa ntima, como Blair
previra. Na verdade, Serena usava uma das camisetas verdes grandonas BRONXDALE
ATHLETIC de Aaron, com as calcinhas de cetim branco La Perla meio visveis por baixo.
Bem, pelo menos era uma calcinha elegante.
Blair estava prestes a perguntar que grande ocasio era quando Serena deixou escapar:
- Aaron entrou! Ele entrou pra Harvard!
Blair os encarou, a bile subindo pela garganta. J era difcil ver a abundncia de cabelos
louros claros e lindos de Serena, agora que seu prprio cabelo estava numa lata de lixo na
rua 57, mas o sorriso presunoso na irritante cara de trancinhas de Aaron foi o suficiente
para ela querer espirrar vmito em todo o tapete sem-crueldade-de-animais dele.
- Puxa um pufe - ofereceu Aaron. Ele apontou para a caneca de Harvard na mesa. - Essa
caneca esta limpinha, se quiser um pouco de champanha.
Serena acenou uma folha de papel creme no ar.
- Ouve s. "Caro Sr. Rose" - leu ela em voz alta.  "Analisamos sua solicitao e temos o
enorme prazer de inform-lo de sua admisso  Universidade de Harvard para o curso de..."
Blair tinha ido ao salo sem almoar nada e essa venerao ns-amamos-o-Aaron a estava
deixando tonta de nojo. Ela  que devia ter aberto a carta de admisso dela, mas, depois
daquela entrevista meia-boca, a conselheira universitria da Constance Billard disse a ela
que era melhor no se candidatar a uma vaga cedo. Entrar para Yale tinha sido a nica
misso de Blair na vida - bem, alm de casar com Nate Archibald e viver feliz para sempre
na casa de tijolinhos aparentes coberta de hera pertinho da Quinta Avenida que ela j
escolhera -, mas agora Blair tinha de esperar at abril, como todas as outras
idiotas da turma, para saber se entrou ou no. Era totalmente injusto.
- Lamento, Blair. -Aaron bebericou o champanha. Ele sempre era supersensvel para
provocar Blair, mas estava se sentindo bem demais consigo mesmo agora para se
incomodar. - No vou me desculpar por entrar. Eu mereo isso.
Como se a enorme ala nova de cincia que a construtora do pai dele fez no campus no ano
passado no tivesse absolutamente nada a ver com isso.
- Vai se foder - respondeu Blair. - Caso tenha se esquecido, eu teria a resposta de Yale agora
mesmo se voc no tivesse me dado um porre de cerveja vagabunda e me fizesse
comer aquele lixo naquele hotel pulguento na vspera da entrevista.
Aaron revirou os olhos.
- Eu nunca te disse para beijar o entrevistador.
Serena deixou escapar um suspiro e Blair a encarou.
- Desculpe - disse Serena rapidamente. - Vamos l, Blair. - Voc , tipo assim, a melhor
aluna da nossa turma. Est totalmente dentro. S tem de esperar ate abril para saber
disso.
Blair ainda olhava para ela. No queria esperar at abril. Queria saber agora.
Aaron acendeu outro cigarro natural e apontou o queixo para o teto para soprar anis de
fumaa. J havia um ar meio superior e indolente nele, como se ele soubesse que podia
beber champanha o dia todo pelo resto da escola e ainda ir para Harvard. O fodo.
- Ei - bocejou ele. - Tenho de ir a Scarsdale ensaiar com minha banda, mas vamos sair mais
tarde para comemorar.
Serena se levantou da cama e deu uns saltos, como se precisasse de exerccios.
-  claro que sim.
Blair viu o lindo cabelo de Serena voar no ar sobre a cabea dela e depois cair em cascata
bem nos ombros, enquanto Aaron fazia mais anis de fumaa. De repente Blair no
conseguia mais ficar no mesmo ambiente que eles.
- Tenho dever de casa - disse Blair ofendida, estendendo o brao para sentir o novo corte de
cabelo enquanto se virava para sair.
- Ai, meu Deus - gritou Serena, atirando-se na cama de Aaron. - Espera, Blair... seu cabelo!
Legal ela finalmente ter percebido.
Blair parou na soleira da porta e colocou a mo onde os cabelos escuros caam em uma linha
reta na altura da nuca.
- Eu gosto - declarou ela na defensiva.
Serena foi at Blair como se ela fosse uma daquelas esculturas de mrmore gregas no piso
principal do Met.
- Ai, meu Deus! - repetiu ela e estendeu a mo para colocar uma mecha de cabelo atrs da
orelha de Blair.  Eu adorei! - exclamou ela, meio entusiasmada demais.
Blair franziu o nariz arrebitado, desconfiada. Ser que Serena realmente adorou, ou s
estava sendo falsa? Sempre era difcil saber.
- Voc est exatamente como Audrey Hepburn  lembrou Aaron da cama.
Blair sabia que ele s estava dizendo o que ela que ria ouvir para compensar ter sido um
imbecil presunoso por ter entrado em Harvard. Ela pensou em mencionar a entrevista
para Yale com Owen Wells na quinta-feira a noite, mas decidiu manter a entrevista em
segredo.
- Com licena - disse ela friamente. - Tenho umas coisas para fazer.
Serena viu Blair sair e depois voltou a subir na cama ao lado de Aaron. Ela pegou a carta de
Harvard e a dobrou, enfiando-a cuidadosamente no envelope.
- Estou to orgulhosa de voc - murmurou ela, caindo nos braos de Aaron e o beijando.
Aaron acabou se afastando, mas Serena continuou de olhos fechados, lambendo o gosto
doce de erva do beijo dele em seus lbios. "Eu te amo", ela se ouviu dizer. As palavras
pareciam simplesmente ter sado de sua boca. Ela abriu os olhos, sonhadora.
Aaron nunca disse a uma garota que a amava e no pretendia dizer isso a Serena, pelo
menos no agora. Mas o dia j havia sido maravilhoso e ela era do totalmente linda com as
bochechas ruborizadas e a boca toda vermelha de beijar. Por que no? Era como o fim de
suas secretas fantasias bregas de rock-star, em que ele e uma garota incrivelmente gostosa
disparavam juntos em uma Harley pelo pr-do-sol.
- Eu tambm te amo - respondeu ele e a beijou novamente.




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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                        oi, gente !



NS NO SOMOS ESPECIAIS?

Ento o boato que circulou por a de que as universidades da Ivy League no iam admitir
ningum cedo este ano acabou sendo totalmente falso. Oba  alguns de ns entraram! Sei
que nos sentimos muito especiais, mas se comearmos a festejar como se fosse 2099,
bebendo champanha antes da aula inaugural e matando metade das aulas, vamos acabar
comemorando s entre ns, porque os outros amigos vo nos odiar mortalmente. Procure
guardar isso para voc, se puder, pelo menos at abril, quando o resto da turma vai saber se
entrou.  para seu prprio bem, eu prometo.

A PALAVRA QUE COMEA COM A

Com o Dia dos Namorados a menos de uma semana, o amor est no ar em toda parte. Est
na ponta da nossa lngua.  no que pensamos antes de dormir.
Pegamos a ns mesmos e a nossas vizinhas desenhando coraes flechados nas aulas de
matemtica. Mas s porque o mundo se transformou num enorme corao de chocolate BE
MINE, no quer dizer que temos de sair por a fazendo promessas que no vamos cumprir.
Usar a palavra A em ambientes ntimos pode ser perigoso. Prefiro usar mais genericamente,
como em Eu amo todos vocs. E  verdade, mesmo!

Flagra

N vagando pela Madison Avenue com as mos nos bolsos do casaco, parecendo
incomumente tenso e preocupado. V e D beijando-se na Shakeaspeare Books, perto da NYU
 ai, que gracinha. B na Sigerson Morrison no NoHo, experimentando um par de sapatos na
loja. S na Fetch da Bleecker Street, comprando outra roupinha irresistvel para seu au-au
favorito. J e sua nova amiga, E, rindo no setor de higiene feminina da Duane Reade. Ah, a
juventude. E A comprando montes de discos usados de reggae em uma lojinha minscula e
annima da rua 3 Leste. Vai ter o que ouvir enquanto mata o resto das aulas.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Eu soube que o traficante que costumava trabalhar na pizzaria levou uma dura da polcia e
agora fica l feito um X9 no parque, entregando todos os antigos clientes.
- Dawg

R: Caro Dawg,
Parece um filme vagabundo da TNT. S espero que nenhum de nossos amigos acabe como
protagonista.
- GG

P: Cara GossipG,
Eu esqueci totalmente de te contar antes, mas eu vi aquela calourinha dos peites na sala de
espera do meu cirurgio plstico. Ela olhava um livro chamado Seios de celebridades. 
srio. Tipo assim, escolhendo totalmente os que ela vai ter.
- tattletail

R: Cara tattle,
Isso  muito interessante, mas, a propsito, por que  mesmo que voc estava l?
- GG



COMO SE VOC J NO ESTIVESSE BASTANTE EMPOLGADO...

Agora que as admisses precoces acabaram, podemos nos concentrar em alguma coisa
verdadeiramente importante: a Fashion Week. Comea na quinta-feira e todas as minhas
personalidades favoritas estaro l, inclusive eu. Te vejo na primeira fila!


                                  Pra voc que me ama,
                                        gosip girl
o poeta magrelo do west side tem seu primeiro gostinho da fama

A caminho da Riverside Prep na tera de manha, Dan parou na banca de jornais na 79 com a
Broadway para comprar a edio de Dia dos Namorados da New Yorker e um caf preto
grande que parecia ter uns trs anos de idade - do jeito que ele gostava. A capa da New
Yorker era uma ilustrao da Arca de No atracada em um pier do porto de Nova York, com
a Esttua da Liberdade assomando ao fundo. As palavras O Barco doArnor estavam
impressas na lateral da arca e todos os animais enfileirados na prancha estavam de mos
dadas, beijando-se e se apalpando. Era bem engraado. Dan parou na esquina e acendeu um
Camel sem filtro com os dedos trmulos enquanto virava a capa e procurava por seu poema
no sumrio. Estava sob o ttulo Poemas: Daniel Humphrey, pgina 42, "Putas". Ele folheou a
revista, esquecendo-se totalmente do cigarro aceso entre os dedos. A pagina 42, por acaso,
era a primeira de um Conto de 14 pginas de Gabriel Garcia Rhodes intitulado "Amor con los
Gatos" e, bem ali, no meio do conto, estava o poema de Dan.

Tire o sono de meus olhos e me sirva outra xcara.
Vejo o que tentou me dizer o dia todo,
Raspando a cabea e me apalpando (com tanta delicadeza)
Com cetim e renda:
Voc  uma puta.

Estava congelante na rua, mas o suor nervoso se acumulava nas sobrancelhas de Dan e sua
lngua estava seca como lenha. Dan jogou o cigarro aceso na calada e fechou a revista,
enfiando-a na bolsa preta de carteiro. Se abrisse na pagina de colaboradores, teria visto a
entrada: Daniel Humphrey (Poema, p. 42)  um aluno do terceiro ano do secundrio de Nova
York. Este  seu primeiro trabalho publicado.

Mas Dan no conseguia olhar para a revista por nem mais um segundo, no quando milhares
de
pessoas estavam agora mesmo folheando-a e parando para ler seu poema brutal e raivoso,
que ele sinceramente no tinha certeza se era bom.
Dan andou pela Broadway para a escola, as mos tremendo como loucas. Se ao menos
tivesse feito uma sabotagem nas impressoras da New Yorker para que eles no
conseguissem mais imprimir nenhuma vogal. Ento toda a edio do Dia dos Namorados
teria sido recolhida das bancas no fim da noite passada.
Como se ele sequer pudesse fazer isso.
- Ei, cara. - Dan ouviu a voz conhecida e afetada de seu colega de turma nada favorito da
Riverside Prep atrs dele. Dan parou e se virou, vendo Chuck Bass jogando no ombro o
cachecol de cashmere azul-marinho monogramado e passando os dedos manicurados nos
cabelos castanhos com luzes douradas.
- Legal o poema na New Yorker, cara. - Ele deu um tapa de parabns no ombro de Dan, o
anel rosado com monograma brilhando na luz de inverno. - Quem diria que voc  um
fodo?
Ser que havia alguma coisa distintamente gay em Chuck Bass hoje? Ou talvez no. S
porque ele tinha feito luzes louras e estava usando um casaco de l creme apertado Ralph
Lauren e tnis Prada de couro laranja no significava que ele tivesse desistido de molestar
garotas bbadas e indefesas em festas. Talvez ele simplesmente estivesse se expressando.
Certamente no havia nada de errado nisso.
- Obrigado - murmurou Dan enquanto brincava com a tampa de plstico do copo de caf. Ele
se perguntou se Chuck estava pretendendo andar todo o caminho da escola com ele
para que pudessem discutir o poema. Mas ento o celular de Dan tocou, poupando-o de ter
de responder a perguntas insanas de Chuck sobre quantas garotas ele tinha pegado antes de
escrever o poema, ou o que quer que Chuck Bass gostasse de falar a caminho da escola pela
manh. Dan colocou o fone na orelha e Chuck bateu em seu ombro de novo e continuou
andando.
- Al?
- Parabns, Danielson! - gritou Rufus no telefone. Seu pai nunca safa da cama antes das
oito, ento aquela era a primeira vez que Dan falava com ele de manh. - Voc  pura
dinamite, o artigo genuno! The New Yorker,a maldita New Yorker!
Dan riu, sentindo-se meio envergonhado. Incontveis cadernos cheios dos poemas estranhos
e desconjuntados do pai estavam enfiados em uma caixa poeirenta no armrio de vassouras.
Embora ele fosse editor de poetas beat nada conhecidos, a verdade era que Rufus nunca foi
realmente publicado.
- E voc no vai acreditar... - continuou Rufus, mas depois a voz sumiu. Dan ouviu a
descarga ao fundo. Tpico. Seu pai falava com ele enquanto estava na privada.
Dan tomou um gole do caf e voltou a andar, atravessando a Broadway e seguindo pela 77.
Ia se atrasar para a aula de qumica se no se apressasse. No que isso fosse uma coisa
ruim.
- Pai? Ainda est a? - perguntou ele.
- Pera, garoto - respondeu Rufus distrado.  Estou com as mos ocupadas.
Dan podia imaginar seu pai enxugando as mos na toalha vermelha puda pendurada atrs
da porta do banheiro e depois tirando o exemplar enrolado da New Yorker de sob o brao
cabeludo para ler o poema de Dan novamente.
- Os sub-reitores da admisso da Brown e da Columbia acabaram de me dizer o prodgio que
voc  - explicou Rufus. Parecia que sua boca estava cheia de alguma coisa e Dan pode ouvir
a gua correndo. Estaria escovando os dentes?  Ficaram todos babando, os grandes
calhordas.
- Brown e Columbia?  mesmo? - repetiu Dan, sem acreditar. Diante dele, na calada, as
fachadas das lojas e os pedestres de repente viraram um borro em cmera lenta, uma
massa ocenica. - Tem certeza de que eram eles? Columbia e Brown?
- A mesma certeza que tenho de que meu mijo e amarelo - respondeu Rufus alegremente.
Em geral Dan estranharia a grosseria do pai, mas agora estava preocupado demais com o
prprio sucesso. Talvez ser um poeta publicado no fosse assim to ruim.
 frente dele assomavam as portas de metal preto da entrada da escola de elite Riverside
Prep.
- Ei, pai, tenho de ir para a aula, mas obrigado por ligar. Obrigado por tudo - falou
entusiasmado, com um sbito afeto pelo velho pai belicoso.
- Est tudo bem, garoto. Mas no deixe que isso suba a cabea - brincou Rufus, incapaz de
esconder o orgulho na voz rouca. - Lembre-se, os poetas so humildes.
- Vou me lembrar - prometeu Dan com sinceridade.
- Obrigado de novo, pai.
Ele desligou e abriu as portas da escola, acenando para Aggie, o recepcionista idoso que
usava uma peruca diferente a cada dia da semana, como ele assinalou. O celular bipou e
ele percebeu que tinha perdido uma ligao enquanto falava com o pai. Os celulares eram
proibidos durante as aulas, mas o primeiro perodo j havia comeado e os corredores
estavam vazios. Arrastando-se pela escada de concreto a caminho do laboratrio de qumica,
ele ligou para a caixa postal.
"Daniel Humphrey, aqui  Rusty Klein, da Klein, Lowenstein & Schutt. Li seu poema na New
Yorker e, pressupondo-se que voc ainda no tenha um agente, vou represent-lo. Coloquei
voc na lista de convidados para o Better Than Naked da quinta  noite. Vamos conversar l.
Voc pode no saber ainda, mas  material quente, Daniel. O pblico precisa de um poeta
jovem e srio para fazer com que se sintam inteis e superficiais.
E, agora que conseguimos sua ateno, vamos fazer o diabo para que o mpeto no se
perca. Voc  o Keats do futuro e vamos te deixar famoso com tanta rapidez que voc vai
pensar que j nasceu assim. Aguarde. Ciao!"
Dan cambaleou do lado de fora do laboratrio de qumica enquanto ouvia o recado alto e
esbaforido de Rusty Klein pela segunda vez. Tinha ouvido falar em Rusty Klein. A agente que
negociou o acordo editorial de um milho de dlares para o escocs engraadinho que
afirmou ser filho ilegtimo do prncipe Charles. Dan tinha lido sobre isso no New York Post.
Ele no tinha idia do que era o Better Than Naked, mas foi muito legal da parte de Rusty
coloc-lo na lista de convidados, porque eles ainda no se conheciam. Ele tambm adorou
ser chamado de o Keats do futuro. Keats era uma de suas maiores influncias, e se Rusty
Klein podia reconhecer isso depois de ler apenas um de seus poemas, Dan definitivamente
queria que ela o representasse.
Enfiando o celular na bolsa novamente, ele pegou o exemplar da New Yorker de novo. Desta
vez virou na pgina de colaboradores, lendo sua curta biografia antes de se voltar para o
poema na pgina 42. Leu o poema do comeo ao fim, no mais envergonhado de ver seu
trabalho impresso. Rusty Klein achava que ele era bom - Rusty Klein !Ento talvez fosse
verdade.
Talvez ele fosse mesmo bo. Esticou a cabea e espiou pela janelinha da porta do laboratrio
de qumica, vendo a fila de cabeas de meninos, todas alinhadas como peas de xadrez
diante do quadro-negro. De repente a escola parecia to banal. Ele estava vivendo coisas
incrivelmente maiores e infinitamente melhores!
De repente, a porta do laboratrio se abriu e o baixinho bisonho do Sr. Schindledecker
apareceu olhando para Dan, usando um terno trespassado feio e puxando o bigode castanho
de arame.
- Pretende se juntar a ns, Sr. Humphrey, ou vai ficar aqui e assistir atravs da janela?
Dan enrolou o exemplar da New Yorker e o enfiou debaixo do brao.
- Gostaria de me juntar a vocs - respondeu ele, entrando no laboratrio e andando
calmamente para uma carteira nos fundos da sala. Que coisa estranha. Dan nunca fazia
nada com calma, e mal reconheceu a voz quando acabou de falar, com um tom de
petulncia, como se alguma coisa nova dentro dele tivesse florescido e estivesse pronta para
se libertar.
Era como aquele verso de um poema de Keats, "Por que Eu Ri Esta Noite?" Verso, Fama e
Beleza so deveras intensos...
E Dan definitivamente sentia isso.




a novidade no alpendre

- Vamos l fora fumar um cigarro - cochichou Elise no ouvido de Jenny enquanto as duas iam
para o refeitrio na hora do recreio, o intervalo das onze da manha para suco e biscoitos da
Constance Billard. S as alunas do terceiro ano no segundo semestre podiam sair da escola
durante o recreio, ento ela estava muito claramente propondo uma coisa totalmente ilegal.
Jenny parou na escada.
- Eu no sabia que voc fumava.
Elise abriu o fecho do bolso externo da mochila bege Kenneth Cole e puxou um mao de
Malrboro Lights meio para fora.
- S de vez em quando - respondeu ela, empurrando o mao de volta para o caso de algum
professor aparecer na escada. - Voc vem?
Jenny hesitou. Se a recepcionista percebesse as duas saindo, podia gritar e depois chamar a
professora ou ate os pais.
- Como...?
- E s sair - instou Elise, pegando a mo de Jenny. Ela comeou a correr pela escada,
puxando Jenny atrs de si.-Anda, anda, anda!
Jenny prendeu a respirao enquanto seguia Elise escada abaixo e disparava pela recepo
acarpetada de vermelho em direo s portas da frente. Trina, a recepcionista da
escola,vociferava no headset e separava a correspondncia ao mesmo tempo. Nem percebeu
as duas calouras passando como um raio, sem parar para registrar a sada.

Blair se sentou sozinha no alpendre da rua 94 Leste preferido das meninas do terceiro ano
da Constance Billard, fumando furiosamente um Merit Ultra Light e repassando as
perguntas da entrevista para a universidade que tinha preparado para responder em
outubro. S havia dois dias at ser entrevistada por Owen Wells, e ela se recusava
totalmente a ferrar esta tambm.

Fale-me de seus interesses. Em que tipo de coisas voc se envolve depois da escola?
Sou presidente do clube de francs e do conselho de servios sociais da escola. Tambm sou
Lder de um grupo de discusso, aconselhando calouras sobre questes sociais. Estou no
ranking nacional de tnis - eu jogo todo vero, mas s duas vezes por semana durante o
inverno.
Trabalho como voluntria no sopo dos pobres sempre que posso. Tambm presido os
comits organizadores de umas oito funes de caridade por ano. amos dar um baile de Dia
dos Namorados no domingo em benefcio da Little Hearts, uma organizao filantrpica para
crianas com problemas cardacos, mas o baile foi cancelado por causa da Fashion Week.
Ficamos preocupadas que ningum fosse. Mandei uma carta a todos da lista de convidados e
ainda levantei quase 300 mil dlares.
O levantamento de fundos sempre foi um de meus pontos fortes,e eu definitivamente
pretendo oferecer meus servios a Yale.

Blair s podia imaginar os olhos de Wells se arregalando, impressionado e surpreso. Como
Yale podia no aceit-la? Ela era de primeira classe.
Uma mentirosa de primeira classe, isso sim. A histria do sopo dos pobres  totalmente
falsa, e ela meio que pulou a parte sobre outras sete pessoas que ajudaram a levantar o
dinheiro para a Little Hearts.
- Oi, Blair!
Serena andava pela calada em direo a ela, usando meias arrasto pretas com um buraco
em um joelho, os cabelos louros luminosos puxados num coque meio embolado. Para
algumas meninas, este seria um exemplo de falta de classe, mas para Serena era um
exemplo de posso-sair-assim-porque-fico-bem-de-qualquer-jeito. Um txi passou pela rua e
o motorista assoviou da janela e buzinou enquanto passava. Serena estava to acostumada
com o som de homens assoviando e carros buzinando que no se incomodou em se virar
para ver.
Ela se sentou ao lado de Blair e pegou um mao turquesa amassado de American Spirits do
bolso. Comeou a fumar estes quando ela e Aaron ficaram juntos, porque deviam ser
totalmente naturais e sem aditivos.
Como se houvesse uma grande diferena entre monxido de carbono totalmente natural e
monxido de carbono falso. Cai na real.
- Ainda no acredito em como voc ficou cool- disse Serena esbaforida, admirando o corte
de cabelo de Blair enquanto acendia o cigarro. - Quem diria que voc ia ficar to gostosa de
cabelo curto.
Blair tocou a cabea constrangida. Pensou que devia ficar irritada com Serena, mas agora
nem conseguia se lembrar por qu. Seu corte de cabelo era mesmo de gata.
A bajulao pode fazer maravilhas.
- E a, andei tentando pensar em um bom presente para o Aaron, sabe como , como
parabns por ele ter entrado para Harvard. Sabe de alguma coisa que ele realmente queira,
ou talvez uma coisa de que ele precise?
Agora Blair se lembrou por que estava irritada com Serena. Aaron, Aaron, Aaron. Era to
chato que dava nuseas.
Na verdade no - bocejou ela em resposta.  Uma plstica?
- Muito engraado - respondeu Serena. - Ei, a gente no conhece aquelas meninas?
Do outro lado da rua, Jenny e Elise andavam daquele jeito envergonhado, esbarrando uma
na outra, que as garotas de 14 anos tem quando se aproximam de pessoas com quem tem
vergonha de falar.
Por fim as duas vieram tropeando pelo outro lado da rua.
- Trouxemos nossos cigarros - anunciou Jenny com o Maximo de indiferena que pode, ainda
apavorada por ter fugido da escola.
Elise tirou um mao de Malrboro da mochila, mas, antes que pudesse oferecer um a Jenny,
Serena jogou o mao de American Spirits para ela.
- Joga isso fora. Estes aqui so muito melhores pra voc.
Elise assentiu com seriedade.
- Obrigada. - Ela tirou dois cigarros do mao e os colocou entre os lbios. Depois acendeu o
isqueiro Bic verde hortel, puxando os dois simultaneamente antes de passar um a Jenny.
Jenny pegou-o hesitante. Depois que Nate terminou o namoro, ela tentou continuar fumando
como parte da nova imagem de mulher vivida, mas o cigarro deixava sua garganta to
irritada que ela teve de largar depois de alguns dias.
- E a, j viu seu e-mail hoje? - perguntou Blair a ela, erguendo uma sobrancelha recm-
tirada de um jeito misterioso.
Jenny tossiu uma lufada de fumaa.
- Meu e-mail?
Blair sorriu afetada para si mesma. Embora aquele louro na Bendel's parecesse meio mongo,
ele e Jenny fariam um casal bem bonitinho. O varapau e a lindinha peituda.
- Deixa pra l - respondeu ela ainda mais misteriosamente. - S v se verifica regularmente
a partir de agora.
 claro que Jenny queria voltar correndo para a escola para ver o e-mail, mas no podia
abandonar Elise, especialmente agora, quando duas meninas mais velhas estavam vindo
para o alpendre para participar da festinha de cigarro.
- A porra do meu p est me matando nestas botas. Parecem aqueles enfaixamentos de p
japoneses. - Kati Farkas se atirou ao lado de Blair e abriu o zper das botas azul-pavo
Charles Jourdan at os tornozelos.
- Chega de reclamar de botas - queixou-se a amiga quase xiffaga de Kati, Isabel Coates.
Isabel se apoiou na grade de metal do alpendre e tomou um gole de chocolate quente com
creme de um copo de papelo. Estava usando um casaco Dolce & Gabbana verde de uma
venda previa de fim de semana. No tinha botes e era amarrado na cintura com uma corda
verde grossa, como o hbito verde de um monge.
No surpreende que isso no voltasse a ser vendido em outubro.
- Talvez, se voc tivesse usado uma faixa de p japonesa, essas botas no machucassem
tanto - continuou Isabel. -Ou se voc deixasse que eu comprasse, em vez de voc, porque
fui eu que vi primeiro.
- Chins. -Jenny no conseguiu deixar de corrigir. -Eram os chineses que costumavam
amarrar os ps das mulheres.
Kati e Isabel a encararam confusas.
- Voc no devia estar na escola? - perguntou Isabel.
- Elas esto fumando com a gente - disse Blair, de um jeito protetor. Era meio divertido ter
duas irmzinhas do primeiro ano. No que ela quisesse ter uma irm menor de verdade nem
nada disso.
Kati fingiu no perceber que Blair estava sendo legal com aquelas duas garotinhas cheias de
ranho no nariz e atirou os braos em volta do pescoo de Blair, beijando-a em cada
bochecha maquiada com p Stila.
Mu! Mu!
- Nem acredito que eu no disse nada, mas seu cabelo est totalmente lindo. Eu adorei,
adorei, adorei!  guinchou ela. - Voc foi to corajosa. Eu soube que grudou chiclete
nele. Foi por isso que decidiu cortar to curto?
- Posso pegar? - perguntou Isabel. Ela baixou o chocolate quente e estendeu a mo para
passar atrs da cabea de Blair. - Parece to estranho! Como de um garoto!
Blair de repente queria ter vindo com um chapu ou algum tipo de turbante para a escola.
Largou o cigarro no degrau e o esmagou com o bico pontudo da bota.
- Vamos, meninas - acenou ela, erguendo-se e dando as mos enluvadas a Jenny e Elise
como Mary Poppins pegando as crianas no parque. - Vamos voltar para a escola.
Jenny e Elise atiraram os cigarros nos arbustos na frente da casa vizinha de arenito e se
levantaram, passando a ala da bolsa nos ombros. Agora que haviam tentado fumar cigarros
com as veteranas em um alpendre congelante, elas no tinham muita certeza se isso era
atraente.
- Acha que meu cabelo ficaria melhor curto assim? -perguntou Elise, correndo para
acompanhar Blair.
Qualquer coisa teria sido uma evoluo no cabelo tipo meu-primeiro-corte que Elise exibia,
mas Blair no teve coragem nem energia para dizer a ela.
- Vou te dar o numero do meu cabeleireiro  ofereceu ela generosamente.
Quando viraram na 93 Leste, Mary, Vicky e Cassie irromperam pelas portas e acenaram para
elas.
- Vimos vocs sarem no recreio!
- Viemos pegar vocs!
- No queremos que se ferrem!
Blair colocou os braos em volta de Jenny e Elise e as guiou para as portas da escola, ciente
do fato de que as trs meninas s estavam sendo detestavelmente xeretas.
- Estamos bem - disse Blair a elas com frieza.  Vocs no deviam estar na aula?
Mary, Vicky e Cassie olharam-nas numa descrena ofendida. Elas eram to mais cool do que
Jenny e Elise. O que tinham de fazer para provar isso?
Serena continuou no alpendre gelado, no exatamente emocionada por ter ficado sozinha
com Kati e Isabel. Ela examinou as pontas do cabelo, tentando pensar no presente perfeito
voce-entrou-na-faculdade! para Aaron enquanto Kati e Isabel esperavam ansiosas pelo furo
de notcia sobre o cabelo de Blair.
- Ela tem piolho ou coisa assim?
- Ouvi dizer que ela teve uma crise manaco-depressiva e retalhou o cabelo com uma tesoura
de unha. Teve de ir ao salo para consertar.
- Eu acho que ficou cool- respondeu Serena sonhadoramente.
Kati e Isabel olharam para ela decepcionadas. Se Serena no ia soltar nada, elas teriam de
inventar alguma coisa.
- Vamos falar com franqueza, isso  muito mais divertido.



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                                         oi, gente !


A CRISE PREMATURA DE MEIA-IDADE MASCULINA

O que so aquelas luzes de C? Claro, elas meio que combinam com as camisas apertadas em
tom pastel e os tnis Prada laranja, mas desde quando ele era to... outr? Eu tambm
soube que ele foi visto na segunda  noite danando em um novo clube privativo no
Greenwich Village chamado Bubble, uma espcie de ambiente s para homens, se posso me
fazer entender.
Ser que depois de ter chegado em todas as mulheres da cidade ele passou para os
homens?

Outro garoto que me preocupa  N, meu favorito. Sim ele ainda  o gostoso de sempre e,
sim, eu daria minha bolsa Herms Birkin para ser a princesa dos contos de fada dele. Eu s
quero que ele pare de zanzar pela Quinta Avenida tomando goles furtivos daquela garrafinha
de prata que ele guarda no bolso, parecendo um trapo nervoso. Se precisa segurar a mo de
algum, ele sabe onde encontrar a minha.
Mas a maior transformao de todas  a do magrela esmolambado do D. Se voc no o viu
desde esta manh, estas so as ltimas notcias: ele cortou o cabelo!  definitivamente
trabalho do velho barbeiro da Broadway com 88 Oeste, mas aqueles doces olhos castanhos
agora esto bem visveis, o que  definitivamente uma evoluo, e parece haver umas
costeletas meio sensuais de literato aparecendo tambm. Est quase l!

SAINDO COM AS GAROTAS IMPORTANTES

 extremamente lisonjeiro ficar debaixo da asa de uma garota mais velha e ter um vislumbre
do lado da vida somos-to-cool-que-nem-temos-de-pensar-em-tentar. Mas no se anime
demais, achando que a garota mais velha vai comear a te convidar para ir ao cinema. Ela
no vai. E assim que ela estiver ocupada demais com cursos avanados, festas e compras de
sapatos, ou o que quer que a garota mais velha faa no tempo livre, ela vai esquecer todos
aqueles momentos bacaninhas que vocs passaram juntas. Ela pode at esquecer seu nome.
 claro que eu posso estar totalmente errada. Talvez vocs fiquem amigas para a vida toda e
uma coloque a outra no country club de Connecticut quando estiverem casadas e com filhos.
Ou no. No diga que eu no avisei.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Eu posso ter entendido mal o que estava rolando, mas tenho certeza absoluta de que vi A da
Bronxdale com aquela outra garota da nossa turma, e ele estava todo assim, "Eu sou o cara,
entrei pra Harvard", e ela era toda, "Voc  to gato. Eu quero voc". Hmmm, ele no tem
namorada?
-V.P.C.

R: Cara V.P.C
O que significa V.P.C., alis? Ver pra crer? Vazia pra caramba? Vai pro cacete? Se o que voc
disse  verdade, eu estou T.P.C.L.  triste por uma certa loura.
- GG

P: Cara Ggirl,
Eu soube que B foi pega tomando drogas na escola e agora ela tem de prestar servio
comunitrio escondida. Ela vai para a reabilitao tambm, e foi por isso que ela cortou o
cabelo todo. Eles fazem isso, tipo assim, na priso.
- Daisy

R: Cara Daisy,
Isso parece um especial vagabundo feito para a televiso. Eu no acredito nisso, e voc?
- GG

Epa. Estou atrasada para minha sesso de bronzeamento artificial na Bliss   a nica
maneira de continuar sorrindo at o vero!


                                  Pra voc que me ama,
                                        gossip girl


n compra uma trouxinha

Na tera depois da aula, Nate vagava pelo Central Park para dar uma olhada nos traficantes
no Sheep Meadow. Tinha passado 24 horas sem ficar chapado e, em vez de se sentir
saudvel e cheio de energia, estava de saco cheio de sua cabea sem
drogas. As aulas na escola pareceram duas vezes mais longas e at as piadinhas idiotas de
peido de Jeremy Scott Tompkinson mal o fizeram abrir um sorriso.
O sol de fim de tarde estava baixo no cu, dando um brilho dourado sinistro a grama
marrom congelada na campina. Dois caras atarracados usando camiseta preta com a palavra
Staff impressa nas costas passavam uma bola de futebol entre eles,
e uma mulher minscula usando Chanel vermelho e uma estola de pele de raposa andava
com seu bichon fris recm cuidado. Como sempre, os traficantes estavam todos sentados
em bancos no permetro da campina, ouvindo WFAN nos discmans ou lendo o Daily News.
Nate viu um cara ruivo conhecido vestido com um abrigo cinza-claro com tnis Puma cinza e
branco combinando, culos de sol cinza e uma boina preta e felpuda.
- Ei, Mitchell! - gritou Nate deliciado. Droga, era bom v-lo. Mitchell ergueu a mo saudando
Nate enquanto ele se aproximava. - Achei que estava em Amsterd, cara.
Mitchell sacudiu a cabea devagar.
- Ainda no.
- Andei procurando por voc. Eu quase ia comprar um daqueles mans. Esta levando um a,
n? - perguntou Nate. Mitchell assentiu e se levantou. Eles comearam a andar
pelo caminho juntos, como dois amigos dando um passeio no parque. Nate tirou uma nota
de cem dlares dobrada do bolso do casaco e segurou na mo fechada, pronto para pass-la
para a mo de Mitchell assim que ele passasse a mercadoria.
- Recebi um novo carregamento do Peru - disse Mitchell, puxando um saco plstico de
maconha do bolso e passando discretamente a Nate.
Se voc por acaso estivesse no parque olhando os dois, podia ter pensado que estavam
dividindo um lanche ou coisa assim. Quer dizer, se voc fosse um ingnuo total.
- Valeu, cara. - Nate passou para ele a nota de cem e enfiou o saco plstico no bolso do
casaco, respirando fundo e soltando a respirao. Que pssimo que nao tivesse com ele
nenhum papel para enrolar um dos gordos bem aqui. - E a - disse ele, pensando se seria
polido ter uma conversa educada com Mitchell antes de cair fora. - Ainda vai se mudar pra
Amsterd, ou o que?
Mitchell parou de andar e abriu o casaco Puma.
- No. Vou ficar aqui por um tempinho. - Ele levantou a camiseta trmica cinza para mostrar
o peito nu e sardento. Tinha fios colados nele.
Nate tinha visto Law & Order muitas vezes para saber o que significavam aqueles fios. A
paisagem gelada pareceu se fechar  sua frente e ele cambaleou para trs. Ser que perdeu
a conscincia, ou coisa assim? Ou era tudo um pesadelo?
Mitchell largou a camiseta e fechou o zper do casaco de novo. Deu um passo na direo de
Nate, como se estivesse preocupado que Nate tentasse fugir.
- Desculpa, garoto. Ele me pegaram. Estou trabalhando para os homens agora. - Ele apontou
com a cabea para os bancos atrs deles. - Aqueles "mans" no banco so todos tiras, ta
ligado, ento nem pense em correr. Voc e eu vamos esperar aqui at que eu de o sinal. E
depois um deles vai te levar at a delegacia da Amsterdam. Amsterdam... que ironia, n?
Nate sabia que Mitchell estava tentando faz-lo sorrir para no se sentir to mal por
entreg-lo.
- Ta legal- disse Nate inexpressivamente. Como foi que isso aconteceu? Ele nunca tinha sido
enganado e era uma sensao bem horrorosa. Ele largou o saco de maconha no cho e
chutou para longe. - Merda - praguejou entre dentes.
Mitchell pegou o saco e colocou a mo no ombro de Nate. Ergueu a mo livre no ar e acenou
para os tiras no banco. Dois caras se levantaram e correram. Nem pareciam tiras. Um deles
usava jeans preto Club Monaco e o outro vestia um gorro vermelho idiota com pompom.
Mostraram os distintivos a Nate.
- No vamos bater em voc - explicou o Club Monaco.
- Voc  menor, no ?
Nate assentiu carrancudo, evitando 0 olhar do policial. Ele s faria 18 anos em abril.
- Quando chegarmos na delegacia, vai poder ligar para seus pais. Tenho certeza de que vo
ficar emocionados, pensou Nate com amargura.
Do outro lado da campina, os dois caras que jogavam futebol e a velha com o cachorrinho
branco se reuniram, vendo Nate ser pego como se fosse o primeiro episdio de algum reality
show da moda.
- Estar livre em algumas horas - disse o tira do pompom, escrevendo alguma coisa em um
bloco. Nate percebeu que o policial usava brincos de argola dourados e que era uma mulher,
apesar dos ombros largos e das mos de dedos grossos.
- Vo te multar e provavelmente te mandar para a reabilitao.
Mitchell continuava com a mo no ombro de Nate, como que para dar apoio moral.
- Voc tem sorte - acrescentou ele.
Nate ficou de cabea baixa, esperando que nenhum conhecido o visse. Ele no se sentia com
sorte.




apresentamos o novo d

Na tera  tarde, Vanessa ficou parada na frente da Riverside Prep, filmando os restos
congelados de uma carcaa de pombo e pensando em sexo enquanto esperava que Dan
aparecesse. Dan tinha deixado um recado na recepo da Constance Billard para que ela se
encontrasse com ele depois da aula. Urgente. Me encontre aqui s quatro, dizia. Mas que
anormal, pensou Vanessa, com amor. O que podia ser to urgente? Provavelmente
ele s estava tendo um ataque de parania porque o poema dele tinha sado na New Yorker
hoje. Ou isso ou ele estava se sentindo extremamente excitado e no podia esperar
para transar de novo. Antes mesmo de tomar um banho de manh, Vanessa tinha descido a
escada e com prado seis exemplares da New Yorker na banca da esquina. Desse modo
sempre teria um exemplar sobrando para esfregar na cara de Dan quando ele se sentisse
especialmente inadequado.
Quando ela pensou bem no assunto, ela e que devia ficar fora de si. O poema era sobre um
cara que se sente inseguro em relao a uma mulher, particularmente a namorada
dominadora. As pessoas que os conheciam iam pensar que Vanessa era uma tirana total.
Mas o ltimo verso era to doce e sensual que ela no podia reclamar.
Toma conta de mim. Me toma. Toma conta. Me toma.
Ler isso fazia com que ela quisesse rasgar toda a roupa e pular em cima dele.
Delicadamente,  claro.
Nesse exato momento Dan surgiu pelas portas dos fundos da Riverside Prep. Agitou o
exemplar amarrotado da New Yorker para Vanessa e galopou para ela com os Pumas
brancos pudos e cadaro azul-marinho, plantando um beijo sentimental e molhado na boca
de Vanessa.
- Este foi o melhor dia da minha vida!  trombeteou ele. - Eu te amo!
- No precisa ser romntico para me fazer tirar a roupa de novo - riu Vanessa e o beijou
novamente. - Estou sempre disponvel. E, a propsito, eu te amo tambm.
- Legal. - Dan sorriu abobalhado para ela.
Vanessa no conseguia acreditar que este era o mesmo velho Dan que ela vira ontem. Ainda
era magro, branco e super cafeinado, mas os olhos castanhos brilhavam e havia vestgios de
covinhas de sorriso em seu rosto geralmente plido. Pera um minutinho. Desde quando ela
realmente podia ver os olhos dele?
- Uau, voc cortou o cabelo - observou ela, recuando para ver melhor.
Dan tinha pedido ao barbeiro para cortar o cabelo curto com costeletas compridas,
imaginando que as costeletas evitariam que ficasse parecido com todos os babacas
mauricinhos da turma dele. Ele passou a mo na cabea, meio constrangido.
Era estranho, mas de certa forma mais limpo do que antes, mais ... homogneo. E isso era
exatamente o que ele que ria - ser avaliado por seu trabalho, e no pelos cabelos.
Se  o que voc diz, Homem-costeleta.
Vanessa ps as mos nos quadris sobre a parca preta. Alguma coisa no cabelo de Dan era
to premeditada, como se ele realmente quisesse ter um visual bomio e meio artstico, em
vez de ter tropeado nele por acaso.
-  diferente - refletiu Vanessa, j se sentindo meio nostlgica do antigo cabelo desgrenhado
de Dan. -Acho que vou me acostumar com ele.
Atrs deles, um grupo de garotos do primeiro ano saiu pelas portas da escola cantando
"Hello Dolly" a plenos pulmes. Tinham acabado de sair da aula de musica e ainda eram
novos e inocentes demais para perceber como aquilo parecia gay.

Hello, Dolly! Well, hel-lo, Dolly!
It's so nice to have you back where you belong!

Dan pegou um mao de Camel sem filtro da bolsa preta de carteiro, tirou um e enfiou entre
os lbios. Os dedos tremiam como loucos quando acendeu. Bem, pelo menos isso
no tinha mudado. Ele ofereceu o mao a Vanessa.
- Quer um?
Vanessa o encarou e riu de descrena.
- Desde quando eu fumo?
Dan exalou no ar acima da cabea dela e revirou os olhos.
- Desculpe. No sei por que fiz isso. - Enfiou o mao de volta na bolsa e pegou os dedos
enregelados de Vanessa. - Vamos. Vamos andar por a. Tenho uma coisa importante pra te
contar.
Enquanto eles se afastavam, Zeke Freedman saiu da escola quicando uma bola de basquete
azul-non. Zeke era grandalho e desajeitado, mas era o astro do basquete da Riverside
Prep. Ele deixou o cabelo crespo crescer ate a altura dos ombros e exibia um novo casaco
cinza-ardsia de snowboarding. Zeke e Dan eram grandes amigos desde a segunda srie,
mas no andaram muito juntos nos ltimos meses porque Dan ficou preocupado com outras
coisas.
Quer dizer, mulheres e poesia.
Dan percebeu que nem sabia a que universidade Zeke tinha se candidatado. A distncia
entre eles era principalmente por culpa de Dan e ele se sentia mal com isso.
- E a, Zeke - gritou ele.
Zeke parou, o corpo pesado parecendo ainda maior do que o normal dentro da nova parca.
- E a, Dan - respondeu ele com um sorriso cauteloso, quicando a bola azul na calada
congelada. - E a, Vanessa.
- O que achou do cabelo novo do Dan?  perguntou Vanessa com um sorriso torto. - Faz
parte da nova imagem do Sr. Poeta Publicado.
- Ah, ? - Zeke no parecia saber do que Vanessa estava falando. Ele olhou para a rua,
quicando a bola com fora antes de segur-la na mo. - A gente se v.
- Tchau - gritou Dan, observando o velho amigo quicar a bola at o fim da rua.
- E a, qual e a grande novidade? - perguntou Vanessa quando comearam a andar para o
oeste, na rua 78.
O ar frio soprava as nuvens pelo cu cinzento. No quarteiro, atravs dos galhos das rvores
no Riverside Park, Dan teve um vislumbre do Hudson.
- Bem - comeou ele, fazendo suspense. - Hoje de manh aquela importante agente literria
Rusty Klein ligou para meu celular e me deixou um recado maluco. Ela acha que sou o Keats
do futuro e disse que tenho de manter o mpeto, agora que tenho a ateno do pblico.
- Uau. At eu ouvi falar dela! - respondeu Vanessa, impressionada.
- Mas o que isso significa?
Dan soprou fumaa no ar.
- Acho que significa que ela quer me representar.
Vanessa parou de andar. No tinha certeza para aonde estavam indo.
- Mas voc s escreveu um poema. O que ela vai fazer? No quero ser empata-foda, Dan,
mas voc precisa ter cuidado com gente assim, sabe? Ela pode estar tentando se aproveitar
de voc.
Dan parou de andar tambm. Virou para cima a gola do casaco de l preta da Marinha e
depois a virou para baixo de novo. Por que Vanessa estava sendo to pessimista? Tudo isso
era totalmente inesperado, mas era tambm extremamente legal.E no era que ele fosse
vender e comear a escrever anncios clichs para a Gap s porque tinha uma agente, se
era com isso que Vanessa se preocupava.
- Sei no. Acho que ela pode me ajudar com minha carreira. Talvez eu possa montar um
livro e ela pode conseguir public-lo ou coisa assim.
Vanessa soprou nas mos e depois esfregou as orelhas nuas e frias.
- D pra gente ir pra sua casa? Eu estou congelando a bunda aqui.  melhor a gente
trabalhar no filme tambm.
Dan atirou o cigarro no cho.
- Hmmm, na verdade eu estava pensando que podia voltar e ler todos os meus cadernos.
Sabe como e, ver se ter, uma ligao temtica em alguns poemas. Alguma coisa que eu
possa transformar em livro.
Vanessa estava a ponto de oferecer seus servios como leitora, mas parecia que Dan no
queria nenhuma ajuda.
- Tudo bem - disse ela com frieza. - Me liga, se precisar de alguma coisa.
Dan levantou a gola novamente e acendeu outro cigarro, experimentando o novo visual.
- Ah, pera Eu queria te perguntar uma coisa. Rusty Klein me convidou para uma coisa
chamada Better Than Naked. ''A Better Than Naked". Foi o que ela disse. Sabe se 
uma banda ou coisa assim?
Better Than Naked era uma grife de moda antimoda em que a irm mais velha de Vanessa,
Ruby, despejava todo o dinheiro. A maioria das roupas era como os trapos velhos de brechs
que tinham passado por uma frota de mquinas de limpeza, o que era totalmente
intencional. Um estilo muito urbano do tipo "fodam-se as tendncias".
-  a Fashion Week, que comea na quinta-feira  explicou Vanessa. - Parece que ela te
convidou para o desfile da Better Than Naked, que s conheo porque a Ruby  totalmente
doida pelas roupas deles e sempre v os desfiles no Metro Channel. Mas no sei por que a
Rusty Klein acha que voc iria. Desde quando voc liga pra roupa? E vai estar cheio de gente
afetada e baba-ovo de famosos ... Sabe como , toda aquela cena insossa da moda.
Dan parecia pensativo enquanto fumava o cigarro.
- Acho que vou dar uma olhada. - Ele no se importaria se Rusty Klein tivesse pedido para se
encontrar com ele em um ringue de luta romana. Tratava-se da formao de sua carreira de
escritor.
Filmar Dan no desfile da Better Than Naked teria sido um material perfeito para o filme, mas
Vanessa no queria se meter se Dan ia encontrar algum to importante como Rusty
Klein no desfile.
- T legal, Sr. Poeta da Hora de Merda. No se esquea dos velhos amigos quando estiver
circulando de limusine, bebendo champanha com modelos nuas e no sei mais o qu.
- Ela ergueu o brao e desarrumou o cabelo legal dele. -Meus parabns.
Dan deu um largo sorriso para ela.
-  to incrvel- concordou ele, feliz. Depois, com um ltimo beijo delicado, ele se virou e foi
pela Riverside Drive para casa, o logo prata iridescente do Puma piscando nos calcanhares
enquanto ele andava.
Vanessa sorriu ternamente para o passo saltado de Dan.
- A gente se v.




s acha o que estava procurando

- Estou procurando por um desses novos casacos de golfe masculinos moderninhos numa cor
chamativa da moda, tipo verde ou amarelo berrante - disse Serena a vendedora da loja
Les Best na tera depois da aula. Durante a aula de francs naquele dia, Serena se lembrou
de ter admirado os novos casacos masculinos Les Best na ultima edio da revista W e
concluiu que era o presente perfeito para Aaron. Ela nunca se cansava de dar presentes a
Aaron. Tudo o que comprava ficava supergracinha nele.
Era como vestir uma boneca, sua prpria boneca adorvel em tamanho natural, que tocava
guitarra e tinha entrado para Harvard.
A loja ficava na rua 14 Oeste, no distrito dos matadouros, onde as ruas cheiravam mesmo a
carcaas e esterco de todos os velhos depsitos de carne. Foi o suficiente para Les Best,
criador das roupas de lazer mais lindamente confeccionadas do mundo, pensar que a crueza
do bairro era cool e ele acabou abrindo uma loja ali. O espao era imenso e todo decorado
com musselina branca, com apenas um ou dois trajes de tnis ou casacos plo coloridos
pendurados em ganchos de ao gigantes presos nas paredes. A idia era que, a no ser que
voc realmente entendesse o bastante de roupas para pedir para ver mais, no tinha sentido
comprar ali.
- Lamento, mas os casacos de golfe esto em falta - respondeu a vendedora loura oxigenada
com um sotaque britnico.
Estava toda vestida de branco tambm. Ate os tnis eram de pele de pnei branca. - Meu
gerente pegou o ultimo para ele mesmo.
Serena examinou um lindo traje de tnis em seda listrada de vermelho e branco pendurado
em um gancho prximo.
- Droga - resmungou ela a meia voz. - Vi esse casaco nas revistas e achei que seria perfeito.
- Les Best era seu novo estilista favorito, mas talvez as roupas fossem meio alta costura
demais para Aaron. Ele fazia mais o modelito skatista. Ela ajeitou no ombro a bolsa de couro
dourado-escura Longchamp.
- Obrigada pela ajuda - disse ela, esperando ter sucesso na Xlarge, uma loja de skate na rua
Lafayette, antes que fechasse.
- Espere! - gritou algum.
Serena parou na soleira da porta e se virou. De onde falavam com ela?
Um cara bronzeado, de cabelo curto louro-claro e usando exatamente o casaco de golfe
verde berrante que ela esperava comprar para Aaron, segurava aberta a porta branca dos
fundos da loja. Ele sorriu enquanto se dirigia a ela.
- Espero que no se incomode com meu pedido.  Ele inclinou a cabea e deu uma olhada
em Serena. - Les me pediu para procurar uma "garota de verdade" para o desfile no Bryant
Park na quinta-feira. Eu s te vi de relance quando voc ia saindo, mas eu sei que voc 
perfeita. Vi sua foto nas colunas sociais. Voc e Serena, no?
Serena assentiu, sem se perturbar. Estava acostumada a ser reconhecida das fotos nas
colunas de fofoca. Ainda por cima, teve uma parte inominvel do corpo fotografada pelos
famosos irmos Remi em outubro. A foto foi usada no projeto de arte do Departamento de
Transito de Nova York e acabou sendo colada em toda a cidade.
- Est interessada? - perguntou o cara, erguendo as sobrancelhas tingidas de louro, cheio de
esperana. - Voc  exatamente o que estamos procurando.
Serena remexeu nos cordes dos protetores de orelha de seu gorro de cashemere branco.
Ela e Aaron pretendiam passar toda a noite de quinta juntos, bebendo na Soap do Lower
East Side, vendo TV at tarde no quarto dela e... namorando.
O que quer que isso significasse.
Sim, eu estou interessada, pensou Serena. Ela e Aaron podiam namorar em outra hora.
Tinham o resto da vida para namorar! Ser convidada para estar no desfile da Les Best
durante a Fashion Week de Nova York era uma oportunidade que s aparecia uma vez na
vida. No que ela quisesse fazer carreira de modelo, mas era a oportunidade que tinha de
mostrar a Les Best o quanto gostava das roupas dele. Alm disso, seria divertido. Aaron
entenderia isso. Na verdade, ele era um namorado to maravilhoso que provavelmente a
estimularia a fazer.
- Eu adoraria - respondeu Serena por fim. Ela franziu os lbios no muito cheios e no muito
finos e depois sorriu da prpria cretinice. - Mas s se eu ficar com o seu casaco.
Estava procurando exatamente esse para meu namorado e um passarinho me contou que
voc pegou o ltimo.
- Ah, meu Deus, total. - O louro tirou o casaco verde berrante e o dobrou como um
especialista. Na caixa registradora, ele embrulhou o casaco em papel de seda preto e o
colocou em uma elegante sacola LesBest. - Aqui est, querida. - Ele ofereceu a sacola a
Serena. - S usei por, tipo assim, uma hora. E  seu, grtis. E a,veremos voc na tenda do
Ls no Bryant Park na quinta s quatro da tarde, em ponto? Voc estar na lista e pode
convidar os amigos. Procure pelas garotas com pranchetas e fones de ouvido. Elas lhe diro
exatamente aonde ir.
Serena pegou a bolsa. Ponto!
- No preciso ser treinada para nada, nem praticar andar na passarela, ou coisa assim? -
perguntou ela, puxando a aba de cashmere branca sobre as orelhas.
O cara revirou os olhos de um jeito exagerado, do tipo no seja-boba.
- Meu bem, voc  natural. Confie em mim, voc fica tima, no importa o que faa.- Ele
deu o cartao a ela. Guy Reed, Chief d'Alfairs, Les Best Couture. - Se tiver alguma pergunta,
e s 1igar. - Ele deu um beijo rpido no rosto de Serena.
- Ei, que perfume  esse que est usando?
Serena sorriu. Estava acostumada a ouvir as pessoas perguntarem de seu perfume tambm.
- Eu mesma preparo - respondeu ela, plenamente consciente de que sua resposta era to
misteriosa quanto o aroma.
Guy fechou os olhos e inalou profundamente.
- Hmmm. De-li-ci-o-so. - Ele abriu os olhos novamente.
- Vou ter de falar com o Les sobre isso tambm. Ele est procurando um perfume para
assinar. - Guy estendeu a mo e brincou com os cordes do gorro de Serena com os
dedos bronzeados. - Vejo voc na quinta, gata. Mantenha-se aquecida. E, no se esquea, a
after-party e ainda melhor do que o desfile!
Serena mandou um beijo pelo ar e saiu para o frio. Mal podia esperar para dar o presente a
Aaron e contar as novidades.
Ele podia usar o casaco no desfile e depois eles podiam ir a after-party juntos, para que ela
pudesse exibi-lo.
Do lado de fora, bastou que erguesse a mo enluvada de cashmere para chamar um txi que
quatro pararam cantando pneu na rua 14 Oeste e buzinaram para ela.
V como  difcil ser bonita?




v abala o mundo das pessoas

Ruby estava tendo outro ataque de Martha Stewart e o aroma torturante de brownies recm-
assados flutuou para o quarto de Vanessa enquanto ela separava as colaboraes para a
Rancor, a revista de artes administrada pelas alunas da Constance Billard da qual ela era
editora-chefe. O calor safa dos radiadores fumegantes e o som de sirenes de ambulncia e
buzinas de carro chegava pelas duas janelas abertas. O cho de madeira
do quarto de Vanessa estava tomado das colaboraes habituais da Rancor: vinte fotos em
preto-e-branco de nuvens, ps, olhos ou o co da famlia; trs contos sobre aprender a
dirigir e sentir o impulso pela independncia apesar de a autora reconhecer os pais e tudo o
que fizeram por ela; e sete poemas que discutiam o significado da amizade.
Que tdio.
Depois do terceiro conto, Vanessa pegou o kit de depilao quente de Ruby no banheiro. A
depilao quente era uma forma extremamente confusa, totalmente natural e "quase
indolor" de retirar os plos das pernas. Voc cobria as pernas com o grude marrom
pegajoso, aplicava uma tira de pano branco e depois puxava a tira da perna, levando os
plos com ela.
Indolor? Ento t.
Vanessa chutou os leggings pretos no cho, colocou uma toalha de banho em cima da colcha
de retalhos preta e cinza de sua cama e se sentou nela. Espalhou a coisa melosa na batata
da perna branca e atarracada, sentindo-se um donut gigante caramelado. Em geral ela
cuidava muito pouco da aparncia, mas, se Dan ia sair com supermodelos, agentes e
estilistas de moda, ela achou que devia pelo menos fazer um esforo e dar um jeito nos
plos das pernas. Alm disso, a primavera estava chegando. Ela podia at pirar e exibir uma
minissaia.
- Porra! - gritou ela, puxando a primeira tira de tecido.
Quem teve a idia de que as mulheres deviam ser todas lisinhas e sem plos como os
bebs? O que diabos havia de errado em um pouco de plo? A maioria dos homens era
coberta deles.
Ela puxou outra tira. -Jesus! - Tudo bem, era oficialmente insano. A pele ficou to spera e
vermelha que ela no se surpreenderia em ver o sangue sair dos folculos pilosos.
O telefone tocou, ela o pegou e rosnou nele:
- Se  voc, Dan, quero que saiba que estou arrancando as porras dos pelos do meu corpo
com as mos nuas bem agora, e estou fazendo isso por voc, o que  tremendamente
potico, se quer saber!
- Al? Vanessa Abrams?  Ken Mogul, cineasta. Voc me mandou um filme sobre Nova York
h algumas semanas. A gente se conheceu no parque, na vspera de Ano-novo.
Vanessa se sentou reta e ajeitou o fone no ouvido. Ken Mogul era s, tipo assim, um dos
mais famosos diretores de cinema alternativo do mundo. Na poca do Natal, por acaso,
ele viu um trecho do trabalho de Vanessa na Web e ficou to impressionado que pegou um
avio na Califrnia para procur-la. O problema era que ele a conheceu exatamente  meia-
noite de Ano-novo, e foi exatamente nesse momenta que Dan apareceu para lhe dar um belo
beijo de rveillon. Nem preciso dizer que Vanessa meio que cagou para Ken Mogul, embora
tivesse feito o esforo de mandar o filme sobre Nova York para ele quando foi concludo.
- , eu me lembro - respondeu ela rapidamente, totalmente surpresa de o diretor querer
falar com ela de novo.
-E a?
- Bem, espero que no se importe, mas mostrei seu filme a Jedediah Angel, que  meu
amigo pessoal, e ele quer us-lo como fundo no desfile dele na Fashion Week deste fim de
semana.
Vanessa enrolou a toalha de banho preta nas pernas. Era meio constrangedor falar com Ken
Mogul quando estava praticamente nua e coberta de uma gororoba marrom melosa.
- Jeremiah o qu? - perguntou ela. Ken sempre parecia falarem hollywoods, e desta vez
Vanessa no tinha a menor idia do que ele estava dizendo.
- Jedediah Angel.  estilista de moda. A grife dele se chama Cult of Humanity by Jedediah
Angel. Faz muito sucesso.
Jed disse que voc e a Bertolucci do futuro. Seu filme  uma espcie de anti-La Dolce Vita.
Voc realmente abalou o mundo do cara.
Vanessa sorriu. Por que as pessoas tinham de ficar to bregas s porque eram bem-
sucedidas? Abalou o mundo do cara?
- timo - respondeu ela, sem ter certeza do que dizer. - H alguma coisa que eu precise
fazer?
- S aparea no desfile e curta.  claro que eu estarei l, e tem algumas pessoas que quero
que conhea. Voc j  uma deusa do cinema, querida. Est abalando totalmente.
- Legal- respondeu Vanessa, um tanto horrorizada de ele realmente ter dito que ela abalou
no uma vez, mas duas.
- E a, fala o nome da grife de novo.
- Cult of Humanity by Jedediah Angel - repetiu Ken lentamente. - Seis da tarde. Quinta, na
Highway 1.  um clube em Chelsea.
- Ouvi falar dele. - Era o tipo de lugar que Vanessa normalmente evitava como a uma praga.
- Acho que a gente se v por l.
- De-mais! -vibrou Ken. - Ciao!
Vanessa desligou o telefone e esfregou um montinho de pasta seca aucarada do pulso.
Depois pegou o telefone e discou o numero de Dan, sem sequer olhar o teclado.
- Al? -Jenny atendeu ao primeiro toque.
- Oi, Jennifer,  Vanessa. - Vanessa sempre chamava Jenny de Jennifer porque Jenny tinha
pedido a ela.
- Acho que o Dan no vai falar com voc. Ele nem falaria comigo; est trancado no quarto
desde que chegou em casa. E to tosco ... Tem fumaa de cigarro, tipo assim, vazando por
baixo da porta dele.
Vanessa riu e se jogou de costas nos travesseiros pretos. Tudo em seu quarto era preto,
exceto as paredes, que eram vermelho-escuras.
- Como sabe que ele no esta l colocando gel no cabelo? Fazendo a manuteno do novo
corte dele.
As duas meninas riram.
- Vou ver se ele atende. Pera.
- E a? - Dan pegou o fone um ou dois minutos depois. Parecia distrado. -Jenny disse que
era uma emergncia.
Vanessa ergueu a perna no ar e puxou outra tira de cera aucarada. Parecia estar colada
permanentemente na perna. E vem falar de emergncia!
- Achei que voc ia querer saber que Ken Mogul acaba de telefonar. Ele disse que um
estilista chamado Jedediah Angel, que tem uma grife chamada Culture of Humanitarianism
ou coisa parecida vai usar meu filme como fundo no desfile da quinta  noite. Ken disse que
eu realmente "abalei" o mundo de Jedediah Angel. No  hilrio?
- Isso  fantstico - respondeu Dan com sinceridade. - Srio. Meus parabns.
Fantstico? Desde quando Daniel Humphrey usava palavras como fantstico? Vanessa no
sabia o que dizer. Dan no tinha entendido o sarcasmo na voz dela. Era como se ela s
tivesse ligado para se vangloriar do sucesso.
- T legal- disse ela tranqilamente. - Eu s achei que voc ia querer saber. Vou te deixar
voltar ao trabalho agora.
- Ela pensou em soltar uma piada sobre como um dia, quando eles fossem ricos e famosos,
eles podiam comprar manses imensas e vizinhas em Beverly Hills. Mas ento achou melhor
no dizer nada. Dan provavelmente pensaria que ela estava falando a srio. - Me liga mais
tarde, se quiser, t?
- T - respondeu Dan, obviamente distrado com um novo poema qualquer em que estava
trabalhando.
Depois de desligar, Vanessa saiu da cama. Uma ponta da toalha preta estava colada na parte
de trs do joelho esquerdo. Ela cambaleou at o banheiro para tentar lavar a porcaria
melosa. Talvez um dia, quando fosse nojentamente rica e famosa, ela tivesse a prpria
equipe de depilao com cera e mel, mas agora tinha de se livrar do resto dos plos das
pernas a velha maneira - com uma lamina de plstico cor-de-rosa.




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                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                        oi, gente !



O CLUBE DA HORA

E aqui vai o que foi feito daquela patricinha pop loura falsa com peitos falsos e a barriga
sempre nua cujas msicas sempre esto na rdio quando voc acorda de manh e ficam na
sua cabea o dia todo, te deixando maluco. Vou cham-la de "Sally" aqui, para no ofender
nenhum dos fs que a veneram, mas tenho certeza de que voc sabe de quem estou
falando. Eu soube que ela teve um colapso nervoso e est na reabilitao em Palm Springs
desde ento. Ela gosta tanto de l que est comprando um rancho bem ao lado, reformando
tudo em tons de rosa, e o chama de Sallyland. Se tivermos sorte, ela ficar l para sempre,
escapulindo de l no final dos seus sessenta anos s para fazer espetculos de cabar
superproduzidos na Vegas Strip para provar que ainda pode fazer um bom playback apesar
da idade avanada e da cabea cheia de drogas.

E nossa atriz preferida de vinte e poucos anos que teve aquele probleminha com a lei  uma
coisa a ver com andar com sacolas de compras cheias de objetos que no pertenciam
exatamente a ela, retirados de uma conhecida loja de departamentos? Est em reabilitao
tambm, mas no se preocupem  a indstria do cinema encontrar um jeito de traz-la e
volta. Na verdade, isso  o que distingue as estrelas de verdade. Ns meio que queremos
v-las sempre. Queremos saber que h vida depois da priso. Queremos ver sua ascenso a
novas altitudes, enquanto no ligamos muito para o que acontece com a Sally. Aos 19, ela j
enjoou.

OS PRS E CONTRAS DA REABILITAO

No que diz respeito a status, reabilitao e universidade so mesmo muito parecidas. H as
poucas seletas, que esto cheias de celebridades e os filhos dos muito ricos, e h o resto
delas, que esto cheias de pessoas comuns. Entrar nas melhores  altamente competitivo,
mas depois que se entra, voc est por dentro. Ento, eu no me preocuparia com nosso
querido N. Ele pode estar encrencado, mas os pais dele no vo mand-lo par ao equivalente
na reabilitao de uma faculdade comunitria.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Sou estagiria da Les Best Couture e soube que Les mandou um espio para a escola de S
para ver como ela . Ele ficou meio irritado que ela fosse contratada sem que ele sequer a
visse.
- lilintern

R: Cara lil,
Aposto que ele no est mais irritado, no ?
- GG

P: querida gossip girl,
Por que voc nunca mais falou de K e I? Isso me faz pensar que talvez voc seja uma delas.
- eyespy

R: Cara eyespy,
No vou contar nunca, ento continue pensando!
- GG

Flagra

K e I  a , falei nelas  no Bryant Park, congelando a bunda em minissaias de brim
supercurtas Blue Cult enquanto tentavam conseguir que as estagirias que cuidavam das
portas das tendas do Fashin Week dessem a elas lugares na primeira ou na segunda fila para
os desfiles de quinta e sbado em vez dos lugares de sempre, mais para o fundo. B alugando
Como roubar um milho de dlares, com Audrey Hepburn, pela dcima stima vez na
Blockbuster da 72 com a Lex. Acho que  uma das maneiras de se preparar para uma
entrevista par Yale. N pela Merritt Parkway para Connecticut no banco traseiro do Mercedes
SUV dos pais. A caminho da reabilitao, talvez? V na Barneys, justamente l, olhando um
casaco de cnhamo preto pudo com costuras em cota de malha e fechos de gancho da Cult
of Humanity by Jedediah Angel. Parecia tentada, mas com aquele preo  melhor ela rasgar
as prprias roupas e prender os pedaos com clipes de papel.
Meu problema no  conseguir um lugar na primeira fila   a que desfile ir. Todos me
querem! Ai-ai. Ser famosa pode dar um trabalho danado.
                                   Pra voc que me ama,
                                         gossip girl




j e e exploram suas reas problemticas

- Mais cinco minutos, senhoras - anunciou a Srta. Crumb a turma de redao criativa do
primeiro ano da Constance Billard. Ela tirou o cabelo crespo preto do caminho e cutucou
a cera da orelha direita com a ponta de borracha de um lpis amarelo nmero dois. -
Lembrem-se, no  o sobre o que escrevem, mas como descrevem.
Nenhuma das meninas olhou para ela. Estavam ocupadas demais escrevendo e, alm disso,
elas realmente no queriam ver o que a Srta. Crumb fazia quando pensava que elas no
estavam olhando. J haviam visto o bastante das tosquices dela.
De acordo com as meninas, todas as professoras da Constance Billard eram lsbicas, mas a
Srta. Crumb era a nica professora da Constance oficialmente assumida. Ela ia a escola todo
dia com um broche de arco-ris, dividia uma casa de campo em New Paltz com cinco outras
mulheres e referia-se com freqncia a sua "parceira" - como em "Gutra noite minha
parceira estava bebendo Amstel Lite e vendo a Barbara Walters, por quem ela  louca, e eu
estava na cozinha corrigindo as provas de vocs". Todo ano as alunas do primeiro ano
ansiavam para ter o curso de redao criativa da Srta. Crumb, pressupondo
que ela era legal e p no cho por ser to franca com relao a sua sexualidade. Mas depois
de um dia de aula as alunas percebiam que no iam ficar sentadas 45 minutos falando de
assuntos de garotas com uma mulher que gostava de garotas - iam ter de escrever coisas
todo dia em aula, ler o que escreveram em voz alta e depois ouvir a Srta. Crumb e as
colegas criticarem de uma forma nada bacana o que tinham escrito. A Srta. Crumb era uma
durona das maiores, mas, pelo menos com relao  matria, redao criativa ainda era
muitssimo melhor do que geometria.
Hoje, a Srta. Crumb pediu as meninas para escolherem uma parceira - no sentido platnico -
e escreverem um pargrafo que descrevesse uma parte do corpo da colega. E claro que Elise
e Jenny formaram uma dupla. Estavam comeando a fazer quase tudo juntas.
 estranho a gente enfeitar as orelhas com brincos e no tentar cobri-las, escreveu Jenny.
Elas so to indecentes como as partes que cobrimos, uns buracos que vo direto para a
cabea. As orelhas da minha amiga Elise so pequenas, com um pelinho louro dentro delas.
Ela tem boa audio tambm, porque nunca diz "Hein?" nem pede que eu repita o que disse.
Acho que ela as mantm bem limpas.
Jenny olhou para cima e decidiu apagar a ltima frase e substitu-la por outra coisa. A Srta.
Crumb podia se ofender, uma vez que ela obviamente tinha uma espcie de fetiche por
limpar orelhas.
Mas, em vez de escrever outra coisa para colocar no lugar da limpeza da orelha, a mente de
Jenny voltou ao e-mail. Vinha verificando regularmente, como Blair dissera-lhe para
fazer; contudo, as nicas mensagens que recebia eram de engraadinhos como Elise e o
irmo, dizendo para ela parar de olhar o e-mail e voltar ao dever de casa. Ela olhou para
Elise, que estava escrevendo, j na segunda pagina. Jenny queria ter o jeito de Dan com a
palavra escrita. Ela era melhor em desenhos e pinturas detalhadas e em caligrafia. No alto
da pgina ela fez um desenho elaborado da orelha de Elise e da lateral do rosto, esperando
conseguir pontos por ser artstica, mesmo que a redao tenha sido uma porcaria. Sua
mente vagou de novo, para o louro que vira na Bendel's. Ele seria artstico
tambm?
A sineta tocou para marcar o fim do ltimo tempo e a Srta. Crumb se levantou e espanou o
giz do vestido de l preta que parecia ter sido feito por freiras em algum lugar frio e fora de
moda, tipo a Groelndia.
- Acabou o tempo, senhoras. Baixem os lpis. Podem entregar a redao quando sarem. -
Ela enfiou os ps com meias marrons em um par de tamancos pretos L. L. Bean. - Boa tarde
de quinta-feira!
- E a, sobre o que escreveu?-perguntou Jenny a Elise depois que elas guardaram os livros e
saram pelas portas da escola.
- No  da sua conta - respondeu Elise, corando.
- No pense que eu nunca vou descobrir. Provavelmente voc ter de ler em voz alta na
segunda - lembrou-lhe Jenny.
- Eu escrevi sobre suas orelhas, mas ficou meio chato.
As duas meninas baixaram a cabea contra o vento feroz de fevereiro e foram para a
Lexington pegar o nibus para a Bloomingdale's na rua 59. Elise tinha convocado Jenny para
ajud-la a encontrar um jeans perfeito por menos de oitenta dlares e, como sempre, Jenny
precisava de sutis novos, uma vez que estava sempre arrebentando o elstico ou rompendo
as alas dos que tinha.
A Bloomingdale's era uma zona de guerra brega de turistas exibindo os novos casacos e
tnis que tinham acabado de comprar na Nike Town, com bandos barulhentos de caadores
de pechinchas de cabelo azul, mas era o nico lugar a se ir para sutis exageradamente
grandes e jeans de preos moderados alem da Macy's, que era simplesmente tosca. Quem
tinha gosto melhor e um limite de crdito maior ia a Bergdorf's, Bendel's ou Barney's, mas,
para pessoas como Jenny e Elise, tinha de ser a Bloomingdale's.
- Nem acredito que voc vestiu essa e o tamanho  perfeito - disse Jenny com inveja ao ver
Elise experimentar o primeiro jeans Paris Blues na cabine de provas. Jenny mal tinha
um metro e meio de altura e era obrigada a encurtar tudo. Elise tinha um e oitenta, mas
encarava outros problemas, como o peito completamente achatado e a banha que
acolchoava os ossos dos quadris e a parte inferior das costas feito uma segunda bunda.
Elise esfregou a cara sardenta e olhou os pneus que insistiam em existir acima da cintura e
do jeans de cs baixo.
- T vendo por que no posso comer em pblico? - rosnou ela, chupando a barriga e
empurrando a cintura. O jeans tinha 9% de Lycra, mas no parecia fazer muita diferena.
Ela soltou o ar e a barriga, desistindo. - Tudo bem, vamos esquecer esta. Prxima cala.
Enquanto Elise se livrava lentamente da rejeitada, Jenny segurava um lindo jeans Seven
tingido de preto com boca larga que estava em liquidao e seria uma compra e tanto se
coubesse. Ela percebeu que Elise usava calcinha azul-clara de renda e rapidamente desviou
os olhos para que Elise no a acusasse de ficar olhando.
Elise pegou o jeans, enfiou os ps nele e puxou at os quadris.
- Ai, meu Deus. No acredito que esqueci de te contar isso - disse ela, espremendo a cintura
com fecho de boto. - Antes da aula de redao criativa, ouvi Kati Farkas e Isabel
Coates falando de Nate Archibald no banheiro da escola. Elas disseram que ele quase teve de
ir para a cadeia porque foi pego traficando com uns caras de vinte e poucos anos no parque.
O pai dele teve de ir ate a delegacia e tirar ele de l, mas ele ainda vai ter de fazer
reabilitao. Vocs no ficaram tipo juntos por um tempo? Voc sabia disso? No  uma
loucura?
Jenny no sabia, e no tinha muita certeza de como se sentia em relao a isso. Nate a
desprezara totalmente no fim, espantando-a como a uma mosca irritante, ento ela achava
que ele estava tendo o que merecia. Alem disso, Nate parecia o tipo de cara que sempre
chegaria ao topo de novo, ileso. Por que ela devia perder mais tempo se preocupando ou at
pensando nele? Ela viu Elise lutar com os botes de cobre do jeans. Ele estava perfeito em
todo o resto do corpo, mas a cintura era to apertada que no havia jeito de ela conseguir se
sentar vestindo aquilo.
- Por que no experimenta um tamanho maior?
Elise estreitou os olhos azuis de um jeito decidido. Ela fazia muito isso, o que levava Jenny a
se perguntar se Elise precisava de culos.
- Porque, Srta. Tamanho 34, eu visto 42, e no 44. Me passa outra, e v se para de olhar
pra minha gordura.
- No estou olhando - insistiu Jenny, passando-lhe um jeans Lei que era meio esmolambado
demais, com bainha esfiapada e bolsos furados, mas com uma cintura larga e baixa que
parecia que podia realmente cair bem nos quadris de Elise. - E ningum vai saber que
tamanho voc veste. Eu no vou contar. - Jenny imediatamente pensou em seu prprio
tamanho de roupas. Ela no pretendia convidar Elise para a cabine
de provas quando experimentasse sutis. Claro que elas estavam se tornando amigas
ntimas, mas era mesmo necessrio Elise saber que ela no era s tamanho G, mas GG?
Ainda assim, no precisava retribuir s porque Elise a convidara para ajudar a experimentar
jeans.
Elise torceu o nariz para o Lei.
- Tem um jeito fake demais.
- Mas o que  que voc quer fazer? - perguntou Jenny, atirando o jeans no banco no fundo
da estreita cabine de provas.
Elise abotoou o uniforme e passou os ps pela cala preta com um jeito afetado. Jenny ficou
assombrada ao ver como era a doce-e-legal-menininha-da-escola Elise quando a gente a
conhecia de verdade.
- Vou ficar com a Seven. Sei que no cabe agora, mas pretendo perder cinco quilos at o fim
do ano. E voc vai me ajudar.
Jenny assentiu. Ela tambm comprava coisas pequenas demais.
Sim,  chamado de compras aspiracionais. Toda garota com ambio faz isso.
As cabines de provas do departamento de lingerie eram sujas, apertadas e mal iluminadas.
De costas para Elise, Jenny tirou pela cabea o suter J. Crew azul com gola em V e o atirou
no banco do canto. Depois tirou a camiseta Gap branca e a largou no cho, cruzando os
braos sobre os peitos, constrangida.
- Qual deles quer experimentar primeiro?  perguntou Elise, separando os cabides plsticos
que Jenny tinha pegado as pressas, com a eficincia de uma executiva. - O preto
de renda com fecho moderninho ou o de algodo branco confortvel com tiras extralargas?
- S me passa o preto - murmurou Jenny, estendendo a mo nas costas para pegar o suti.
Ela soltou o feio suti Bali bege de supersustentao que estava usando e deixou-o cair
no cho, atrapalhando-se com o suti preto enquanto tentava manter a face interna dos
cotovelos apertada nas costelas para se cobrir. As alas do suti preto eram curtas e o fecho
era uma engenhoca esquisita de metal dourado em vez do gancho normal. Jenny olhou e viu
Elise observando-a pelo espelho. A cabine de provas tinha espelhos em trs lados, ento
Jenny na verdade no estava conseguindo nada virada de costas.
- Quer ajuda? - Elise deu um passo  frente.
As costas de Jenny ficaram rgidas. Podia muito bem esquecer o recato. Elise ia ver seus
peitos de qualquer jeito. Ento ela deixou os braos carem e se virou, totalmente de frente.
- Me ajuda a afrouxar as alas?- pediu ela, tentando parecer indiferente. Ela passou o suti a
Elise, os peitos pendurados como umas broas recm-sadas do forno. Tinha de
admitir que era meio libertador. Meio libertador e totalmente constrangedor.
Elise comeou a ajustar o suti, sem nem mesmo tentar esconder o fato de que estava
encarando os peitos de Jenny ao mesmo tempo.
- Uau. Eles so realmente grandes - observou ela. - Como  que voc e to pequenininha e
tem bobs to grandes?
Jenny ps as mos nos quadris e encarou Elise, tentando bolar uma resposta inteligente,
mas em vez disso desatou a rir.
- Bobs?
Elise corou e devolveu o suti a Jenny.
- Eu sempre chamei assim. Desde que era pequena.
Jenny passou as alas pelos braos e depois se virou.
- Voc consegue fechar? - Elise enganchou o fecho e Jenny se virou novamente. O suti
tinha um timo suporte, mas os peitos estavam apertados to juntos que a racha dos
peitos tinha uma lgua de profundidade. Elise ainda estava olhando.
- Acha que  piranhudo demais? - perguntou Jenny. Ela riu. - Quer dizer, este aqui meio que
deixa meus bobs ainda maiores.
Elise tinha parado de piscar, o que sempre fazia quando estava distrada.
- Sabe quando voc me perguntou sobre o que eu escrevi na aula de redao criativa? -
perguntou ela. Jenny assentiu e se virou para que Elise soltasse o suti. - Bem, foi sobre
isso que eu escrevi. Seus bobs.
As costas de Jenny ficaram rgidas de novo. Se um garoto lhe dissesse que tinha escrito
sobre seus peitos, voc saberia no ato que ele ou estava lhe dando mole ou era um
pervertido.
Mas como Elise era uma garota e amiga de Jenny, e1a no sabia bem como devia se sentir
com relao a isso.
- Acho que acabei - disse ela rapidamente. Pegou o velho suti do cho e o vestiu. - Vou
comprar o preto.
Elas levaram oito sutis para a cabine de provas, mas Jenny s experimentou um.
- Tem certeza de que no quer experimentar os outros? - perguntou Elise.
Jenny vestiu a camiseta e enfiou o suter pelo brao. De repente a minscula cabine de
provas ficou extremamente claustrofbica.
- No - respondeu ela, puxando a cortina preta e voltando ao salo principal do
departamento de lingerie, que,  claro, tinha sutis de uma parede a outra. Seria legal ir a
um lugar onde os peitos no fossem o principal foco da ateno de todos.
Tipo outro planeta?




b se sente atrada por um homem mais velho

- Gostaria de outra Coca, senhorita? - perguntou o garom de gravata-borboleta e rabo-de-
cavalo.
- No, obrigada - respondeu Blair, os olhos grudados na porta.
A semana toda sua mente s estava numa coisa: a entrevista com Owen Wells. Ela havia
feito alguma pesquisa na Internet, para poder fazer perguntas apropriadas sobre a
Wells, Trachtman & Rice, a firma de advocacia da qual ele era scio. Agora finalmente era
quinta-feira e ela estava sentada sozinha  mesa do canto do Leneman's Bar no Compton
Hotel, esperando por ele. O bar estava apinhado, principalmente de homens de meia-idade
em ternos feitos sob medida, discutindo negcios e bebendo usque com gelo, ou sentados
com louras oxigenadas que definitivamente no eram as esposas deles.
Com paredes douradas, toalhas de mesa branqussimas e jazz da dcada de 1940, O bar
tinha um ar de sofisticao sensual.
Blair passou quase trs horas se preparando: uma no banho e secando o cabelo num
penteado elegante e de patricinha que emoldurou o rosto de um jeito inocente, porm
intelectual; uma colocando o novo vestido Les Best com cinto, que ela combinou com
sapatos Ferragamo de salto 9, para dar um toque a mais de confiana e altura; e uma
aplicando maquiagem em tons naturais para o brilho fresco e saudvel de algum que
sempre dorme 12 horas porque nunca sai e nunca chega perto de um cigarro ou de uma
bebida.
Ento t.
Ainda faltavam 15 para as nove, mas, se bebesse mais Coca, ela ficaria com tanta vontade
de fazer xixi que nunca passaria pela entrevista sem se molhar. O que Blair realmente queria
era um gole de Stoli, mas, com a sorte que tinha, Owen Wells entraria pela porta no exato
momenta em que ela estivesse botando o gole para dentro, confirmando as preocupaes
dele de que ela realmente era uma rata de festa meio doida que s queria ir para Yale para
se embebedar e seduzir o capito da equipe de remo, possivelmente engravidando no
processo e obrigando o inocente e antes honesto homem de Yale a se casar com ela e
trabalhar a vida toda como um escravo para sustentar o estilo de vida a que ela estava
acostumada.
Nesse momento um executivo muito bem vestido que estava sentado no bar girou o banco
dourado e sorriu para ela. Tinha cabelos pretos ondulados, olhos azuis brilhantes com clios
longos e sobrancelhas pretas distintamente arqueadas. O rosto e as mos eram
profundamente bronzeados, como se jogasse tnis ao sol todo santo dia, e ele usava um
lindo terno de l azul-marinho com uma camisa branca e abotoaduras simples de ouro. Blair
em geral no reparava em homens mais velhos e esse cara tinha pelo menos 38, mas era
to bonito que era impossvel no reparar.
- Voc por acaso  Blair Waldorf? - perguntou ele numa voz familiar e profunda.
Blair assentiu sem muita confiana.
- Sim?
Ele saiu do banco e foi at a mesa dela, deixando um copo vazio no bar. Estendeu a mo
direita.
- Sou Owen Wells.
- Oil - Blair deu um pulo e apertou a mo dele, sentindo-se totalmente confusa. Primeiro,
Owen Wells era colega do pai dela, ento devia ser mais velho, malvestido, careca e gordo.
No que o pai de Blair fosse assim. O pai dela malhava com um personal trainer todo dia,
usava roupas de grife e tinha um cabelo maravilhoso. Mas ele era gay. Segundo, Owen Wells
tinha dito que estaria usando a gravata de Yale, e esse cara no estava usando gravata
nenhuma, s uma camisa branca, desabotoada para que ela pudesse ver a gola da camiseta
branca que usava sobre o peito musculoso, que provavelmente era to bronzeado quanto o
resto.
No que ela estivesse pensando no resto.
Terceiro, ela no esperava que Owen Wells fosse to gostoso. Ele era to parecido com Cary
Grant em Tarde demais para esquecer que ela que ria se atirar nos braos dele e dizer-lhe
para deixar Yale para l, ela era dele, toda dele.
Blair recuperou os sentidos a tempo de perceber que ainda estava segurando a mo de
Owen. Ela a sacudiu com a mxima firmeza e confiana que pde, alarmada com a total
incapacidade mental de se concentrar na tarefa que tinha a frente. Estava se encontrando
com Owen por um motivo s: impression-lo para poder ingressar em Yale.
- Obrigada por ter o trabalho de vir se encontrar comigo - acrescentou ela apressadamente.
- Eu estava ansioso por isso - respondeu ele com a voz mscula e excitante. - Acabo de me
lembrar que disse a voc que eu estaria com minha gravata de Yale. Desculpe. Eu esqueci
completamente. Cheguei a v-la entrar, mas no pensei que pudesse ser voc. No estava
esperando voc assim to cedo.
Imediatamente, Blair se perguntou se ele percebeu que ela passou vinte minutos no
banheiro depois que chegou, ou que ficou limpando o nariz no guardanapo e analisando seu
rosto no espelho compacto Stila para verificar qualquer marquinha que no vira antes, como
uma remelinha ou - Deus me livre - uma espinha.
- Eu costumo chegar cedo - respondeu ela.  Nunca me atraso. - Ela tomou um gole nervoso
de Coca. Ser que era um bom momento para dizer a ele como ficou impressionada com o
trabalho dele no caso Home Depot vs. The Learning Channel? Ser que devia cumpriment-
lo pelo terno? Ela respirou fundo e tentou se concentrar. - Gostei daqui  declarou ela e
imediatamente se arrependeu. Era um bar elegante, mas do jeito que ela falou parecia que
queria se mudar para l ou coisa parecida.
Owen puxou a cadeira do lado oposto ao dela e fez um gesto para que ela se sentasse.
- Ento, devemos comear?
Blair estava grata pelos modos relaxados e de executivo dele. Ela se sentou na beirinha da
cadeira acolchoada e cruzou as pernas de um jeito formal.
- Sim! - Ela sorriu com entusiasmo. - Quando voc quiser.
O garom apareceu para oferecer outro drinque a Owen. Ele pediu um Maker's Mar e
arqueou uma sobrancelha para Blair.
- Posso pedir alguma coisa para voc que no seja Coca?
Prometo que no vou contar a Yale nem a seu pai.
Blair remexeu os dedos dos ps dentro dos Ferragamos pretos. Se dissesse sim, estaria
admitindo que realmente queria uma bebida e, se dissesse no, podia parecer uma puritana.
- Eu bebo uma taa de chardonnay. Blai deduziu que vinho branco era a opo mais segura
e tpica de uma mulher.
- Ento, diga-me por que Yale deve admitir voc  disse Owen depois de pedir o vinho. Ele
se inclinou sobre a mesa e baixou o tom de voz. - Voc  realmente to brilhante como seu
pai diz?
Blair se endireitou na cadeira, girando o anelzinho de rubi repetidamente no dedo por baixo
da toalha de mesa.
- Acho que sou inteligente o bastante para ir para Yale - respondeu ela calmamente,
lembrando-se de seu discurso. - Estou em todos os cursos avanados da escola. Sou a
primeira da turma. Presido o conselho de servios especiais e o clube de francs. Sou lder
de um grupo de discusso. Estou no ranking nacional de tnis. E presidi o comit
organizador de cinco eventos de caridade no ano passado.
As bebidas chegaram e Owen ergueu o copo.
- E por que Yale? - Ele tomou um gole. - O que Yale significa para voc?
Parecia estranho que Owen no estivesse tomando nota de nada, mas talvez ele a estivesse
testando, tentando conseguir que ela baixasse a guarda e admitisse que na verdade era s
uma maluca nascida com uma colher de prata no rabo bem criado
e s queria ir para Yale para cair na balada com garotos da fraternidade.
- Como sabe, Yale tem um excelente programa de formao de advogados - comeou ela,
decidida a dar respostas inteligentes e diretas. - Estou pensando em fazer direito do
entretenimento.
- Excelente. - Owen assentiu com aprovao. Ele puxou a cadeira para a frente e piscou para
ela. - Olhe, Blair. Voc  uma garota inteligente e ambiciosa. J sei que voc 
perfeita para Yale e prometo que farei tudo o que puder para convenc-los a aceitar sua
admisso.
Ele pareceu to lindamente sincero ao dizer isso que Blair sentiu o rosto arder.
- Obrigada - respondeu ela com graa. Tomou outro gole de vinho e soltou um enorme
suspiro de gratido e alvio. - Obrigada. Obrigada, obrigada, obrigada.
Foi ento que um par de mos frias cobriu seus olhos e e1a sentiu o cheiro distinto do
perfume de patchouli e sndalo de uma certa mistura de leos essenciais preferida de
algum.
- Adivinha quem ? - sussurrou Serena no ouvido de Blair, depois tirou as mos, os longos
cabelos louros roando o ombro de Blair enquanto ela lhe dava um beijo no rosto. - E a?
Atrs dela, Aaron estava parado, rindo feito um imbecil, usando uma camiseta marrom de
Harvard como o babaca irritante que era.
Blair piscou. Ser que no dava para eles verem que ela estava no meio do mais importante
encontro de sua vida?
- Eu sou Serena. - Serena estendeu a mo para Owen.
Owen se levantou e apertou a mo dela.
- Encantado. - Ele inclinou a cabea escura, ficando ainda mais parecido com Cary Grant do
que nunca.
- E a, voc vai me ver no desfile do Les Best amanh, no e? - perguntou Serena a Blair.
- Voc tem de ir - reafirmou Aaron. - Eu no vou a nenhum desfile de moda sozinho, gata. -
Ele havia concordado em ir, mas no estava exatamente ansioso para isso. Moda
significava peles e testes em animais. Contrariava todas as crenas dele.
- Seu nome est na lista - acrescentou Serena.
Owen parecia totalmente confuso com toda a conversa. Blair soltou um suspiro exasperado e
se levantou, virando-se de forma que Owen no ouvisse o que ela ia dizer.
- Vocs dois se importam em nos deixar em paz?  sibilou ela num sussurro baixo. -
Estamos falando de Yale e  tremendamente importante, merda.
Aaron ps o brao na cintura fina de Serena, puxando-a.
- Desculpe - respondeu ele num sussurro paternalista, ainda parecendo presunoso com
aquela camiseta retardada de Harvard. - Vamos quele clube novo na Harrison, caso
voc queria nos encontrar mais tarde. - Eles saram a passos leves do bar, as trancinhas dele
balanando e o cabelo louro-claro de Serena caindo em leque nos ombros, os dois parecendo
to despreocupados e indiferentes que dava nos nervos.
- Desculpe - disse Blair, cruzando os tornozelos com afetao enquanto se sentava de novo.
- Meus amigos s vezes podem ser bem egostas.
- Tudo bem. - Owen olhou para o usque, parecendo pensativo enquanto mexia os cubos de
gelo do copo. Ele olhou para Blair novamente. - Importa-se se eu perguntar o que
fez de to desagradvel na primeira entrevista para Yale que a faz pensar que eles no a
admitiro l?
Blair tomou um gole do vinho e depois outro. Depois que explicasse o que tinha acontecido,
Owen sem dvida nenhuma ia mudar de idia a respeito dela.
- Eu estava num dia ruim - confessou ela, as palavras tropeando da boca enquanto ela
girava freneticamente o anel de rubi no dedo. Ela no que ria entrar em detalhes escabrosos
sobre a entrevista meia-boca, mas, se Owen ia ajud-la, era melhor ele saber a verdade. -
Eu no tinha dormido bem. Estava cansada, nervosa e louca de vontade de urinar. O
entrevistador disse "Fale-me de voc" e, antes que eu conseguisse pensar no que estava
dizendo, contei a ele tudo sobre como meu pai era gay e minha me ia se casar com um
cara grosseiro, gordo e vermelho que tem um filho adolescente irritante de trancinhas que
voc acaba de ter o prazer de conhecer. Falei que meu namorado, Nate, estava me
ignorando. Depois ele me perguntou que livros eu tinha lido recentemente e eu no consegui
pensar no titulo de um livro que fosse. Comecei a chorar e depois, no fim da entrevista, eu
dei um beijo nele. - Blair suspirou teatralmente, pegou o guardanapo na mesa e comeou a
pass-lo no lbio. - Foi s no rosto, mas ainda foi totalmente inadequado. Sabe como , voc
s tem alguns minutos para causar uma boa
impresso, mas acho que eu fui meio empolgada demais. - Ela olhou para os simpticos
olhos azuis de Owen.  No sei no que eu estava pensando.
Owen tomou um gole da bebida em silncio enquanto considerava a informao.
- Vou ver o que posso fazer - respondeu ele por fim, mas agora a voz dele parecia longe e
ctica.
Blair engoliu em seco. Estava bastante bvio que ele pensava que ela era uma imbecil
maluca irremedivel. Ai, meu Deus. Ela estava acabada.
De repente ele abriu um sorriso diab6lico cheio de dentes brancos.
-  brincadeira, Blair. Isso no  to ruim. Provavelmente foi a entrevista mais memorvel
que Jason Anderson III fez na vida. Convenhamos, ele no  o cara mais empolgante do
mundo e o trabalho dele deve ser meio montono. Tenho certeza de que voc foi o ponto
alto da temporada de entrevistas de outono.
- Ento no acha que e irremedivel, afinal?  perguntou Blair com sua voz mais trgica de
Audrey-precisa-de-sua-ajuda.
Owen pegou a mozinha com anel de rubi na grande mo bronzeada.
- Absolutamente, no. - Ele pigarreou. - Algum j lhe disse que voc parece um pouco com
a Audrey Hepburn?
Blair corou da raiz dos cabelos as cutculas do dedo do p. Owen parecia saber exatamente
as coisas certas a dizer, e ele era to parecido com Cary Grant que Blair ficava tonta. A
grossa aliana de ouro dele apertou os ossos da mo de Blair, que franziu a testa para a
aliana. Se ele era assim to casadinho, o que estava fazendo segurando a mo dela?
Owen retirou a mo e se remexeu na cadeira, lendo o pensamento de Blair.
- , eu sou casado. Mas ns no estamos mais juntos.
Blair assentiu, hesitante. No era mesmo da conta dela.
Mas se Cary - Owen - quisesse convids-la para sair de novo, ela no diria exatamente no.
Convid-la para sair de novo? Ser que ela estava se esquecendo de que isso no era
exatamente um encontro amoroso?
- Bem, voc deve ter de voltar para seu dever de casa dos cursos avanados e tudo o mais. -
Owen estendeu a mo novamente, como se no suportasse deix-la partir. - Mas voc
se importa se eu ligar para voc de novo um dia desses?
Blair esperava parecer exatamente Audrey Hepburn nesse exato momento. Sim, Owen tinha
quase a idade do pai dela, era advogado, era um homem, mas ela nunca se sentiu to
atrada por ningum assim na vida. Por que lutar? Era o segundo semestre do ultimo ano do
secundrio. Ela se esforou muito em todo o ensino mdio e esperava ingressar em Yale
logo.
Sim, ver um homem mais velho era loucura e era irresponsvel, mas j era hora de ela se
divertir um pouco.
- Claro. - Ela sorriu e arqueou a sobrancelha direita dramaticamente. - Eu gostaria muito.
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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                         oi, gente !



HERDEIRA ADOLESCENTE VENDE CAVALOS PARA COMPRAR DROGAS!

Ontem  noite eu estava naquele clube novo na Harrison e, entre golinhos da verso "adulta"
de Shirley Temple do clube, consegui desencavar as ltimas sobre uma de minhas colegas de
maternal. Embora fosse herdeira da maior fortuna madeireira do mundo, recentemente ela
foi apanhada vendendo os cavalos premiados para comprar drogas. Ao que parece ela s vai
botar a mo na herana quando tiver 18 anos e s tem uma "pequena" mesada mensal.
Estava sem dinheiro, ento ela colocou Guns'n'Roses, seu saltador premiado, em leilo e
usou o dinheiro para comprar um pouco de speed ou sei l o que ela usa. Que tal isso de
tosquice? Aparentemente a bab de oitenta anos  ou quem quer que cuide dela, agora que
o pai morreu e a me se mudou para Sandy Lane, em Barbados  descobriu sobre o cavalo e
mandou minha velha amiga para a reabilitao.

Pelo visto a reabilitao  o melhor lugar para passar o inverno!

HERDEIRA ADOLESCENTE VENDE CAVALOS PARA COMPRAR DROGAS!

Ontem  noite eu estava naquele clube novo na Harrison e, entre golinhos da verso "adulta"
de Shirley Temple do clube, consegui desencavar as ltimas sobre uma de minhas colegas de
maternal. Embora fosse herdeira da maior fortuna madeireira do mundo, recentemente ela
foi apanhada vendendo os cavalos premiados para comprar drogas. Ao que parece ela s vai
botar a mo na herana quando tiver 18 anos e s tem uma "pequena" mesada mensal.
Estava sem dinheiro, ento ela colocou Guns'n'Roses, seu saltador premiado, em leilo e
usou o dinheiro para comprar um pouco de speed ou sei l o que ela usa. Que tal isso de
tosquice? Aparentemente a bab de oitenta anos  ou quem quer que cuide dela, agora que
o pai morreu e a me se mudou para Sandy Lane, em Barbados  descobriu sobre o cavalo e
mandou minha velha amiga para a reabilitao.




Pelo visto a reabilitao  o melhor lugar para passar o inverno!




HERDEIRA ADOLESCENTE VENDE CAVALOS PARA COMPRAR DROGAS!




Ontem  noite eu estava naquele clube novo na Harrison e, entre golinhos da verso "adulta"
de Shirley Temple do clube, consegui desencavar as ltimas sobre uma de minhas colegas de
maternal. Embora fosse herdeira da maior fortuna madeireira do mundo, recentemente ela
foi apanhada vendendo os cavalos premiados para comprar drogas. Ao que parece ela s vai
botar a mo na herana quando tiver 18 anos e s tem uma "pequena" mesada mensal.
Estava sem dinheiro, ento ela colocou Guns'n'Roses, seu saltador premiado, em leilo e
usou o dinheiro para comprar um pouco de speed ou sei l o que ela usa. Que tal isso de
tosquice? Aparentemente a bab de oitenta anos  ou quem quer que cuide dela, agora que
o pai morreu e a me se mudou para Sandy Lane, em Barbados  descobriu sobre o cavalo e
mandou minha velha amiga para a reabilitao.




Pelo visto a reabilitao  o melhor lugar para passar o inverno!




FASHION WEEK: OS BASTIDORES



Vai esperando congelar do lado de fora tentando parar um txi. Vai esperando uma hora
para o desfile comear e descobrir depois que ele vai atrasar mais uma hora. Vai esperando
ver montes de garotas anorxicas,de bronzeado falso e cheias de botox tentando no
perceber que esto usando a mesma coisa para o mesmo desfile, e montes de gays usando
mais perfume do que as mulheres. Vai esperando descobrir que aquelas calas cargo
horrorosas com pernas afuniladas voltaram a moda de novo. Vai esperando ter inveja das
modelos fazendo biquinho com umas pernas de girafa que ficam mesmo

timas nessas calas.Vai esperando ficar irritada com as mulheres de pele e maquiagem
pesadas que trazem seus buldogues franceses com coleiras Louis Vuitton para o desfile e

bolsas de mo Louis Vuitton combinando. Vai esperando morrer para que comece logo o
after-party para voc poder fumar. Vai esperando que os after-parties sejam
verdadeiramente de enlouquecer. Vai esperando no se lembrar do que aconteceu na manh
seguinte.




Seu e-mail



P: Cara GG,

Eu estava andando pelo bar do Compton Hotel ontem a noite e vi B com um homem que eu
reconheo do meu prdio. Ele tem uma filha que esta no primeiro ou no segundo ano da
minha escola. O que foi aquilo?

-Tom




R: Oi,Tom,

Quem sabe o que ela estava aprontando, mas d pra voc ver B como a madrasta malvada
de uma pobre menininha?

-GG




P: Cara G-Auau,

S o que posso dizer  que voc arrasa! E, tambm, ouvi dizer que N vai para aquela c1nica
chique no Greenwich. Meu primo foi pra l e voltou mais perturbado do que antes.

- F.B.
R: Cara F.B.,

Obrigada pelo cumprimento, embora eu no saiba se entendi toda a coisa do "G-Auau". E, o
que quer que acontea com N na reabilitao, eles no vo destruir a alma nem

a beleza divina dele!




Flagra



N e os pais dando um giro pela nova c1nica de reabilitao da moda no Greenwich. C
fazendo as unhas na Coin, um spa exclusivamente masculino em Chelsea. No estou
brincando. S pegando uma camiseta baby look feita sob medida em uma daquelas lojas de
camisetas customizadas em Chinatown. B parada diante da Tiffany, bebendo de um copo
de papel e comendo um Danish, exatamente como Audrey Hepburn em Bonequinha de
luxo, s que B estava usando o uniforme cinza da escola em vez de um Christian Dior
preto de gala. K e I colocando placas SEM MOLEZA pela tenda do Les Best. Parece que elas
realmente se ofereceram como voluntrias para poder conseguir bons lugares.



Acho que vai nevar muito nesse fim de semana, mas ser que isso vai nos impedir? Vejo
vocs na primeira fila!




Para voc que me ama,

gossip girl




os espritos irmos se ligam na reabilitao




- Todo mundo aqui soube da tempestade de neve? Parece que vai chegar a um metro e vinte
 meia-noite!  Jackie Davis, facilitadora do grupo de adolescentes de Nate no

Breakaway Rehabilitation Center, esfregou as mos como se a idia de ficar presa pela neve
com todos aqueles ricos sem teto fosse para ela uma diverso de arrasar.

Depois que Nate foi preso no parque, o pai dele e Saul Burns, advogado da famlia,
chegaram para tir-lo da delegacia. Opai de Nate, um capito da marinha de cabelos
grisalhos e severo, tinha pago a fiana de trs mil dlares e assinou um acordo segundo o
qual Nate imediatamente freqentaria um programa de reabilitao em drogas por no
mnimo dez horas por semana. Isso significava que Nate ia ter de pegar o trem para
Greenwich, Connecticut, cinco dias por semana para aconselhamento e terapia de grupo.

- Pense nisso como um emprego, filho. - Saul Burns tentou tranqiliz-lo. - Um emprego
depois da aula.  O capito Archibald no disse nada. Estava bem claro que Nate o havia
decepcionado alem da medida. Felizmente, a me de Nate estava em Monte Carlo visitando
a irm triplamente divorciada. Quando Nate contou a histria srdida pelo telefone, ela
guinchou e chorou, fumou cinco cigarros numa sucesso rpida e depois quebrou a taa de
champanha. Ela sempre era meio teatral. Afinal, era francesa.
- Muito bem. Vamos comear formando a roda  instruiu Jackie numa voz animadinha, como
se fosse o primeiro dia do maternal. - Digam seu nome e expliquem por que

esto aqui. Resumidamente, por favor. - Ela assentiu para Nate comear, uma vez que
estava sentada diretamente na frente dele.

Nate se remexeu, pouco  vontade na cadeira Eames. Todos os mveis da clnica de
reabilitao da elitista Greenwich, Connecticut, eram estilo sculo XX moderno, para
combinar com o bege minimalista e a decorao branca. O piso era de mrmore italiano
creme, cortinas brancas de linho cobriam as janelas do cho ao teto e a equipe de
funcionrios usava uniformes de linho bege desenhados especialmente pelo empresrio

do jeans da dcada de 1990 Gunner Gass, um ex-paciente que agora era do conselho
diretor.

- Tudo bem. Meu nome  Nathaniel Archibald, mas todo mundo me chama de Nate -
murmurou. Ele chutou as pernas da cadeira e pigarreou. - Fui pego uns dias atrs

comprando erva no Central Park. E por isso que estou aqui.

- Obrigada, Nate - interrompeu Jackie. Ela deu um sorriso gelado com os lbios marrons e
anotou alguma coisa no bloco do clipboard. -Aqui na Breakaway, preferimos que

voc se refira a substncia em questo por seu verdadeiro nome. No seu caso, maconha. Se
puder usar esse nome consistentemente, estar dando mais um passo em direo 
liberdade em relao a ela. -Jackie sorriu para Nate mais uma vez. - Gostaria de tentar
novamente?

Nate olhou constrangido para os outros manes do grupo. Havia sete deles, trs garotos e
quatro garotas, todos olhando para o cho, preocupados com o que iam dizer e parecendo
to pouco  vontade quanto ele.

- Eu sou o Nate - repetiu Nate mecanicamente.  Um cara da narcticos me pegou
comprando maconha                                              - Do outro lado da roda,
uma menina com cabelos castanho-escuros que iam quase at a cintura, os lbios cor de
sangue e a pele to branca que era quase azul olhou para ele de um jeito sentimental, como
uma verso drogada da Branca de Neve.

- Melhor assim - disse Jackie. - o prximo.  Ela assentiu para a japonesa que estava ao lado
de Nate.

- Meu nome  Hannah Koto e tomei Ecstasy antes da aula h duas semanas. E fui pega
porque deitei no cho para sentir o tapete da minha sala de trigonometria.

Todos riram, exceto Jackie.

- Obrigada, Hannah, isso foi timo. Prximo.

Nate se desligou das duas pessoas seguintes, meio que viajando no modo como a Branca de
Neve balanava o p, como se estivesse marcando o tempo de seu prprio show particular.
Ela usava botas de camura azul-claras que pareciam nunca ter sido usadas na rua.

De repente foi a vez dela.

- Meu nome  Georgina Spark. Todo mundo me chama de Georgie. Acho que estou aqui
porque no fui muito legal com meu pai antes de ele bater as botas, ento tenho de esperar
at fazer 18 anos para poder viver minha vida do que jeito que eu quero.

O resto do grupo deu risadinhas nervosas.Jackie fez uma carranca.
- Pode dizer de que substncia voc estava abusando, Georgina?

- Cocana - respondeu Georgie, deixando uma cortina de cabelo preto cair no rosto. - Eu
vendi meu cavalo de exposio favorito pra comprar cinqenta gramas. Saiu nos jornais e
tudo. New York Post, quinta-feira...

- Obrigada - interrompeu Jackie. - O prximo membro do grupo, por favor.

Ainda balanando o p, Georgie olhou atravs do cabelo e recebeu o olhar intrigado de Nate
com um malicioso sorriso vermelho-sangue.

- Piranha - murmurou ela, obviamente referindo-se a Jackie.

Nate sorriu tambm e assentiu ligeiramente com o queixo. Saul Burns tinha dito a ele para
tratar a reabilitao como um emprego depois da aula. Agora Nate tinha um motivo para
trabalhar duro nele.




S veste o amado numa camisetinha




- Vocs so os amigos daquela gata, a Serena, n?  Sonny Webster, um cara magricela de
cabelo preto retinto riscado com luzes pardas, perguntou a Chuck Bass enquanto se
sentavam na segunda fila, esperando pelo desfile do Les Best comear na quinta  noite;
Sonny era filho de Vivienne Webster, a designer de lingerie britnica cujos shorts masculinos
apertados nos quadris eram a paixo da hora. Sonny e Chuck se conheceram

num bar na noite anterior e j eram amigos. Ainda usavam os mocassins Tods combinando -
marrom-escura com solado de borracha verde-non. Bem iatista gay urbano, e nada prtico
para a quantidade de neve sem precedentes que tinha sido prevista para aquela noite.

Chuck assentiu.

- Ela vai aparecer nua. Foi o que eu soube, quer dizer. - Ele esfregou a barriga recm-
tonificada. - Estou doido pra ver - acrescentou, sem muito entusiasmo.

- Ta vendo o Chuck conversando com aquele cara, o filho gay da Vivienne Webster? -
cochichou Kati Farkas a Isabel Coates.  Eu juro que Chuck agora anda com homens.

- Ela e Isabel tinham conseguido lugares na primeira fila, como pretendiam. No graas ao
esforo voluntrio meio desnecessrio de pendurar placas SEM MOLEZA pelo Bryant

Park, mas porque o pai de Isabel, Arthur Coates, era um ator muito famoso que reclamou
que a filha e a amiga mereciam estar na primeira fila este ano porque eleja gastara uma
fortuna com toda a coleo primavera-vero Les Best.

- Acho que de repente ele  bi - cochichou Isabel de volta. - Ele ainda est usando o anel
rosa com monograma de ouro.

-  observou Kati. - Tipo isso no  totalmente gay.

A enorme tenda branca no Bryant Park estava apinhada de editores de revistas, fotgrafos,
atrizes e socialites. Heart of Glass, de Blondie, jorrava dos alto-falantes Bose. Christina Ricci
estava na primeira fila discutindo no celular com o relaes-pblicas e defendendo sua
deciso de ir ao desfile do Les Best em vez do de Jedediah Angel, que estava acontecendo no
centro da cidade naquela mesma hora.
_ Olha o Flow do 45 ali! - guinchou Sonny. - Ele  mesmo um deus. E olha l a Christina
Ricci. Minha me acaba de mandar uma encomenda enorme dela.

Enquanto dava uma olhada pelo salo, procurando por mais celebridades e tentando ser
visto, Chuck viu Blair a cerca de dez cadeiras na terceira fila. Ele lhe mandou um beijo e

ela retribuiu com um sorriso afetado.

- Por que estamos aqui mesmo? - gritou Blair para Aaron. Embora andasse totalmente
irritada com Serena ultimamente, ela decidiu vir ao desfile para ver se alguma coisa

da coleo de outono da Les Best era adequada para sua nova imagem. Agora que estava
espremida na tenda abafada e apinhada com uma msica francamente alta e um fedor
terrvel de perfume, como uma garota de 12 anos com um ingresso para um show do 45, ela
sinceramente estava cagando para as roupas ou se Serena era a estrela do desfile. Era s o
que Serena precisava para provar que realmente era o centro do universo.

Blair no precisava se pendurar em modelos lindas e estilistas famosos, de qualquer forma.
Ia para Yale, a melhor instituio de ensino superior do mundo, e ia ser convidada

muito em breve para sair com um homem mais velho e de classe. Ela se sentia
extremamente realizada para algum to jovem. O barulho e o glamour da Fashion Week
pareciam menos atraentes, agora que sua vida era to... estimulante. Alm disso, eles
estavam sentados na terceira fila, o que era um tremendo insulto quando ela sempre se
sentou na primeira ou na segunda em qualquer outro desfile a que comparecesse.

- Sinceramente, no sei bem por que estou aqui  respondeu Aaron rabugento. Ele abriu o
zper da jaqueta de golfe Les Best verde berrante que Serena lhe dera e o fechou de novo. A
jaqueta era de lona de algodo duro e assoviava alto quando ele se mexia. Era meio gritante
demais para o gosto dele, mas ele a usava porque Serena insistira em que ele no

podia ir a um desfile de moda e se sentar na terceira fila sem usar um artigo das roupas do
estilista. Aaron gostava da vibrao do desfile de moda. Era como estar em um show de
rock. Mas era simplesmente ta~falso que todos estivessem reunidos ali para ver... roupas.

Do lado de fora a neve caa sem parar h duas horas na cidade iluminada. Blair podia
imaginar a insanidade de conseguir um txi mais tarde, com todo mundo mal vestido,
tagarelando totalmente e pensando que mereciam a prxima corrida disponvel. Ela chutou
as costas da cadeira de Nicky Hilton com as botas de couro preto Les Best e bocejou pela
quinta vez. Enquanto sua boca ainda estava escancarada em pleno bocejo, as luzes de
repente foram reduzidas e a msica parou.

O desfile ia comear.

A coleo mostrada era para o prximo outono e o tema era Chapeuzinho Vermelho. O palco
foi decorado como uma floresta de conto de fadas, com troncos de rvores de veludo
marrom-escuro e galhos baixos cobertos de folhas de seda verde-esmeralda brilhante. Uma
msica animada de flauta comeou a tocar e de repente Serena pulou no palco usando a saia
do uniforme cinza pregueada da Constance Billard, botas de camura vermelha acima do
joelho e uma minicapa de l vermelha presa ao pescoo. Sob a capa, ela usava a
camisetinha branca com I LOVE AARON blasonado em preto em todo o

peito. Os cabelos louros compridos estavam presos num rabo-de-cavalo e o rosto no tinha
maquiagem, exceto pelos lbios, que foram pintados com um vermelho brilhante e vibrante.
Serena andou pela passarela com desenvoltura e confiana, precipitando-se com a saia
pregueada do uniforme, girando e depois parando para as cmeras como vira acontecer
durante anos.
Quem  ela?, murmuraram em unssono mil vozes ansiosas por uma fofoca. E quem 
Aaron?

Blair revirou os olhos, ainda mais entediada e irritada agora que o desfile estava rolando.

- Quem  Aaron? - ganiu Sonny para Chuck Bass.

- Sei l quem  esse cara - respondeu Chuck.

- Ser que e Aaron Sorkin? Sabe quem , o roteirista de TV? - perguntou uma editora
desnorteada da vogue com suas peles  vizinha.

- Seja l quem for,  um cara de sorte - disse um fotgrafo.

- Eu soube que ele deu o fora nela. Acho que ela est tentando reconquistar o cara -
relinchou Isabel para Kati.

- Bem, no olhe agora, mas acho que e ele e parece irritado - sibilou Kati em resposta. As
duas meninas se viraram para olhar.

Serena mandou um beijo para Aaron da passarela, mas Aaron estava ocupado demais se
sentindo excitado e sem graa com a camiseta dela para sequer perceber. Ele pensou que

Serena ficaria nervosa por andar pela passarela com todas aquelas supermodelos. Pensou
que ela precisava de apoio moral, mas estava bem bvio que Serena estava curtindo muito.
Provavelmente est vibrando por ter o nome sussurrado por todos na tenda. No ele. Claro
que ele queria ser famoso  uma estrela do rock famosa. No famoso por ser o cara da
camiseta I LOVE AARON de Serena. Ele enfiou a mo no bolso do casaco e tirou a latinha
meio vazia de cigarros naturais. Antes que conseguisse abrir a lata, um segurana colocou a
mo no ombro dele.

-  proibido fumar nas tendas, senhor.

Foda-se, murmurou Aaron a meia voz. Mas ele no podia se levantar e sair enquanto Serena
estivesse na passarela. Ele olhou para Blair na cadeira ao lado. Ela mordia o lbio e apertava
a barriga, como se estivesse com gases ou coisa assim.

Blair queria entupir as orelhas de brincos de diamantes para bloquear o som de todos
sussurrando o nome de Serena. Que olhos! Que pernas! Que cabelo incrvel! Era
completamente nauseante, e o after-party tendia a ser uma dose extra da mesma coisa.
Assim que Serena desceu a passarela marcada com PARA A CASA DA VOV e saiu do palco
para trocar de roupa, Blair se levantou e saiu.

- Acho que vou cair fora antes que a neve fique funda demais - anunciou a Aaron.

- ? - Aaron deu um salto. - Vou te ajudar a encontrar um txi. - Serena no precisava dele
por ali. Provavelmente, ela ficari at cercada de admiradores durante o after-party

que ele nem teria a oportunidade de v-la. Ela no ia se importar se ele sasse de mansinho.

Do lado de fora, no Bryant Park, a neve j estava na altura do tornozelo. As esttuas de leo
nos degraus da biblioteca pblica pareciam ainda maiores e mais ameaadoras cobertas de
branco.

- Acho que vou pegar um trem para Scarsdale  disse Aaron, referindo-se ao subrbio de
Westchester onde ele morara com a me antes de decidir se mudar no ltimo outono
para a casa da nova famlia do pai na cidade. Ele abriu o Zippo e acendeu um cigarro
natural. - Meus colegas e eu sempre nos reunimos no campo de golfe quando tem uma
tempestade grande como esta.  bem divertido.

-  uma praga da porra - respondeu Blair sem interesse. Flocos gordos de neve aoitavam
sua maquiagem e ela semicerrou os olhos, enfiando as mos nos bolsos do casaco de
cashmere preto Les Best enquanto procurava por um txi.

Merda, estava congelando.

- Quer vir comigo? - props Aaron, embora Blair estivesse sendo uma piranha total
ultimamente. Eles ainda eram meio-irmo e meia-irm; ainda podiam tentar ser amigos.

Blair deu um risinho.

- No, obrigada. Vou ligar para o homem que conheci. Ver se ele quer se encontrar comigo
em algum lugar para tomar uma bebida ou coisa assim. - Ela adorava como a palavra

homem parecia muito mais sofisticada do que cara.

- Que homem? - perguntou Aaron desconfiado.  No  aquele velho de Yale com quem voc
estava ontem  noite, ?

Blair bateu os ps para evitar que os dedos congelassem dentro dos Mary Janes Les Best
totalmente-errados-para-oclima. Por que Aaron sempre tinha de agir de um jeito to
enfurecedoramente superior?

- .Primeiro, posso encontrar quem eu quiser. Segundo, o que voc tem com isso? E terceiro,
e da que seja ele?  Ela agitou a mo no ar e fez sinal com impacincia. Eram s nove

horas. Onde diabos estavam todas as porras dos txis?

Aaron deu de ombros.

- Sei l. S estou imaginando que ele parece um grande banqueiro de investimento que d
montes de dinheiro a Yale, e voc est dando em cima do cara ou coisa assim porque quer

entrar l de qualquer jeito. O que  muito idiota, se quer minha opinio.

- Na verdade, no quero - rebateu Blair. - Mas talvez eu devesse ouvir o Sr. Aceito-Cedo-
em-Harvard-Embora-S-Tenha-Ficado-Sentado-de-Cueca-Bebendo-Cerveja- e-Fingindo-que-
Tocava-numa-Banda-Legal-que-na-Verdade--Uma-Merda, uma vez que voc obviamente
sabe de tudo. - Um txi cantou pneu e parou na esquina da rua 43 para deixar algum. Blair
correu at ele. - No fique julgando uma coisa da qual no sabe porra nenhuma! - gritou ela
para Aaron, antes de saltar no txi e fechar a porta.

Aaron tremeu dentro da jaqueta de algodo e vergou os ombros no vento acre enquanto
andava para o leste na rua 42 em direo  Grand Central Station. Seria bom sair com os

caras, para variar. As mulheres eram um p monumental em seu saco vegetariano.

Mas a gente, ah... vale bem a pena. No ?




na better than naked
Dan tentou no ficar olhando as modelos enquanto elas chegavam  passarela durante o
desfile da Better Than Naked usando somente minissaias de veludo cotel marrom
pregueadas sem nada em cima. As saias eram to curtas que ele at podia ver as calcinhas
brancas de babados que elas usavam por baixo, que por acaso eram calcinhas de
menininhas da dcada de 1950 e estavam to apertadas nas modelos que as ndegas

explodiam para fora. Em vez de se sentar na primeira fila, onde Rusty Klein tinha conseguido
enfi-lo em uma cadeira entre Stevie Nicks e a supermoderna artista performtica Vanessa
Beecroft, Dan ficou nos fundos do Harrison Street Club, agarrado

ao bloco de capa de couro preto, tentando manter um jeito de escritor para o caso de Rusty
Klein estar por perto, analisando-o escondido.

O desfile foi montado com uma estranha musica folclrica alem e havia palha espalhada na
passarela. Menininhos de cabelos louros e curtos, tipo pajem, usando macacozinho tipo
campons dos Alpes, levavam cabras brancas balindo em trelas de couro enquanto modelos
impossivelmente altas marchavam atrs deles, os peitos nus balanando.

Bestialidade, rabiscou Dan furtivamente no bloco. As cabras cagavam em todo lugar e ele
percebeu que a bainha das saias das modelos tinha sido desfiada de propsito. Lgrimas

escorriam por seus rostos em lpis azul iridescente. Ordenhadoras arrasadas, escreveu Dan,
tentando no se sentir completamente deslocado. Que diabos ele estava fazendo em um
desfile de moda, alis?

A morena de vinte e poucos anos ao lado dele se inclinou e tentou ler o que ele estava
escrevendo.

- De onde voc ? - perguntou ela. - Nylon? Time Out? - Ela usava culos pontudos, com
incrustaes de diamantes falsos, presos a uma corrente de aura estilo velha senhora em
volta do pescoo e tinha as franjas mais grossas que Dan j vira na vida. - Por que no

est sentado com a imprensa?

Dan fechou o bloco antes que ela pudesse ler mais alguma coisa.

- Sou poeta- disse ele, presunoso. - Rusty Klein me convidou.

A mulher no pareceu impressionada.

- O que voc publicou ultimamente? - perguntou ela desconfiada.

Dan enfiou o bloco sob o brao e passou os dedos pelas costeletas novas. Uma das cabras
tinha se soltado e saltado para fora da passarela. Quatro seguranas correram atrs dela.

- Na verdade, um de meus poemas mais recentes est na edio desta semana da New
Yorker. Chama-se "Putas".

- T brincando! - disse a mulher com entusiasmo em um sussurro alto. Ela puxou sua

bolsa de couro lavanda Better Than Naked para o colo e pegou o exemplar da New

Yorker. Folheando-o, ela virou na pagina 42. - Voc no entende. Eu li este poema ao
telefone para todas as minhas amigas. No acredito que foi voc que escreveu.

Dan no sabia o que dizer. Este era o primeiro encontro com uma f de verdade e ele se
sentia ao mesmo tempo constrangido e emocionado.

- Fico feliz que tenha gostado - respondeu ele com modstia.
- Gostado? - repetiu a mulher. - Ele mudou minha vida! Se importaria de autografar para
mim? - perguntou ela, enfiando a revista no colo dele.

Dan deu de ombros e pegou a caneta. Daniel Humphrey, escreveu ele ao lado do poema,
mas a assinatura parecia meio simples e impessoal, ento ele acrescentou um pequeno
floreio cheio de curvas abaixo dela. Ele tinha escrito sobre algumas linhas do conto de
Gabriel Garcia Rhodes, o que pareceu meio que um sacrilgio, mas quem ligava para isso,
quando ele tinha dado seu primeiro autgrafo? Ele era famoso - um escritor verdadeiro,
autntico!

- Muito, muito obrigada - disse a mulher, pegando a revista de volta. Ela apontou para o
bloco dele. - Agora pode continuar escrevendo - sussurrou ela de uma forma reverente.

- Me desculpe se o incomodei.

A musica folclrica alem se metamorfoseou em pera e os menininhos saram da

passarela levando as cabras. As modelos flutuaram usando capas de l pretas e longas,
botas de camura azul de cano alto e toucas de pena de avestruz. Pareciam personagens

de O senhor dos anis.

Dan abriu o bloco e comeou a escrever. Bruxas boas e ms, rabiscou ele. Lobos

famintos  caa. Ele mordeu a ponta da caneta e acrescentou: Queria poder fumar a

porra de um cigarro.




v banca a afetada




Para comparecer ao desfile da Cult of Humanity by Jedediah Angel na Highway 1, em
Chelsea, Vanessa rompeu com sua tradicional vestimenta exclusivamente preta e pegou
emprestado com Ruby o top vermelho de gola alta com mangas trs quartos. Foi o mesmo
top que ela usou uma vez e recebeu um monte de cumprimentos por ele, provavelmente
porque era to baixo que revelava o decote macio e branco e entrevia um pouco o suti de
renda. Vanessa chegou tarde porque a irm insistiu em que ela pegasse um txi, e  claro
que o txi entalou na neve perto da Union Square. Enquanto o motorista gritava com o
reboque pelo celular com a Lite FM berrando dos alto-falantes, Vanessa largou o txi.
Quando ela finalmente conseguiu chegar ao clube, as orelhas tinham congelado e ela parecia
um boneco de neve ambulante. O desfile j havia comeado e Vanessa tinha certeza de que
a mandariam voltar da imensa porta de garagem que servia de entrada, mas, quando deu o
nome  garota da porta, um segurana com uma lanterna j havia sido designado para
acompanh-la pessoalmente at seu lugar no meio da primeira fila.
carto preso com uma fita adesiva e o nome de CHRISTINA RICCI cortado em marcador
preto e VANESSA ABRAMS escrito no lugar dele. Vanessa nunca se sentira to especial.

O salo estava escuro, exceto por velas acesas de trinta centmetros alinhadas nos dois lados
da passarela. Modelos vestidas em trajes de marinheiro azul-marinho acima dos joelhos,
com debrum branco e botes dourados nas lapelas, seguravam buzinas de

nevoeiro nos lbios enquanto o som de uma tempestade terrvel no mar explodia dos

alto-falantes. A parede branca atrs da passarela estava iluminada com um s spot,
filme era em preto-e-branco e adquirira um ar de dcada de 1940 com os trajes de
marinheiro das modelos. E, embora todos parecessem estar levando toda a coisa

da falsa moda-no-mar muito a srio, Vanessa tinha de admitir que era muito legal ver seu
filme ali iluminando tudo.

A mulher magra como um waffle ao lado dela abriu o PalmPilot e digitou Fundo

brilhante com uma unha comprida pintada de vermelho. Estava usando um crach com a
palavra vogue no suter de cashemere cor de camelo e o cabelo castanho era curto, com

um trecho de mechas grossas com luzes bronzeadas. Ela continuou a digitar. Nota:
Perguntar a Jed de onde veio o filme.

Vanessa pensou em cutuc-la delicadamente e dizer "Eu o fiz", mas concluiu que seria

mais divertido ficar quieta e ver o que acontecia. Talvez algum detestasse o filme e

fizesse uma careta para ele, e ai Vanessa ficaria conhecida como a cineasta infame cujo
retrato amargamente honesto de Nova York tinha sido uma verdadeira ducha de gua fria na
Fashion Week. Ela se perguntou como Dan estava se saindo no desfile da Better Than Naked.
Imaginou-o pedindo fogo  nova supermodelo brasileira - Anike, ou seja l qual for o nome 
sem saber quem ela era. Era isso que Vanessa mais amava em Dan, a inocncia divina dele.

O filme chegou a parte em que ela filmou dois velhos usando jaquetas de l quadriculadas de
vermelho e preto e gorros de la pretos jogando xadrez no Washington Square Park. A cabea
de um cara balanou sobre o peito, o cigarro aceso pendurado precariamente no lbio
inferior tombado enquanto ele comeava a dormir. a outro cara estalou os dedos para se
certificar de que o parceiro estava dormindo antes de mover as peas do xadrez e cutucar o
amigo adormecido para acord-lo novamente.

Dentro da Highway 1, os sons de uma tempestade desapareceram aos poucos e comeou a
tocar uma msica turbulenta de uma big-band. Um barco gigantesco de cartolina foi
arrastado at o palco por modelos masculinos puxando cordas brancas e grossas e usando
simples cuecas azul-marinho. O barco parou e a prancha foi abaixada. Saram as modelos,
duas de cada vez - devia haver umas cem delas, e como e que todas couberam no barco? -,
todas vestidas de conjuntos de calcinha e suti de cetim azul-marinho, com meias arrasto
brancas acima dos joelhos, luvas brancas at o cotovelo e botas de camura brancas acima
dos joelhos. Depois de descer da prancha com uma eficincia militar, elas comearam uma
complicada dana ue parecia um cruzamento entre controle de trfego areo e bal aqutico.
De repente a elegante fila de modelos gesticulantes se dividiu, revelando um dndi de
cabelos ruivos e crespos na altura dos ombros, usando um terno branco de trs peas,
levando uma bengala de ouro incrustada de jias, e sapateando.

 srio.

Balanando os cachos ruivos, ele sapateou at o fim da passarela, parou a um milmetro

de cair e comeou a aplaudir o pblico. Atrs dele as modelos pararam sobre uma perna

s com o outro joelho erguido no alto, tipo flamingos, aplaudindo tambm. Depois a musica
parou e o pblico explodiu.

O cabea-ruiva tinha de ser Jedediah Angel, concluiu Vanessa, e ele estava parado
diretamente diante dela. Ele fez uma mesura profunda, parecendo um pouco com o Mgico
de Oz no terno branco apertado. De repente ele apontou para ela e comeou a uivar e
aplaudir, gesticulando para ela se levantar. Vanessa sacudiu a cabea, alarmada, mas
Jedediah Angel continuou acenando para ela.
- Levanta, gata! Levanta!

A multido estava enlouquecendo agora. Eles sequer sabiam quem era Vanessa,mas se
Jedediah Angel queria cumprimenta-la, ela devia ser algum. Cedendo, Vanessa se levantou,
o rosto ardendo de constrangimento e os ombros tremendo, dando uma risadinha nervosa
pouco caracterstica enquanto inclinava a cabea para agradecer aos aplausos.

Ela j podia ouvir Ken Mogul sussurrando no ouvido dela: "Acostume-se com isso, gata, voc
vai abalar o mundo!" E embora fosse meio legal ter tanta gente agindo como se a adorasse,
ela mal podia esperar para trocar histrias com Dan sobre a farsa que era aquilo tudo.

A no ser,  claro, que ele j tivesse fugido para o sul da Frana com uma supermodelo
brasileira gostosona de 19 anos.




Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente !




DEIXA NEVAR!




Tem 35 centmetros de neve no cho at agora e aqui estou eu, presa pela neve no after
party mais exclusivo e mais quente da Fashion Week, com meu estilista de moda preferido,
centenas de modelos lindas e atores deliciosos, os mais sagazes editores de revistas de
moda e cinco dos fotgrafos de moda mais vanguardistas. Sinceramente, no ligo se toda a
cidade parar por causa da neve. Eu no quero ir embora!




Flagra



B esperando pelo encontro no canto daquele barzinho romntico no novo hotel da Perry
Street. S dando autgrafos no after party da Les Best na Crme da 43. C na mesma festa,
cercada por modelos homens mais novos, tambm dando autgrafos - quem ele pensa que
? N acompanhando nossa herdeira favorita de Connecticut para a manso no Greenwich na
limo dela . J e a nova amiga enfrentando a neve para apanhar seus prmios na Blockbuster
e na Hunan Wok da Broadway perto da casa de J - parece uma festinha. D sendo
enxameado por modelos no after party da Better Than Naked no Harrison Street Club.
Estariam s filando cigarro ou realmente leram o poema dele? V no after party de Jedediah
Angel na Highway 1, fingindo dar mole pra todo mundo daquele jeito deliciosamente banal
dela.

S espero que todos estejam no mesmo xtase que eu, presos onde esto at que o tempo
melhore. Lembre-se, nada pode te aquecer mais rpido do que o corpo quente de outra

pessoa.
Epa, algum esta tirando minha foto para o caderno Style desse fim de semana, e meus
lbios esto precisando seriamente de um brilho. Fui!




Para voc que me ama,

gossip girl




exatamente como naquela cena de titanic




- Mas como  que Dan no convidou voc?  perguntou Elise enquanto passava um rolinho
em uma poa de molho de soja.

Para enfrentar a tempestade de neve, Elise e Jenny tinham feito um banquete de comida
chinesa e Oreos e pegaram vdeos de que nunca ouviram falar, uma vez que todo mundo

pegou filmes na Blockbuster. Agora estavam vendo a cobertura da Fashion Week de Nova
York no Metro Channel na sala de estar do apartamento enorme e arruinado de Jenny no
Upper West Side. Estranhamente, a cmera tinha dado uma panormica sobre o pblico do
desfile da Better Than Naked, dando um zoom em Dan por um segundo enquanto ele
rabiscava furiosamente em seu bloco preto idiota.

- Porque sou a irm mais nova dele - respondeu Jenny, surpresa de ter realmente acabado
de ver a cara doentia e de costeletas de Dan na TV: Ela sabia que Dan tinha ido ao desfile,

mas nem se incomodou em perguntar a ele se podia acompanh-lo.Ele estava to obcecado
em ser o Sr. Sou-o-Keats-do-Futuro que mal percebia a existncia de qualquer pessoa.

A cmera mudou para a tenda da Les Best no Bryant Park, onde Serena van der Woodsen
andava pomposa na passarela usando uma camisetinha branca decepada estampada com I

LOVE AARON, a saia do uniforme cinza da Constance Billard School, uma capa vermelha de
l e botas Les Best na altura dos tornozelos. Devia ser uma verso sensual da Chapeuzinho
Vermelho ou coisa parecida.

At parece que algum chega a pagar por um uniforme escolar.

- Ei, no  aquela nossa lder do grupo de discusso? Serena van der Woodsen? - apontou
Elise.

Jenny enfiou um Oreo inteiro na boca e assentiu, as bochechas estufadas. Era mesmo
Serena. Perfeita como sempre.

- Rpido, muda de canal! No posso comer de jeito nenhum enquanto olho essas pernas -
guinchou Elise, atirando uma almofada de veludo cheia de contas na televiso.

Jenny deu uma risadinha e desligou a TV pegou a caneca I LOVE NY com Coca-Cola, olhando
atentamente para o banquete espalhado no ba que servia de mesa de centro. O
apartamento era to imundo que e1a se preocupou que em algum momento uma barata
nojenta do tamanho de uma lagosta casse do forro esfarelado do teto diretamente em seu
macarro frio. Ela percebeu que Elise ainda no tinha comido absolutamente nada.

No tem problemas em comer na minha frente, tem? -Jenny pegou dois hashis e revirou o
recipiente de papel do macarro. - Prometo que nem olho pra voc.
Elise pegou um rolinho com os dedos e o mordeu at a metade.

- Isso  s no almoo da escola - disse e1a com a boca cheia. - No consigo comer com
todas aquelas garotas magrelas olhando pra minha gordura.

- Voc no  gorda - retrucou Jenny, embora ficar ao lado de Elise lhe desse um apetite
danado, porque ela se sentia comparativamente muito magra. Ainda assim, era meio que

um alvio ver que Elise no tinha nenhum distrbio alimentar de verdade, s era insegura.
Esse era o problema de ter uma amiga nova - a gente nunca tem certeza se a conhece
totalmente ou no.

- Voc pintou isso? - perguntou Elise, apontando para o retrato a leo que Jenny tinha feito
do pai, pendurado sobre o consolo da lareira. Rufus usava a camiseta branca com gola em V,
um cigarro queimando e no se barbeava h dias. Os cabelos grisalhos crespos apontavam
para todo lado e os olhos castanho-claros estavam acesos de excitao induzida por cafena
e de tomar cido demais na dcada de 1960. Era um retrato bem fiel.

- Sim. - Jenny pegou mais macarro com os hashis. No pintava nada desde os retratos que
tinha feito de Nate em dezembro. Fez o rosto dele em cada estilo que estudou. Havia o Nate
de Picasso, o Nate de Monet, o Nate de DaH, o Nate de Warhol e o Nate de Pollock. Mas,
quando Nate a magoou, ela os queimou todos em uma lixeira de metal na rua 99 Leste.
Tinha sido um momento de catarse - seu amor transformado em cinzas. Na verdade, agora
que pensava no assunto, Jenny devia ter guardado as cinzas e feito alguma coisa com elas -
um auto-retrato ou uma marinha calmante -, mas agora era tarde demais.

Elise pegou outro rolinho.

- Voc vai me pintar? - perguntou ela.

Jenny olhou para a janela suja da sala de estar. A neve era to espessa que parecia que
algum estava explodindo travesseiros gigantes no cu.

- Claro - disse ela, levantando-se para pegar as tintas. No tinha nada melhor para fazer
mesmo.

- Legal!- Elise atirou os restos do rolinho no recipiente e desabotoou o jeans Seven apertado
demais. Depois tirou a blusa rosa de gola rul Gap pela cabea, o suti saindo junto. Quando
Jenny voltou com uma tela branca nova e a paleta de tintas a leo, Elise estava esparramada
no sof, os cabelos louros caindo sobre os ombros sardentos, completamente nua.

- O que  que voc esta fazendo? - perguntou Jenny, aturdida.

Elise esticou os braos por sobre a cabea e apoiou a cabea nas almofadas.

- Eu sempre quis posar nua - disse ela. - Sabe como , tipo naquela cena do filme Titanic.

Jenny se sentou de pernas cruzadas no cho diante dela e molhou o pincel.

- Voc  que sabe - assinalou ela, fazendo uma careta para o modelo ansioso e voluptuoso.

Talvez a nova amiga fosse menos insegura do que ela pensava. E muito mais doida tambm.




quanto mais quente melhor
Blair estava sentada  mesa do canto no bar do trreo do Red , o novo hotel romntico e
aconchegante da Perry Street, bebendo Absolut e tnica e tentando no ver a cobertura da

Fashion Week no Metro Channel. Parecia que sempre que ela olhava eles estavam mostrando
uma cena de Serena se pavoneando na passarela do desfile da Les Best usando o uniforme
da escola e aquela camiseta I LOVE AARON idiota. At no bar ela podia ouvir as pessoas
murmurando "Quem  ela?" e "Quem  Aaron?". Foi o bastante para que Blair se virasse
diretamente para a parede revestida de veludo vermelho.

- Desta vez eu estou com minha gravata de Yale - anunciou Owen com um sorriso tmido
enquanto transpunha a porta usando um impermevel castanho Burberry e um chapu de l
preto que o deixavam ainda mais msculo e arrojado do que quando ela o conheceu. Ele se
sentou no banco forrado de veludo vermelho ao lado de Blair e a beijou no rosto. O rosto
dele estava mido e frio da tempestade, e essa sensao fez com que todo o corpo de Blair
formigasse.

- Oi, linda.

Imediatamente Blair esqueceu tudo sobre Serena. Estava com um homem mais velho e sexy
que a chamou de "linda". Bem ali.

- Oi. - Ela girou o anelzinho de rubi no dedo.  Desculpe se arrastei voc para c numa noite
como esta. Eu s estava... entediada.

A garonete apareceu e Owen pediu um martni Bombay Sapphire. Puxou um mao de
Marlboro Lights do bolso, ps dois cigarros na boca, acendeu-os e passou um para Blair. As
sobrancelhas pretas dele se arquearam de preocupao enquanto ele a olhava com os olhos
azuis brilhantes e penetrantes.

- No se meteu em nenhuma encrenca, no ?

Encrenca? Blair deu uma tragada no cigarro e pensou na resposta que daria. Se pudesse
chamar de encrenca ter uma queda por seu entrevistador mais velho e casado, ento sim,

ela estava numa encrenca terrvel.

- Talvez - respondeu ela tmida. - E voc?

A garonete trouxe o martni de Owen. Ele comeu a azeitona verde que flutuava na bebida e
enxugou a boca num guardanapo. Um vestgio de barba cobria o queixo bem-definido.

- Eu estava numa reunio no caf da manha hoje, comendo Cheerios com outros cinco
advogados, e pensava em voc - admitiu ele.

Blair passou a unha no joelho com meia arrasto.

-  mesmo? - perguntou ela, desejando de imediato que sua voz no parecesse to ansiosa e
cheia de esperana.

Owen levou a taa aos lbios, os olhos azuis ardendo.

. Fiquei atolado a semana toda, mas prometo que vou mandar o relatrio aos caras de Yale
pra ontem.

- Ah - respondeu Blair decepcionada. Ela girou o canudinho do coquetel na bebida. Pelo
menos uma vez no estava pensando em Yale. Estar com Owen fazia com que Blair se

sentisse alm de Yale.Ela era a "linda" dele, a estrela do show dele. Ou talvez s estivesse se
iludindo.
Olhando pela vidraa atrs deles, Blair mal podia ver os carros estacionados na rua. Eram s
uma massa branca, como grandes elefantes mudos dormindo. Podia sentir Owen
observando-a enquanto ela fumava o cigarro e soprava uma nuvem de fumaa cinza no ar
acima da cabea dos dois. Ele tinha pedido para v-la novamente, no tinha? E ele no teria
feito isso se no estivesse atrado por ela. Ele s estava nervoso,  isso. Dentro da cabea de
Blair, as cmeras estavam comeando a rodar. Ela era a femme fatale seduzindo o elegante
e bom advogado mais velho. Yale era a ltima coisa de que queria falar agora.

Ela deu outra tragada no cigarro e o apagou no cinzeiro de cromo no meio da mesa.

- Quase fui para a cadeia uma vez - anunciou ela, tentando parecer intrigante.

Isso no era bem a verdade. Alguns meses antes, ela roubou um pijama de cashmere do
departamento masculino da Barneys para dar a Nate como presente surpresa quando eles
estavam com problemas. Mas, quando eles terminaram, Serena convenceu Blair a devolver o
pijama. Ela no chegou a ser apanhada.

Owen deu uma risadinha e pegou o drinque. Usava abotoaduras de ouro com um Yazul
estampado para combinar com a gravata azul e dourada de Yale.

- Olha, voc  exatamente o tipo de garota de que Yale precisa.

- E sou virgem - deixou escapar Blair, agitando os clios com o despropsito de sua
observao. Que estranho. Embora Owen fosse extremamente arrojado e ela realmente
quisesse ver o que ia sentir beijando-o, Blair tinha um pouco de medo do que estava
fazendo.

- Tenho certeza de que Yale precisa mais disso tambm. - Owen riu. Ele cruzou e descruzou
as pernas e Blair pode ver que o deixava nervoso, o que no era a inteno dela.

Ela estendeu a mo sobre a mesa e colocou os dedos pequenos e trmulos em cima da mo
quente bronzeada dele.

- No me importo se voc me beijar - murmurou ela numa voz baixa e sussurrada que
parecia exatamente Marilyn Monroe em Quanto mais quente melhor.

Owen baixou a bebida.

- Vem c - disse ele rispidamente, passando o brao livre em volta dela e puxando-a para
ele.

O queixo dele era spero e arranhou o rosto de Blair quando eles se beijaram, mas ela nunca
foi beijada com tanta percia e poder em toda a vida. Alm disso, ele cheirava um

pouquinho a Eau d'Orange Verte, de Hermes, que era a colnia masculina preferida dela.

Blair pensou ter sido tomada pela culpa no momento que seus lbios se encontraram. Ele 
amigo do papai, lembrou-se ela. Ele  velho. Mas Owen beijava to bem, agora que tinham
comeado, que ela no ia faz-lo parar.




s no consegue encontrar o namorado, mas e da?




- Eu disse que ela era a dona do melhor traseiro do ramo disse um dos estilistas da Les Best
a um fotgrafo da revista W. - Aquela bunda moleca, de quadris finos. Como se ela pudesse
escorregar para dentro do jeans sujo e velho do namorado e deix-lo novo e sensual.
Serena sacudiu a adorvel cabea loura em protesto e deu uma tragada no American Spirit.

- Meu namorado nunca usa jeans. Ele acha que so superestimados. Ele usa aquelas calas
militares verdes de lona. Sabe qual , as verdadeiras, das lojas de excedente do exrcito? -
Ela olhou pelo after party fumacento e lotado que estava a todo vapor na Crme, um novo
go-goclub na rua 43, mas no via Aaron em lugar algum. Ele no foi aos bastidores do
desfile, ento ela deduziu que o encontraria ali.

- E seu namorado se chama Aaron, por acaso? - perguntou o estilista. Ele deu uma risadinha
e apontou para a camiseta dela. - Voc devia deixar Les fazer toda uma linha dessas.Todo
mundo ia aderir totalmente... ia ser uma loucura!

- D pra recuar um pouquinho pra eu tirar uma foto dela? - perguntou o fotgrafo ao
estilista.

- E pode autografar essa polaride para minha coleo, Serena? - perguntou um homem
mais velho, usando cala de couro apertada com um cabelo curtinho e branco.

- Pra mim tambm! - ecoou outra voz.

Serena suspendeu ojeans Les Best azul-beb apertado nos quadris que fora cortesia da casa
e apontou para o logo I LOVE AARON impresso na frente da camiseta enquanto dava um
sorriso forado para a cmera.

- Aposto que, se fizer um leilo dessa camiseta agora, vai vender por uns mil dlares -
brincou o fotgrafo enquanto batia a foto. - Mas  claro que voc no vai se separar dela.

Serena deu outra tragada no cigarro enquanto o grupo esperava pela resposta. A camiseta
era bonitinha, mas foi na verdade uma coisa impulsiva que ela fez porque pensou que

Aaron acharia divertido e faria com que ele aparecesse em um desfile de moda em uma
quinta  noite, a noite deles. Ela era o tipo de garota impulsiva, e era exatamente por isso
que a idia de um leilo pareceu to atraente. Ela podia doar o dinheiro, a uma boa causa,
como a Little Hearts, a organizao filantrpica para crianas que devia arrecadar dinheiro na
festa do Dia dos Namorados.

- Vamos nessa! - Ela riu levianamente.

O grupo de admiradores gritou de deleite e seguiu Serena at o bar como ratinhos
adoradores atrs do Flautista de Hamelin.

- Quem quer comprar uma camiseta? - gritou Serena, pulando no balco do bar, desfilando
de um lado para outro como se estivesse novamente na passarela.

E claro que s algum to linda como Serena podia escapar impune de uma dessas.

o DJ aderiu  brincadeira e colocou um velho clssico de Madonna, vogue, aumentando o
volume ao Maximo. Serena sacudiu o prmio e estufou o peito - era totalmente pela

diverso - enquanto cada par de olhos no clube se virava para ver.

- Quinhentos dlares! - gritou algum.

- Ningum mais? - Serena censurou a multido fascinada. -  por uma boa causa.

- Setecentos!

- Oitocentos!
Serena parou de danar, revirou os olhos e tirou o mao de cigarros do bolso, como quem
diz: "A avareza de vocs me entedia." A multido riu e uns 15 isqueiros foram oferecidos

a ela. Ela se inclinou para pegar o isqueiro de um cara de sorte que usava um colete de pele
e depois desfilou novamente, sacudindo os quadris para a msica e fumando enquanto
esperava por um lance mais alto.

- Mil dlares! - gritou o cara do colete de pele. Tinha se aproximado de Serena o bastante
para saber que valia a pena.

Serena atirou os braos no ar e uivou alto, desafiando algum a aumentar ainda mais o
lance. Embora odiasse admitir, ela no se importava que Aaron no tivesse aparecido. Podia
am-lo, mas estava se divertindo pra caramba sem ele.




o romance dos chapados




- A gente pode pedir ao mordomo pra tirar a roupa e tocar piano pra gente - disse Georgie a
Nate. - Ele faz tudo o que eu disser.

Quando a terapia de grupo terminou, e era hora dos pacientes de ambulatrio irem para
casa, a tempestade j estava to ruim que Nate no conseguiu um carro para lev-lo a
estao, ento Georgie ofereceu-se para lhe dar uma carona. Depois, quando chegaram a
estao, os trens no estavam operando, ento a sempre obsequiosa Georgie levou Nate
para a casa dela no Range Rover preto dirigido pelo segurana. Agora eles estavam sentados
no cho do enorme e luxuoso quarto de Georgie, ficando chapados enquanto assistiam a
neve se acumular na clarabia acima da cabea deles.

A casa do Upper West Side de Nate tinha aumentado, passando a ter quatro andares,
elevador prprio e um cozinheiro 24 horas. Mas a manso de Georgie em Greenwich,
Connecticut, tinha uma coisa que a casa da famlia dele no tinha - grandes espaos internos
e hectares de terra em volta da casa. Era como uma cidade dentro de si mesma, e Georgie
tinha o prprio distrito privativo onde podia fazer absolutamente o que quisesse enquanto
sua antiga bab inglesa ficava na cama vendo a BBC America e os outros criados cumpriam
as tarefas nos outros burgos. O banheiro de Georgie tinha at um div romano para
descansar enquanto ela esperava que a Jacuzzi de mrmore de trs metros e meio enchesse.

- Ou a gente pode fazer um sexo louco e barulhento na escada - acrescentou Georgie. - Isso
ia deixar os empregados totalmente malucos.

Nate apoiou a cabea no p da cama king size de baldaquino de Georgie e ps o baseado
que estavam dividindo nos lbios.

- Vamos ver a neve cair por um tempinho.

Georgie girou o corpo para ficar de costas, apoiando a cabea na perna da cala azul-
marinho Cult of Humanity de Nate.

- Meu Deus, voc  parado. No estou acostumada a sair com algum to parado.

- Como  que so os seus amigos? - perguntou Nate, puxando o baseado. A erva parecia ter
um gosto e um efeito melhores, agora que ele tinha passado um tempo sem ela.

- No tenho mais amigos - respondeu Georgie.  Todos eles meio que desistiram de mim
porque sou muito doida.
Nate ps a mo na cabea dela e comeou a afagar os cabelos. Georgie tinha cabelos
incrivelmente macios e exuberantes.

- Eu saa muito com aqueles trs caras da minha turma na escola - disse ele, referindo-se a
Jeremy, Anthony e Charlie. - Mas fiquei uns dias sem ficar chapado e no queria realmente
sair com eles, sabe?

- Isso  o que Jackie chama de "amizade negativa". Uma "amizade positiva" e quando voc
faz coisas divertidas e construtivas com os amigos, como bater bolo, fazer colagens e subir
montanhas.

- Eu sou seu amigo - props Nate baixinho.

Georgie esfregou a nuca na perna dele.

- Eu sei. - Ela riu, o peito no to pequeno subindo e descendo dentro da camiseta branca
apertada. - Quer bater uns bolos?

Nate ergueu uma mecha do cabelo dela no ar e depois deixou cair, fio por fio, de volta ao
colo. Blair tinha cabelo comprido tambm, mas no era do liso nem do sedoso como o de
Georgie. Era engraado como as garotas podiam ser to diferentes.

- Posso te beijar? - perguntou ele, sem realmente pretender ser to formal.

- T legal- sussurrou Georgie.

Nate se inclinou e passou os lbios na ponta do nariz de Georgie, no queixo dela e
finalmente chegou aos lbios. Ela o beijou ansiosamente e depois se afastou e se sentou
apoiada nos cotovelos.

- Isso  o que Jackie chama de "alimentar seus anseios". Voc est fazendo uma coisa que
parece temporariamente boa em vez de "curar as feridas".

Nate deu de ombros.

- Por que  temporrio? - Ele apontou para a clarabia, que estava completamente tomada
pela neve. - No vou a lugar nenhum.

Georgie puxou os ps para baixo do corpo e se levantou. Sumiu no banheiro e Nate pode
ouvir uma porta de armrio se abrindo, sons de frascos de comprimidos chocalhando e

gua correndo. Depois ela apareceu, escovando os dentes, os olhos castanho-claros
brilhando como se tivesse acabado de ter uma manifestao divina, ou pelo menos uma boa
idia.

- Tem uma carruagem velha no sto. A gente pode subir l e ficar sentado - anunciou ela
com a boca cheia de pasta de dente. Voltou ao banheiro para cuspir e depois apareceu

novamente, estendendo a mo branca a Nate. -Voc vem?

Nate se levantou e pegou a mo de Georgie. O corpo dele estava zumbindo da maconha e da
suavidade intensa da pele dela. S o que ele queria mesmo era beij-la mais.

- Posso "alimentar meus anseios" quando a gente estiver l em cima? - perguntou ele,
sentindo-se bem chapado.

Georgie ergueu uma sobrancelha fina e escura para ele e lambeu os lbios vermelho-
escuros.
- Eu posso at deixar voc "curar minhas feridas".

Nate deu sua risadinha torta de chapado. Quem diria que a bobajada psi da reabilitao
pudesse ser to excitante!




nosso corpo, ns mesmos




- Minha mo est ficando cansada - reclamou Jenny para Elise depois de ter pintado a
cabea e o pescoo dela.  Vou fazer o resto amanh.

- Deixa eu ver-pediu Elise, sentando-se. Seu peito era to pequeno que Jenny no conseguiu
deixar de olhar para ele. Os peitos dela eram como aquelas batatinhas que o pai cultivou
quando eles alugaram uma casa na Pensilvania num vero. Pequenos, duros e bege-rosado.
- Ficou bom - disse Elise, semicerrando os olhos para a tela. - Mas por que fez meu rosto
verde?

Jenny odiava quando as pessoas faziam perguntas sobre sua arte. Ela no sabia porque fazia
o que fazia, simplesmente fazia. E o pai dela sempre dizia: "O artista no tem de responder
a ningum, exceto a si mesmo." Ou a ela mesma, neste caso.

- Porque eu estava num humor verde - respondeu ela irritada.

- Bem, verde  minha cor favorita - respondeu Elise alegremente. Ela vestiu a blusa e a
calcinha, mas deixou o jeans o suti no cho . - Ai, meu Deus. Eu tambm tenho esse livro! -
gritou ela, apontando para uma brochura pesada e grossa na estante atrs da TV. Ela foi at
a estante e pegou o livro. - Mas o seu  to novo. J leu?

Jenny mordeu a ponta de um Oreo e leu o ttulo na lombada do livro. Este  meu corpo 
edio para mulheres.

- Meu pai comprou pra mim no ano passado. Acho que ele deve ter pensado que, se eu o
lesse, ele no teria de me explicar nada sobre sexo ... Eu podia simplesmente olhar esta

coisa constrangedora.

- Mas voc j deu uma olhada nele? Uma parte  realmente ilustrativa.

Jenny no tinha idia. Havia colocado o livro na estante atrs da TV ao acaso com outros
livros que o pai lhe dera e ela no pretendia ler nunca, tipo Espao para respirar: um guia
budista para uma vida criativa, as sete segredos de Mao: as mulheres por trs do presidente
Mao e A descoberta do drago interior: qual  a sua arte?

- Tipo, ilustrativo de que jeito? - perguntou Jenny, intrigada.

Elise levou o livro para o sof de couro pudo e se sentou, cruzando as pernas compridas e
nuas teatralmente.

- Vou te mostrar.

Ela abriu o livro e Jenny se sentou ao lado dela e se inclinou para ver.

A primeira coisa que Elise mostrou foi um diagrama detalhado de uma mulher de quatro
inclinada sobre um homem deitado de costas. O livro tinha sido escrito na dcada de 1970 e
o texto j fora atualizado, mas o diagrama no. O homem tinha cabelos nos ombros, uma
barba densa e usava um colar de contas. O pnis dele estava ereto e parecia estar na boca
da mulher. As duas meninas romperam em risadinhas.

Uia!

- Eu te disse - falou Elise, satisfeita consigo mesma por abrir exatamente naquela prola.

- Nem acredito que nunca vi nada disso  exclamou Jenny. Ela tomou o livro de Elise e
passou as pginas. - Ah, meu Deus! - Ela arfou quando viu um diagrama do mesmo

casal em outra posio. A mulher ainda estava com o pnis do cara cabeludo na boca, s que
desta vez ela estava deitada ao lado dele com o p na cabea dele e as pernas abertas para
que ele pudesse fazer a mesma coisa com ela. Jenny nem sabia o nome daquilo. - Achei que
era s um livro chato sobre ficar menstruada e essas coisas. Mas , tipo assim, um livro de
verdade sobre sexo para mulheres.

- Acho que tem um para adolescente tambm, que  totalmente chato, mas minha me me
deu esse por engano. Eu nem acreditei quando comecei a ler!

As duas meninas ficaram absortas nas pginas at que deram com uma seo chamada
Relacionamentos do Mesmo Sexo.

- Que nem a Srta. Crumb  observou Jenny, lendo. A introduo era longa e comeava com
a frase "Seus sentimentos so genunos e no devem ser ignorados...". Do lado de fora, ela
podia ouvir o rangido de um limpa-neve que passava. Ela olhou para cima para ver a neve
caindo constantemente atravs da janela encardida da sala de estar.

- Ei. Quer experimentar? - perguntou Elise.

Jenny voltou ao livro.

- O qu?

- Beijar - respondeu Elise no que mal conseguia ser um sussurro.

Seus sentimentos so genunos e no devem ser ignorados.

Sim, mas Jenny no tinha nenhum sentimento por Elise. Gostava dela e tudo isso, mas no
se sentia atrada por ela. Ainda assim, beijar uma garota parecia excitante. Era uma coisa
que ela nunca fizera antes e, se ela se sentisse desconfortvel, podia fingir estar beijando
aquele cara alto e louro que ela vira na Bendel's.

Ela fechou o livro e cruzou as mos no colo. Seu rosto estava a apenas centmetros do rosto
de Elise.

- T legal, vamos nessa. - Era s uma experincia, uma coisa nova para tentar em uma noite
entediante e cheia de neve.

Elise se inclinou para a frente e ps a mo no brao de Jenny. Depois fechou os olhos e
Jenny tambm fez o mesmo. Elise apertou os lbios na boca bem fechada de Jenny. No

era exatamente um beijo - era seco demais. Mais parecia um cutuco ou coisa assim.

Elise puxou a cabea para trs e as duas meninas abriram os olhos.

- O livro diz para relaxar e desfrutar, especialmente quando  a primeira vez.

Como  que ? Ela, tipo assim, decorou o livro?
Jenny puxou o cabelo crespo no alto da cabea e deixou sair uma longa expirao pelo nariz.
No sabia por que estava to nervosa, mas preferia que Elise ainda estivesse vestida.

- Voc se importa de colocar o jeans de novo?  perguntou ela. - Acho que eu podia, sei l,
relaxar mais se voc estivesse, tipo assim, vestida.

Elise deu um salto e pegou o jeans.

- Olha, assim t melhor? - perguntou ela, deixando-o desabotoado enquanto se sentava no
sof.

- Tudo bem. Vamos tentar de novo - respondeu Jenny, animando-se novamente. Ela fechou
os olhos e passou as mos sob o cabelo de Elise e no pescoo dela, tentando ser menos

pudica com aquilo tudo.

Afinal, ela era uma artista, e os artistas faziam todo tipo de maluquice.




o keats do futuro conhece a musa do futuro



Depois do desfile da Better Than Naked, as velas enfileiradas na passarela foram retiradas e
luzes estroboscpicas vermelhas e azuis pipocaram nas paredes de veludo preto. A DJ Sassy
explodiu com uma batida house francesa e o Harrison Street Club se transformou em uma
discoteca europia da dcada de 1970 cheia de modelos seminuas de cinqenta quilos
bebendo champanha Cristal direto da garrafa.

Dan ficou sozinho no bar, bebericando o coquetel de Red-Bull-com-sei-l-o-qu. Tinha gosto
de aspirina infantil e ele s estava bebendo porque o bartender prometera a ele que era
cheio de cafena e um troo chamado taurina, garantida para manter um cara hiperacordado
a noite toda.

De repente ele percebeu uma mulher violentamente alta usando uma peruca bufante
vermelha e flamejante  tinha de ser uma peruca - com batom rosa-non e enormes culos
de sol de aro de tartaruga parada no meio da sala apinhada com as mos em volta da boca.

- Daniel Humphrey? Chamando Daniel Humphrey! - guinchava ela.

Era Rusty Klein.

Dan tombou a cabea para trs e virou a bebida, piscando enquanto a cafena e o

sei-l-o-qu da bebida batiam no crebro de uma tacada s. Ele cambaleou para a

mulher, o corao batendo ainda mais rpido do que a msica.

- Eu sou o Dan - grasnou ele.

- Olha s voc! Nosso novo poeta! Voc  adorvel! Perfeito! - Rusty Klein empurrou os
enormes culos de sol para o alto da cabea e sacudiu as imensas pulseiras de ouro que
cobriam os pulsos ossudos e compridos enquanto pegava Dan e lhe dava dois beijos no
rosto. O perfume dela era oleoso e cido como um atum. - Eu te amo, querido  ronronou
ela, apertando Dan.

Dan se encolheu, desacostumado de ser tratado daquele jeito por uma pessoa que ele estava
conhecendo. No esperava que Rusty Klein fosse to assustadora. As sobrancelhas dela
tinham sido pintadas para combinar com a peruca dela estava vestida como um espadachim,
com um casaco apertado de manga bufante de veludo preto Better Than Naked e calas de
toureiro em veludo preto combinando. Um cordo de prolas pretas estava em seu colo
ossudo e branco.

- Andei tentando escrever mais poemas  gaguejou Dan. - Sabe como , para meu livro.

- Maravilhoso! - gritou Rusty Klein, atirando os lbios para ele de novo e provavelmente
espalhando batom rosa-claro em toda a cara de Dan. - Vamos almoar um dia desses na

semana que vem.

- Hmmm, tenho aula na semana que vem todo dia, mas vou ficar livre as trs e meia.

- Aula! - gritou Rusty. -Voc  to gracinha! Podemos tomar um ch, ento. Ligue para meu
escritrio e marque com Buckley, minha assistente. Ah, que idiota! -Ela pegou o brao de
Dan com mo de garra. As unhas tinham pelo menos oito centmetros e eram pintadas de
rosa-alaranjado. - Tem algum aqui que voc deve conhecer.

Rusty soltou Dan e estendeu os braos para receber uma garota de aparncia frgil, com um
rosto comprido e triste e cabelos louro-claros. A garota usava apenas um tomara-que-caia
transparente rosa-claro sobre o esqueleto emaciado e os cabelos finos na altura da cintura
estavam despenteados, como se ela tivesse acabado de sair da cama.

- Mystery Craze, este  Daniel Humphrey. Daniel, esta  Mystery - ronronou Rusty em voz
alta. - Mystery, querida, lembra do poema que dei para voc ler? Aquele que voc disse...
Ah, que merda. Vou deixar que voc diga a ele o que me falou. Agora, se me derem licena,
vou lamber o rabo do meu estilista preferido para ele me dar umas roupas novas de graa.
Eu amo vocs. Ciao! - acrescentou ela, antes de sair a passos largos no salto-agulha preto
de 15 centmetros.

Mystery piscou os olhos cinza imensos e cansados. Parecia que tinha ficado a noite toda
acordada esfregando cho, como Cinderela.

- Seu poema salvou a minha vida - confidenciou ela a Dan numa voz baixa e rouca. Um copo
alto e fino de alguma coisa muito vermelha estava enfiado em sua mo frgil.   Campari 
disse ela quando percebeu que ele olhava.  Quer um gole?

Dan nunca bebia nada que no fosse cafeinado. Ele sacudiu a cabea e enfiou o bloco preto
sob o brao. Depois acendeu um Camel e deu uma longa tragada. Assim era muito melhor.
Agora pelo menos ele tinha alguma coisa para fazer, mesmo que no conseguisse pensar em
nada para dizer.

- E a, voc  poeta tambm?

Mystery enfiou o polegar na bebida e depois i lambeu. Os cantos da boca estavam sujos do
vermelho do Campari, fazendo com que ela parecesse uma menininha que tinha acabado de
chupar um picol de cereja.

- Escrevo poemas e contos. E estou trabalhando em um romance sobre a cremao e a
morte prematura. Rusty disse que sou a Sylvia Plath do futuro - respondeu ela.  E voc?

Dan deu um gole na bebida. No sabia bem o que ela queria dizer com morte prematura.
Ento havia uma hora certa para morrer.? Ele se perguntou se devia escrever um poema
sobre isso, mas pensou melhor, no queria roubar material de Mystery.

- Parece que sou o Keats do futuro.

Mystery mergulhou o polegar na bebida novamente e depois o lambeu.
- Qual  o seu verbo favorito?

Dan deu outra tragada no cigarro e soprou a fumaa no salo apinhado e barulhento. No
tinha certeza se era o clube, a msica, a cafena ou a taurina, mas ele se sentia to vivo e
to bem naquele momento, batendo papo com essa garota chamada Mystery, cuja vida ele
salvara. Ele estava gostando seriamente daquilo.

- Morrer, eu acho - respondeu ele, terminando a bebida e colocando o copo vazio no cho. 
O verbo morrer. - Ele sabia que devia estar dando a impresso de que tentava impression-
la. Afinal, ela estava escrevendo um livro sobre morte prematura e cremao. Mas era a
verdade: quase todos os poemas dele eram sobre a morte. Morrer de amor, de raiva, de
tdio, de ansiedade; dormir e nunca mais acordar.

Mystery sorriu.

- O meu tambm. - Os olhos cinza e o rosto comprido e fino eram singelamente bonitos, mas
os dentes da frente eram quebrados e amarelos, como se ela nunca tivesse ido ao

dentista em toda a vida. Ela pegou outro coquetel de Red Bull na bandeja do garom e
passou a Dan. - Rusty disse que os poetas so as prximas estrelas de cinema. Um dia ns
dois estaremos andando por a em limos com nossos seguranas.

- Deu um suspiro pesado. - Como se isso tornasse a vida mais fcil. - Ela ergueu o copo e
bateu no dele. -          - anunciou sinistramente. Depois Mystery pegou a nuca de Dan e
o puxou para si, esmagando os lbios dele num profundo beijo ensopado de Campari.

Dan sabia que devia ter afastado Mystery, protestando que tinha namorada, que estava
apaixonado. Ele no devia gostar de ser pego por uma garota estranha e praticamente nua
com dentes amarelos. Mas os lbios de Mystery tinham um gosto doce e amargo ao mesmo
tempo e ele queria entender por que ela era to triste e to cansada. Ele queria descobri-la,
do modo como s vezes descobria a metfora perfeita quando estava no meio de um poema,
e para fazer isso tinha de continuar beijando-a.

- Qual  o seu substantivo favorito? - disse ele a meia voz no ouvido de Mystery quando se
afastou para tomar ar.

- Sexo - respondeu ela, mergulhando a boca novamente.

Dan riu enquanto retribua o beijo.

Pode ser a taurina, mas s vezes simplesmente  bom demais para ser ruim.




a garota por trs da cmera




- Ento  voc. - Um cara louro, bonito e bronzeado, vestindo shorts laranja largo de
surfista, tamanco Birkenstock de couro branco e um colete de pele de pnei marrom e
branco sem nada por baixo sorriu para Vanessa com os dentes brancos reluzentes. O nome
dele era Dork ou Duke ou coisa parecida e ele afirmava ser produtor. - A cineasta genial.

- Ela  a Bertolucci do futuro. - Ken Mogul corrigiu Duke, ou sei l qual era o nome. - Me d
um ano e ela ser famosa. - Ken estava vestido como um caubi urbano num colete
prateado Cult of Humanity sobre uma camisa estilo country preta com fechos brancos
perolados no lugar dos botes o seu cabelo ruivo crespo estava enfiado em um chapu
Stetson preto, e ele ainda usava botas de caubi pretas com o jeans Cult of Humanity. Veio
de Utah de avio naquela noite, onde seu filme mais recente tinha acabado de ser
apresentado no Sundance Film Festival. Era um filme ambicioso sobre um surdo-mudo que
trabalhava em uma fbrica de enlatados no Alasca e morava em um trailer com 36 gatos. O
homem no falava e passava muito tempo no computador trocando e-mails com garotas em
sites de encontros, ento Ken teve de ser muito criativo com a cmera para manter a ao.
Mas era seu trabalho mais elegante.

- Cara, ver seu filme foi como nascer de novo  disse Dork a Vanessa. - Ganhei o dia.

Os cantos da boca de Vanessa viraram-se para cima num sorriso de Mona Lisa meio
entediado, meio divertido. Ela no sabia bem como se sentia em relao a ser chamada de
"cara", mas estava feliz por ter feito Dork ganhar o dia.

O after party da Cult of Humanity by Jedediah Angel foi ainda maior do que o desfile. A
Highway 1 tinha sido decorada como uma tenda de casamento hindu, e modelos de biquni,
que no estavam no desfile, descansavam em sofs de couro, bebendo martnis ou danando
com a msica bhangra ao vivo. Vanessa puxou o top vermelho apertado. Era meio difcil no
se sentir um leito no meio de tantas modelos ossudas de dois metros de altura.

- Tudo bem. Aqui est o cara da Entertainment Weekly disse Ken Mogul, passando o brao
pela cintura dela. - Sorria, vai para o editorial!

Duke parou do outro lado dela e apertou sua bochecha angulosa e bronzeada na pele macia
e branca de Vanessa. Ele tinha cheiro de Coppertone.

- Diga salame!

Era poltica de Vanessa no sorrir quando estava sendo obrigada a posar para uma foto, mas
por que no? Realmente no havia perigo nenhum de ela ser levada pelo brilhante e casado
Duke para o Templo do Surfe e da Areia e morar para sempre e de um jeito brega em uma
mistura de estdio de cinema com barraco de surfista em Malibu. Ela era Nova York hardcore
demais para isso e, alm de tudo, odiava praia. No, esta noite seria sua noite de breguice,
e amanh ela voltaria ao normal.

- Salame! - Os trs gritaram, faiscando os sorrisos mais falsos para a cmera.

Duke ficou grudado em Vanessa depois que o fotgrafo saiu.

- Em que hotel voc est? - perguntou ele, pressupondo que ela era de Los Angeles, como
todos que ele conhecia.

Vanessa desatarraxou a tampa da garrafa de Evian e bebeu um gole.

- Na verdade, eu moro aqui em Nova York, em Williamsburg, com minha irm. Ainda estou
no secundrio. Ela toca em uma banda.

Dork pareceu excitado.

- Cara! - exclamou ele, - Voc  tipo uma daquelas pessoas que os roteiristas inventam,
sabia? - Ele ergueu os dedos para fazer citaes no ar. - Uma "hipster urbana". S que

voc  real.Voc  mais real do que o real!

Para um cara chamado Dork, ele at que tinha seus insights.

- Obrigada - disse Vanessa, sem saber muito bem se essa era a resposta certa ou no. Ela
nunca teve uma conversa com algum to idiota antes. Ela sentiu a mo em seu cotovelo e
se virou.
Um cara mais velho e frgil, usando palet de smoking de veludo roxo e culos redondos
pretos, sorriu para ela.

- Voc  a cineasta, no ? - perguntou ele.

Vanessa assentiu.

- Acho que sim.

O velho agitou um dedo ossudo para ela.

- No leve seu dom muito a srio - disse ele antes de se afastar.

Duke se inclinou e falou num tom de urgncia no ouvido dela.

- Eu estou no Hudson. Quer ir at o meu quarto para um drinque, ou coisa assim?

Vanessa sabia que devia dizer para ele se foder, mas nunca tinha sido cantada por um
surfista lindo e burro que podia arrastar qualquer uma das modelos do salo mas tinha
escolhido ela. Era realmente meio lisonjeiro. E aquele cara velho tinha dito a ela para no
levar as coisas muito a srio? Ainda bem que ela teve aquela trabalheira toda para tirar os
plos das pernas.

- Mais tarde, talvez  respondeu ela, sem querer detonar totalmente Dork.  Est meio que
nevando l fora agora.

-  claro. D.  Duke bateu na cabea com um riso bobalho.  Ento, quer danar?  Ele
estendeu a mo, os msculos do brao ondulando convidativos. Parecia que ele nunca tinha
matado um dia de academia e sobrevivia de uma dieta de bebidas proticas e grama.

Vanessa ajeitou a camiseta vermelha novamente e pegou a mo de Duke, seguindo-o para a
pisa lotada e vibrante. Ela no acreditava em si mesma  ela odiava danar! Pelo menos
ningum que ela conhecia estaria olhando.

Ah, ?




audrey ainda est de roupa




Como a neve tinha se tornado totalmente intransponvel e eles estavam presos no centro da
cidade, Blair concluiu que a opo mais atraente era pegar um quarto no hotel.

- Podemos ver TV e pedir comida pelo servio de quarto - sussurrou ela sedutoramente no
ouvido de Owen.  Vai ser divertido.

O quarto era luxuoso, com uma cama king size, uma jacuzzi num nvel mais baixo que o
cho, uma TV de plasma de tela plana pendurada na parede e uma vista impressionante

do rio Hudson parcialmente congelado e pintado de branco. Owen chamou o servio de
quarto e pediu uma garrafa de Veuve Clicquot, fil mignon, batatas fritas e torta-musse de
chocolate, e quando chegou eles se deitaram na cama, deram torta na boca um do outro e
viram Top Gun na TNT.

- Como foi que voc e sua mulher se separaram? - perguntou Blair, colocando um pedao de
torta na boca aberta de Owen. Farelos de chocolate caam nas fronhas de cetim de algodo
egpcio.
Owen pegou uma colherada da torta-musse gelada e ofereceu a colher para Blair lamber.

- Ns no tnhamos... - Ele hesitou, as lindas sobrancelhas franzindo-se enquanto ele
pensava na resposta.  Na verdade nos no falamos nesse assunto.

Blair sorriu solidria enquanto deixava a torta congelada derreter na lngua. Ela gostava de
interpretar o papel da outra. Fazia com que se sentisse to... poderosa. Do outro lado da
sala, na imensa tela plana da TV; Tom Cruise e Kelly McGillis transavam na moto dele.

- Ela foi para Yale tambm?

Owen pegou o controle remoto e apontou para a televiso. Depois baixou-o novamente sem
mudar de canal.

- No sei - respondeu ele, parecendo exatamente o irmo mais novo de Blair, Tyler, quando
estava vendo TV e a me perguntava se ele j havia feito o dever de casa.

Blair pegou o controle remoto e comeou a zapear. Uma reapresentao de Friends. Luta
romana. Cribs na MTV. Ela no tinha certeza se gostava do lado garoto de Owen. Preferia

muito mais o homem.

- Ela no foi para Yale ou ela foi?

- Arr - respondeu Owen, enfiando uma colherada da torta na boca. - Astronomia.

Blair ergueu as sobrancelhas enquanto via Sean "P.Diddy" Combs dar um giro pela manso
dele no Upper East Side. A esposa de Owen parecia um gnio. Que tipo de gente se torna
astrnoma, alis? Algum que queria ser astronauta? Ela queria que Owen tivesse dito que a
mulher nem tinha feito faculdade, que s ficava sentada vendo exposio de ces na TV e
comendo donuts Krispy Kreme. Que, no fim, estava pesando 250 quilos e ele era obrigado a
dormir no quarto de hspedes, at que se mudassem. Que no havia mais quarto para ele.

Blair passou para a AMC, seu canal de filmes clssicos preferido. Casablanca, com Ingrid
Bergman e Humphrey Bogart, estava quase pela metade. Os alemes tinham acabado de
invadir Paris e Ingrid estava assustada.

Ela se recostou nos travesseiros, esquecendo-se do modo como seus cabelos compridos
costumavam se abrir em leque em volta do rosto de uma forma que ela imaginava que devia
ser irresistvel.

s vezes finjo que vivo naquela poca - disse ela a Owen sonhadoramente. - Parece to mais
sofisticado, sabe? Ningum usa jeans, todos so to educados e todas as mulheres

tem cabelos incrveis.

- , mas havia uma guerra. E das grandes  lembrou Owen. Ele limpou a boca num
guardanapo de linho branco e se recostou no travesseiro ao lado dela.

- E da? - insistiu Blair. - Ainda assim era melhor.

Owen pegou a mo dela e Blair desviou os olhos da TV para analisar o perfil dele.

- Sabia que voc  exatamente igual ao Cary Grant? - sussurrou ela.

- Voc acha? - Owen virou a cabea para olhar para ela, os olhos azuis ardendo sensuais.
- Cortei meu cabelo para parecer com Audrey Hepburn -admitiu Blair. Ela se virou de lado e
recostou a cabea no peito msculo dele com aquela camisa branca imaculada. - Seramos
Audrey e Cary.

Owen beijou o cabelo dela e apertou a mo de Blair delicadamente.

- E ficou, garota - murmurou ele. Com a mo livre, ele comeou a afagar as costas dela e
Blair podia sentir a aliana de casamento dele se chocar nos ns de sua coluna.

Do lado de fora a neve caa ainda mais forte. Blair a viu cair, incapaz de relaxar. Era meio
impossvel no pensar na mulher astronauta gnio de Owen, sentada em casa sozinha
enquanto escrevia equaes astronmicas impossveis em um quadro-negro e se perguntava
sobre o marido. Mesmo que Blair e Owen nao fossem parecidos com Audrey Hepburn e Cary
Grant, Blair tinha certeza absoluta de que as garotas elegantes que Audrey interpretou no
perdiam a virgindade em quartos de hotel com homens mais velhos e casados,
independentemente da profundidade da neve. Por que no terminar o filme aqui, enquanto
ainda estava bom?

Owen respirava profundamente agora e tinha parado de afagar as costas dela. Assim que
Blair teve certeza de que ele estava dormindo, ela saiu pela porta e pediu ao recepcionista

do trreo para chamar um txi. Afinal, tinha uma reputao a zelar. E no  que ela o tenha
abandonado.

A melhor maneira de manter um cara intrigado  desaparecer.




algumas garotas sabem se divertir




- Guerra de neve! - gritou Serena a plenos pulmes para ningum em especial. Ela danava
com um monte de modelos meio bbadas e seminuas da Les Best e seus longos cabelos
louros estavam embaraados atrs, criando uma espcie de efeito capilar unidreadlock de
praia. Tinha se livrado da camiseta I LOVE AARON por um belo mao de 4 mil dlares do
velho amigo Guy Reed da loja Les Best e agora usava apenas um sensual demibra rosa da La
Perla que parecia o suti de um biquni.

- Vlei de neve! - gritou um cara ainda mais alto. Ele vestia um traje da linha de esqui da
Les Best, botas de pele pretas e um par de protetores de pele pretos nas orelhas. Ele

apontou para as enormes janelas do bar, de onde se via uma rede de vlei que fora colocada
na calada cheia de neve.

Em questo de segundos toda a sala cheia de corpos suados e retorcidos atacou o armrio
de casacos, puxando o de pele de ovelha Fendi ou a parca Gucci de capuz mais prxima para
proteger o corpo magrela do frio antes de disparar para brincar na neve.

Serena riu quando entrou em uma parca bege com um capuz de pele de castor aparado que
teria cabido em um esquim gigante. Nas ultimas duas horas ela bebera mais champanha do
que na festa de Ano-novo e se sentia tonta e excitada. Antes que conseguisse sequer fechar
o zper do casaco, algum pegou sua mo e a puxou pela porta.

Do lado de fora a neve tinha envolvido tudo e os postes de luz brilhavam dourados no manto
branco e fofo. Sem as buzinas e o ronco constante do trnsito, havia uma calma aprazvel na
cidade, como se ela finalmente tivesse ido dormir. Gritando de alegria, a gangue de modelos,
estilistas e fotgrafos sulcou a massa de neve profunda e comeou a atirar bolas sobre a
rede de vlei sem nenhuma considerao pelo ambiente pacfico.

- No  lindo? - disse Serena. Ela queria que Aaron estivesse ali para poder beij-lo e dizer a
ele o quanto o amava enquanto enfiava uma grande bola de neve nas costas da camisa dele.
Mas ele no estava - o empata-foda -, ento ela teria de se virar. Virou-se para o cara que
segurava a mo dela. Era o cara do traje preto de esqui, e ele era alto, louro e lindo. Todos
ali eram. Ela largou a mo dele e cavou um punhado de neve.  Vem c - acenou para ele. -
Quero te contar um segredo.

Ele deu um passo na direo dela, o hlito enchendo o ar com nuvens de vapor.

- O que ?

Serena ficou na ponta dos ps e colocou os braos em volta do pescoo dele. Depois ela
beijou o rosto frio e macio dele.

- Eu amo o Aaron. - guinchou ela enfiando a bola de neve pelas costas do traje de esqui
preto e disparando pela neve para se juntar aos outros.

O cara foi atrs dela, pegou as pernas de Serena e a derrubou assim que chegaram  rede
de vlei . O jogo foi interrompido quando uma turma de lindos farristas comeou a atirar
bolas de neve no par que brincava, parando de vez em quando para acender cigarros ou
reaplicar brilho labial antes de se juntar ao grupo novamente. Serena uivou de rir enquanto
a neve descia atrs do jeans. Era timo ser to bonita e to despreocupada. No importava
com quem voc estivesse ou que idiotice estivesse fazendo  voc sempre se divertia
incrivelmente. Na verdade, voc nem mesmo tinha de se apaixonar por algum quando o
mundo j estava apaixonado por voc.




a experimentao pode ser superestimada




Jenny e Elise ainda estavam se beijando quando Rufus telefonou.

Ring, ring!

- Merda! - Jenny afastou Elise, pulou do sof e disparou para a cozinha.  verdade que
ningum podia v-las, mas ela ainda se sentia como se tivesse sido apanhada fazendo uma
coisa incrivelmente constrangedora.

- Est tudo bem? - grunhiu Rufus alegremente ao telefone. - Estou preso aqui com Max e
Lyle e o resto daqueles patetas. A neve est uma merda. - Rufus passava a maioria das
noites de quinta no East Village em um velho bar com os amigos escritores comunistas. Ele
parecia alegre, da forma como sempre parecia quando havia tornado duas ou trs taas de
vinho. - Vocs meninas esto se comportando?

Jenny corou.

- Arr.

- Bem, diga a sua amiga para ficar por a. Ningum em seu juzo perfeito deve tentar ir a
lugar nenhum hoje.

Jenny assentiu.
- Tudo bem. - Ela meio que esperava que Elise fosse para casa para poder tomar um banho
quente e organizar as idias, mas no podia pedir a ela para sair quando havia um metro de
neve no cho e vinha mais neve ainda. - A gente se v, pai - disse ela, quase querendo
poder dizer a ele como estava confusa em relao ao que acabara de acontecer. Ela podia
ser uma artista em desenvolvimento, mas isso no queria dizer que tinha de experimentar o
tempo todo.

Jenny desligou o telefone.

- E a, o que a gente vai fazer agora? - perguntou Elise, entrando pela cozinha com o jeans
ainda desabotoado. Ela separou um Oreo e lambeu o creme do recheio.

Elise parecia estar sugerindo que estava pronta para passar ao captulo seguinte de Este 
meu corpo - edio para mulheres, mas de jeito nenhum Jenny ia descobrir qual era a
seqncia.

Ela fingiu um bocejo.

- Papai disse que vem para casa cedo - mentiu ela. - Estou meio cansada, de qualquer
forma. - Ela deu uma olhada pela janela da cozinha. Tudo era branco e a neve ainda caia.

Parecia o fim do mundo.

- Vem. - Ela liderou a amiga at o quarto. - Papai quer que voc fique. - S havia uma cama
de solteiro e ela definitivamente, no ia dividi-la com Elise. No quando Elise era

to... calorosa e imprevisvel. - Voc pode dormir na minha cama e eu durmo no sof.

- T legal- respondeu Elise, em dvida.-  melhor eu ligar pra minha me. No est
chateada comigo, est.

- Chateada? - repetiu Jenny casualmente. - Por que eu estaria? - Ela abriu a cmoda e
passou a Elise uma camiseta GG e uma cala de moletom. - Use isso aqui - orientou

ela. Caso contrrio, Elise podia decidir dormir nua, o que no seria nada elegante,
especialmente se Rufus chegasse em casa mais tarde naquela noite e irrompesse no quarto
de Jenny para passar um sermo sem sentido sobre o significado da vida, como ele s vezes
fazia quando bebia vinho demais. Ela pegou um pijama para si mesma e fechou a gaveta. -
Vou tomar um banho. Pode usar meu celular, se quiser ligar pra sua me.

Elise pegou as roupas e olhou as pinturas na parede do quarto de Jenny. Sobre a cama
estava o gato dos Humphrey, Marx, cochilando no fogo, pintado em pinceladas grossas.
Marx era de um turquesa profundo e o fogo era vermelho. Perto da janela havia um auto-
retrato dos ps de Jenny, com as unhas pintadas de laranja e os ossos dos ps em azul.

- Voc  realmente boa. - Elise desceu o jeans at o joelho.

- No quer terminar meu retrato?

Jenny pegou o robe felpudo rosa no gancho atrs da porta.

- Hoje  noite no - respondeu ela, indo rapidamente para o corredor em direo ao
banheiro. Ela tomou um banho longo e quente e, assim esperava, pelo tempo que Elise

levaria para dormir. Amanh elas comeriam seus Eggos e iriam andar de tren no parque e
zanzar por a como garotas normais.

Chega de experimentao. No que dizia respeito a Jenny, a experimentao era totalmente
superestimada.
n ajuda na recuperao da herdeira orf perdida




- Segure as rdeas em uma das mos e o chicote na outra - instruiu Georgie. Estavam no
sto de Georgie, mas, em vez de namorar dentro da linda carruagem antiga, fumar um
bagulho, beijar e ser paradona, Georgie estava hiperativa e fazia com que Nate conduzisse a
carruagem.

O prprio sto era inacreditvel. Era cheio de coisas antigas e bonitas do passado, mas em
perfeita ordem como se a qualquer momenta algum fosse lev-las para baixo e coloc-las
em uso novamente. A carruagem era pintada de ouro e revestida de veludo roxo, e sobre o
assento no interior, em uma pequena arca de couro, havia tapetes de pele e regalos para
manter as mos quentes enquanto voc safa para um passeio. O melhor de tudo era que
oito cavalos brancos de carrossel com plumas de penas brancas fixadas a um arns de
couro de verdade puxavam a carruagem.

- Vai, mais rpido, mais rpido, eia, eia! - gritava Georgie para os cavalos de carrossel,
estalando o chicote de couro e balanando para cima e para baixo no banco de couro
vermelho do cocheiro.

Uau.

Nate se sentou de novo no banco ao lado dela e tentou acender outro baseado, mas Georgie
estava balanando tanto que ele caiu de sua mo.

- Porra! - gritou ele, exasperado. Ele se inclinou sobre a lateral da carruagem para ver onde
o baseado tinha cado no cho de madeira pintado de branco, mas o sto estava iluminado
por uma nica lmpada e ele no conseguia ver o baseado em lugar nenhum.

- T bom. - Georgie saltou da carruagem. -Vem, tem uma coisa que quero te mostrar.

Relutantemente, Nate deixou o baseado onde tinha cado e a seguiu ao outro lado do sto,
onde um monte de bas antigos estavam empilhados.

-  aqui que minhas coisas velhas de cavalo so guardadas - explicou Georgie. Ela abriu o
ba de cima e pegou um punhado de faixas que ganhou nas exposises de cavalos. -

Eu era uma amazona boa mesmo. - Ela passou as faixas a Nate.

Todas eram azuis, com o nome da competio estampado em ouro. HAMPTON CLASSIC
JUNIOR HUNTER GRAND CHAMPION, leu Nate.

- Legal- disse ele, devolvendo as faixas. Ele que ria ter encontrado aquele baseado.

- D uma olhada nisso. - Georgie pegou um grande pote de plstico branco no ba e colocou
nas mos de Nate.

O pote chocalhou enquanto Nate o revirava. a nome de uma clnica veterinria para cavalos
estava impresso em um lado. Connecticut Equine Health. Ele olhou para Georgie de um jeito
indagador.

-  tranqilizante de cavalo. Eu j tomei. Meio comprimido  o bastante para te mandar a
outro planeta, eu juro.
Nate percebeu que havia minsculas gotas de suor no lbio superior dela, o que era
estranho, porque o sto no estava aquecido e ele estava congelando ali. Ele deu de
ombros e passou o pote para ela, desinteressado.

Georgie desatarraxou a tampa e sacudiu os enormes comprimidos brancos para a palma
suada da mo.

- Vamos. Est na hora de eu tomar um inteiro. Ou talvez a gente devesse tomar dois cada
um e ver o que acontece. - Seus cabelos escuros caram nos olhos e ela os afastou
impaciente com uma sacudidela enquanto contava os comprimidos.

Nate a encarou, sentindo-se assustado de repente. Tinha certeza absoluta de que Georgie
tinha tornado algum comprimido quando desapareceu no banheiro antes, e ela j estava

chapada antes disso, ento acrescentar tranqilizante de cavalo  mistura parecia a pior
idia que ele j ouvira. O que ele ia fazer com uma garota totalmente fodida no sto de
uma manso enorme em Greenwich, Connecticut, no meio da pior tempestade de neve da
histria da Nova Inglaterra?

- Acho que t fora. - Ele apontou para um pequeno dispositivo de metal no ba, pensando
que talvez, se desviasse a ateno dela, Georgie esquecesse os comprimidos.

- Um pico para casco - respondeu ela rapidamente, segurando os comprimidos. - O
cavalario usa para limpar os cascos dos cavalos. Vai, toma um.

Nate sacudiu a cabea, a mente procurando uma forma de tirar os dois do reino dos
comprimidos para cavalos e levar a um territrio seguro.

- Georgie - disse ele, olhando nos olhos castanho-escuros dela com seus olhos verde-
esmeralda brilhantes e pegando o pulso dela com fora para que os comprimidos de

cavalo se espalhassem no cho. Ele a pegou nos braos e beijou os lbios vermelho-escuros.
- Vamos l pra baixo, t legal?

Georgie deixou a cabea tombar pesadamente no peito dele.

- Tudo bem. - Ela vacilou. Os cabelos escuros e sedosos quase se arrastaram no cho
quando Nate a levou pelo longo corredor das escadas do sto at o quarto dela. Ele puxou o
cobertor branco felpudo e a colocou na cama, mas ela se agarrou a ele.

- No me deixe sozinha.

Nate no pretendia fazer isso. Quem sabia o que ela faria se ele sasse?

- Volto em um segundo - disse ele, afastando-se num puxo. Atravessou o quarto e foi at o
banheiro, deixando a porta entreaberta para poder pegar Georgie antes que ela fizesse
alguma idiotice. Alinhados na bancada perto da pia do banheiro havia trs frascos de
remdios com receita retida. Nate reconheceu o nome Percoset porque tinha tomado o

analgsico quando extraiu o dente do siso, mas no reconheceu os outros dois. Nenhum dos
trs fora receitado para Georgina Spark.

Ele lavou as mos e depois voltou ao quarto. Georgie estava deitada de bruos, toda
esticada em sua roupa ntima branca de algodo, roncando delicadamente e parecendo
muito mais inocente do que merecia. Nate se sentou ao lado dela e a observou por algum
tempo. Os ossos das vrtebras apontavam para fora, subindo e descendo com a respirao.
Ele se perguntou se devia ligar para algum, ou se era normal Georgie tomar um monte de
comprimidos e depois dormir.
Na reunio na Breakaway daquele dia, Jackie tinha dito que se eles estivessem com
dificuldades e precisassem de ajuda, podiam ligar para ela. Nate pegou o celular do bolso e
procurou o nmero de Jackie, que ela insistira para que todos gravassem durante a reunio.
Nate na hora pensou que no tinha como precisar dele. Ele se levantou e voltou para o
banheiro enquanto o telefone comeava a tocar.

Tocou por um bom tempo antes que Jackie finalmente atendesse, meio grogue.

- Sim?

Nate olhou o relgio, percebendo tarde demais que eram duas da manh.

- Oi - comeou ele devagar. -  o Nate Archibald, do seu grupo que se reuniu hoje - explicou
ele, desejando parecer menos chapado. - Eu, hmmm, estou na casa daquela

garota, a Georgie. Acabo de descobrir que ela tomou um monte de comprimidos e acho que
ela est legal... ela est dormindo... mas eu s queria te perguntar, sabe como , eu tenho
de fazer alguma coisa?

- Nate - disse Jackie num tom de urgncia, de repente parecendo que tinha acabado de
tomar dez xcaras de caf -, quero que leia os rtulos dos comprimidos para mim e, se

puder, me diga quantos ela tomou.

Nate pegou os frascos e leu os nomes. No falou nos comprimidos para cavalo, mas tinha
certeza absoluta de que Georgie no ingerira nenhum deles.

- No sei quantos foram. - Nate se sentiu desamparado. - Nao vi quando ela tomou.

- E tem certeza de que ela est dormindo? A respirao dela est regular? No vomitou nem
est sufocando?

Nate correu para o quarto, sentindo-se mais alarmado do que nunca, mas Georgie ainda
estava dormindo, as costelas expandindo-se e contraindo suavemente com cada respirao,
os cabelos escuros abertos no travesseiro em volta da cabea, parecendo exatamente a
Branca de Neve adormecida.

- T - disse ele, aliviado. - Ela t dormindo.

- Tudo bem. Quero que fique a e a observe. S tenha certeza de que ela no comece a
vomitar e, se vomitar, coloque-a sentada, incline-a em seu ombro e de tapinhas nas costas
para que ela no sufoque. Sei que parece desagradvel, mas voc quer que ela fique bem.
Quer ajudar na recuperao dela.

- T legal- respondeu Nate meio trmulo. Ele olhou para Georgie novamente, rezando para
ela no fazer nada esquisito.

- Vou mandar uma van da clnica.Vai demorar um pouco porque as estradas esto
praticamente fechadas, mas no acho que vocs estejam muito longe... eles vo acabar
chegando a. Est preparado para ficar firme, Nate? Lembre-se, voc  o nosso heri da
noite, nosso Prncipe Encantado, nosso cavaleiro da armadura reluzente.

Nate foi at a janela do quarto e espiou. Havia muita neve, a entrada de carros circular na
frente da manso estava indistinguvel do vasto gramado adiante. Ele no se sentia o
Prncipe Encantado - sentia-se intil e preso, como Rapunzel. J no tinha muitos
problemas?

- T legal - disse ele a Jackie, tentando parecer mais confiante do que se sentia. - A gente se
v. - Ele desligou e enfiou o celular no bolso traseiro.
 claro que nosso Prncipe Encantado no tinha conscincia nenhuma de que podia ter
acabado de salvar a vida da Branca de Neve. Mas e pelos heris relutantes dos contos de
fadas que nos apaixonamos sem parar, apesar de seus defeitos.




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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente !




A GENTE REALMENTE PRECISA FICAR PARECIDA COM A CHAPEUZINHO VERMELHO?




Em toda Fashion Week eu me pergunto por que todas as modelos nos desfiles usam trajes
espaciais, ou se vestem como Joozinho e Maria, ou esto basicamente nuas, quando eu no
seria vista nem morta daquele jeito na rua? Depois tenho de lembrar a mim mesma que os
desfiles na verdade sac um espetculo, e que todo o sentido da moda  divertir, estimular a
imaginao e fazer do mundo um lugar melhor. Moda  arte, e a arte imita a vida; no
precisa ter motivos. Quanto mais eu penso no assunto, mais fico ansiosa para me vestir
como Chapeuzinho Vermelho e zanzar por a procurando lobos. T na hora de comprar uma
capa vermelha!




O QUE ACONTECEU COM AQUELA NEVE TODA?




Como  que sempre que tem uma tempestade de neve seria na cidade, bastam algumas
horas para a neve derreter nas caladas e depois tudo voltar ao normal, bem a tempo da
escola na segunda-feira? Acho que  um compl para garantir que todos ns tenhamos de ir
a escola no Dia dos Namorados, que devia ser um feriado nacional total. Acho que vou tirar o
dia de folga, de qualquer forma. Seno, como vou curtir as rosas, os chocolates e as jias
que vou ganhar de meus admiradores secretos?




Seu e-mail



P: CaraGG,

Estou achando que essa garota que gosto talvez no goste de mim da mesma forma. Seu
site me d nimo.

- blue
R: Oi, blue,

Como voc sabe que ela no gosta de voc? J perguntou a ela? Lembre-se, porm, de que
sempre estarei aqui a sua disposio quando essa garota te deixar pra baixo.

-GG




P: cara gg,

voc  gostosona. quer ser minha namorada?

- oskar




R: Querido oskar,

Obrigada pelo elogio. Infelizmente eu j sou comprometida e pretendo ter uma noite bem
quente. Mas, se voc ainda assim quiser me inundar de presentes, eu definitivamente no
vou reclamar.

-GG




Flagra




B saindo de um hotel no centro sozinha, tarde da noite, e pegando o metr para o Uptown,
de todas as coisas chocantemente pobres. Imagino que ela achou que no seria reconhecida.
Errou. S, o Chief d'Affairs da Les Best e o prprio Les Best, usando seu tpico traje de
esqui preto, na calada da sede da organizao de caridade Little Hearts ontem de manh
cedo, com cara de que ficaram acordados a noite toda. Serena usava um suti rosa e a
jaqueta de esqui de um cara a. O que aconteceu com o namorado dela? N chegando a
Grand Central ontem  tarde, parecendo tonto e confuso, mas ainda lindo,  claro. D
cambaleando para fora de um txi e entrando na Agns B. Homme para comprar. Pera,
estamos falando do mesmo D? Acho que Agns B.  francesa, e ele sempre se julgou
existencialista, que  um conceito francs, mas pera... eu estou divagando. V filmando um
bull terrier largando um xixi amarelo na neve branca. Bem,  timo saber que ela no
mudou.

Que nosso Dia dos Namorados seja cheio de adorao, mimos e um par de lindas sandlias
Jimmy Choo de saltos fininhos que sac completamente inteis neste clima. S uma
lembrancinha. Vocs a merecem totalmente.




Pra voc que me ama,

gossip girl




o glac do bolo de b
Na segunda de manh Blair ficou apavorada com o grupo de discusso. No que ela se
importasse de falar de namorar meninos, ou da presso das colegas, ou do que quer que as
calouras quisessem falar. Afinal, hoje era Dia dos Namorados, ento todas na Constance
falavam de namorar meninos. O que a apavorava eram todas as perguntas que as alunas do
primeiro ano do grupo fariam a Serena sobre andar na passarela do desfile

da Les Best, como foi sair com todos aqueles modelos famosos e bla, bla, bla. Elas
provavelmente perguntariam sobre a camiseta I LOVE AARON idiota dela e o que estava
rolando entre ela e Aaron, porque elas ouviram falar, bla, bla, bla. Como se tudo isso fosse
muito interessante.

No .

Por que o mundo estava to cheio de imitadores quando havia tantas opes na vida? Blair
ps outra fatia do bolo de chocolate na bandeja para se certificar de ter alguma coisa para
fazer enquanto as meninas do grupo de discusso matavam-na de tdio.

- Oi. - Ela praticamente gritou quando se sentou na mesa apinhada alguns minutos depois de
o grupo ter comeado. - Desculpe pelo atraso.

- Est tudo bem - respondeu Serena alegremente. Tinha ganho um corte de cabelo e umas
luzes antes do desfile, e seus longos cabelos louros estavam ainda mais brilhantes e mais
perfeitos do que nunca. - Agente estava falando dos problemas de Elise com os pais. Ela
acha que o pai dela pode estar tendo um caso.

As mechas grossas e tingidas de morango de Elise estavam puxadas para trs e presas nas
laterais da cabea com pregadores rosa pequenininhos em forma de coraao. Havia crculos
escuros nos seus olhos azuis brilhantes, como se ela tivesse passado a noite em claro,
preocupada.

- Isso  uma merda - disse Blair em solidariedade. - Acredite em mim, eu sei o que  isso. -
Ela decidiu parar por a. O grupo de discusso podia ser um lugar para compartilhar, mas ela
no estava disposta a entrar em detalhes sobre os casos do pai com outros homens
enquanto ainda estava casado com a me dela.

Serena assentiu vigorosamente.

- Eu estava agora mesmo dizendo a elas como todas as famlias so totalmente fodidas. Na
verdade, Blair, sua famlia  um exemplo perfeito - acrescentou ela toda animada.

Blair se eriou.

- Muito obrigada - rebateu ela. - Mas no acho que todo mundo precise saber de meus
problemas agora.

Jenny roeu uma cutcula e bateu o p nervosamente na perna da cadeira. Ficou se corroendo
a manha toda achando que, assim que comeasse o grupo de discusso, Elise ia abrir a boca
e comear a falar de beijo entre pessoas do mesmo sexo. Graas a Deus Elise tinha outras
coisas em mente.

- De qualquer forma, no precisamos falar de nossas famlias confusas, se isso te incomoda -
disse Blair a Elise, tentando dar apoio.

Elise assentiu infeliz.

- Na verdade, eu tinha mesmo outra coisa que eu queria falar.

Jenny estremeceu.
Epa.

Blair assentiu, estimulando-a.

- Sim? E o que ?

Vicky Reinerson acenou. Estava usando uma capa vermelha de l parecida com a que Serena
vestiu no desfile da Ls Best, s que a dela parecia meio usada, como se tivesse pegado
emprestada com a av ou coisa parecida.

Imagino que ela no tenha entendido o recado de que as capas so para a moda do outono,
e no da primavera.

- h, depois que ela terminar, pode por favor contar sobre o desfile da Les Best pra gente,
Serena? - implorou Vicky. - Voc prometeu.

Serena riu como se tivesse toneladas de histrias para contar. Blair teve vontade de dar um
soco nela.

- A coisa mais maluca foi que fiz uma guerra de bola de neve com o prprio Les Best e eu
nem sabia que era ele! - Serena olhou para Blair, que a estava encarando. - Mas vou

deixar para o fim, se houver tempo. - Ela se virou para Elise novamente. - O que  que voc
estava dizendo mesmo?

O rosto de Elise ficou roxo como uma ameixa.

- E-eu queria falar de beijar - gaguejou ela. - De beijar meninas.

Jenny chutou as pernas da cadeira de Elise. Mary, Cassle e Vicky reprimiram o riso e se
cutucaram com o cotovelo. Isso ia ficar bom. Estava circulando um boato de que Blair e
Serena tinham se beijado na banheira de um quarto de hotel da famlia de Chuck Bass no
Tribeca Star, no centro.

- Acho que todo mundo deve poder beijar algum respondeu Serena. - Beijar  divertido!

Blair meteu o garfo numa fatia gigante de bolo de chocolate e enfiou na boca, tentando
pensar em alguma coisa que superasse o que Serena acabara de dizer.

- Os homens gostam de ver as garotas se beijando  declarou ela de boca cheia. - Fazem
isso o tempo todo nos filmes, s para excitar os homens. - Isso era verdade. Elas at

falaram disso nas aulas de cinema do Sr. Beckham.

- E a, Serena, como  que foi usar aquelas roupas legais da Les Best? - perguntou Jenny,
desesperada para mudar de assunto.

Serena esticou os longos braos graciosos sobre a linda cabea loura e suspirou feliz.

- Querem mesmo saber?- Todas do grupo, exceto Blair e Elise, assentiram ansiosas. - T
legal, eu vou contar.

Blair revirou os olhos, arriscando-se a calar a boca de Serena anunciando as novidades de
seu caso trrido com um homem casado de 38 anos, o que era muitssimo mais interessante
do que se pavonear em uma passarela com roupas que ningum ia usar. Ela olhou para a
mesa enquanto Elise escrevia o prprio nome repetida e furiosamente numa folha de
caderno. Elise Wells. Srta. Elise Wells. Srta. Elise Patricia Wells. E. P. Wells.
De repente Blair sentiu todo o contedo do estmago voltar a garganta. Wells? Esse era o
sobrenome de Owen. E Elise tinha acabado de dizer que achava que o pai dela estava tendo
um caso. Owen no tinha dito nada sobre uma filha, mas, agora que pensou no assunto,
Elise tinha os mesmos olhos e no alpendre Elise tinha acendido dois cigarros exatamente do
mesmo jeito que Owen fizera na sexta  noite no bar. Meu Deus. Pelo que Blair sabia, Owen
tinha dez filhos que s por acaso ele deixou de mencionar. Merda!

Blair arrastou a cadeira para trs e disparou para a enfermaria atrs do refeitrio, chegando
l bem a tempo de vomitar bolo de chocolate no tapete country feito a mo da enfermeira
O'Donnell. No era bonito, mas era a forma mais rpida de ser mandada para casa por
doena.

Assim que saiu, o refeitrio comeou a zumbir com o som de meninas contando verses do
que havia de errado com Blair Waldorf.

- Eu soube que ela tem uma doena rara. Ela perdeu todo o cabelo. Aquilo l  uma peruca -
anunciou Laura Salmon.

- Ouvi dizer que ela esta grvida de um cara mais velho. Ele  casado com um membro da
famlia real e quer se casar com ela, mas a mulher dele no d o divrcio - explicou Rain
Hoffstetter.

- Ai, meu Deus. Ento ela e a me dela podiam, tipo assim, ter bebs na mesma poca! -
guinchou Kati Farkas.

- Ela no est grvida, idiota. Ela tem distrbio alimentar - disse Isabel Coates s meninas
da mesma mesa em um cochicho confidencial. - Est lutando com isso h anos. Na mesa do
grupo de discusso, Serena corrigiu o mal entendido sem querer.

- Ela vai ficar tima assim que souber que entrou pra Yale.




apatia e poesia




- Feliz Dia dos Namorados, namoradinho. -Zeke Freedman cumprimentou Dan quando o
quarto tempo de histria americana estava prestes a comear. Ele passou a Dan uma sacola
de compras de papel rosa. -Aggie me pediu para lhe dar isso. Um mensageiro acaba de
colocar na mesa da frente.

As alas da sacola estavam amarradas com fita de cetim vermelho. Dan desfez o lao e
esvaziou o contedo da sacola na carteira: uma caixinha branca e um livro fino com capa de
couro. Dentro da caixa branca havia uma caneta de prata presa em uma corrente de prata.
Um carto dentro da caixa a descrevia como uma caneta antigravidade, do tipo usada por
astronautas no espao. Dan colocou a corrente em volta do pescoo e abriu o livro de couro
na primeira pgina, onde algum tinha escrito um bilhete: D um p na gravidade, seu
sedutor. Sacou?

Dan releu o bilhete, totalmente pasmo. Era estranho demais para Vanessa, o que significava
que definitivamente era de Mystery. O ltimo toque da sineta soou e o Sr. Dube entrou na
sala e comeou a apagar o quadro-negro. Dan colocou a sacola de presentes embaixo da
carteira e abriu o caderno, fingindo ouvir o que o Sr. Dube estava dizendo sobre o Vietn e a
apatia. A escola parecia to idiota e inconseqente quando
uma agente importante como Rusty Klein queria represent-lo e uma poeta intrigantemente
sensual e obviamente brilhante lhe mandara aqueles presentes muitssimo astuciosos de Dia
dos Namorados.

Depois Dan se lembrou de Vanessa e as mos dele comearam a tremer. Ele no mandou
nada para ela de Dia dos Namorados - no que Vanessa estivesse nessa de "besteirada de

feriado comercial", como a prpria Vanessa chamava, mas ele nem telefonou para ela. Na
verdade, seu maior problema era que... ele a traiu. E no traiu s beijando. Ele a traiu
traindo.

Opa.

Era tudo culpa da Mystery. Com aquele tomara-que-caia mostrando tudo e os dentes
amarelos e tortos ela o fizera se sentir como se ele morasse em um de seus poemas,
beijando uma garota enganadoramente estranha que ele criou em uma festa estridente e
excntrica que ele inventou. Ele no fora capaz de impedir que sua imaginao corresse
frouxa, mandando-o aos tropeos pela paisagem cheia de neve para o apartamento em
runas em Chinatown e transando com e1a em todo tipo de posio esquisita de ioga na
desconfortvel cama de futon de Mystery enquanto o sol se levantava sobre a cidade

deserta e coberta de neve. Era quase como se nada daquilo realmente tivesse acontecido.
Como se fosse fico.

S que no era fico. Ele traiu.

Dan ficou numa ressaca pavorosa s de lembrar do fim de semana e ficou profundamente
atolado na culpa existencial e na averso por si mesmo para responder aos incontveis
recados de Vanessa no celular.

Ele virou o caderno de histria de repente, fechando-o. E se escrevesse um poema para
Vanessa e mandasse por e-mail para ela durante p almoo? Isso seria mais significativo do
que flores, chocolate ou um carto brega de Dia dos Namorados.

A melhor coisa nisso era que ele no teria de falar com ela e talvez admitir que a havia
trado, porque ele no era muito competente em contar mentiras.

Agora o Sr. Dube estava escrevendo no quadro-negro. Dan fingiu tomar notas no caderno.

Anjos de giz, escreveu ele. Fabricando significados.

Depois ele pensou numa coisa que Mystery tinha dito quando eles estavam bebendo o quarto
ou quinto coquetel de Red Bull. Alguma coisa sobre como ela estava cansada de escrever
poemas obscuros que ficavam a margem do que ela realmente queria dizer. O sutil estava
por fora. O direto era o mximo.

Beije-me. Seja minha. Dan escreveu, imitando os slogans curtos sobre aquelas garotas dos
coraes de chocolate por quem ele sempre passava no Dia dos Namorados. Gostosona!

Ele releu as palavras sem realmente v-las. Sua mente ainda estava cheia demais da noite
com Mystery para processar qualquer outra coisa.Os cabelos louros, sujos e pegajosos dela
tinham cheiro de torrada, e quando ela tocou a barriga nua de Dan com as mos frias e
midas, todo o corpo dele se encrespou.

Ele sequer perguntou a ela o que ela queria dizer com morte prematura ou como o poema
"Putas" salvara a vida dela, mas ficou to inebriado pela taurina do Red Bull e pelos dentes
espantosamente amarelos que provavelmente no se lembraria da resposta.
Perdi minha virgindade novamente, escreveu Dan, o que era verdade. Transar com Mystery
foi como perd-la de novo. Seria possvel que toda vez que ele fizesse amor com uma
mulher diferente ele se sentiria assim?

Antes que conseguisse imaginar quem seria a prxima garota de sorte, a sineta tocou e Dan
foi arrancado de seus devaneios, fechando o cademo com uma pancada e enfiando-o sob o
brao.

- Ei, Zeke - chamou ele. - Pago o sushi do almoo se voc esperar que eu mande um e-mail
do laboratrio.

- T legal. - Zeke deu de ombros, tentando no parecer empolgado demais que o velho
amigo realmente estivesse dignando-se a lhe dar ateno novamente. Desde quando Dan

Humphrey, o rei do rolinho primavera barato e do caf vagabundo, comia sushi?

- Soube que teve uma sexta-feira de sorte!  gritou Chuck Bass para Dan quando eles se
cruzaram na escada. Chuck usava o suter azul-marinho do uniforme da Riverside Prep

com gola em V sem nada por baixo. - Bom trabalho.

- Obrigado - murmurou Dan, correndo pela escada at o laboratrio de computao. Estava
se iludindo ao se convencer de que, mesmo que Vanessa descobrisse sobre ele e Mystery,
assim que recebesse seu ltimo poema, ela o perdoaria.

Como Mystery tinha escrito no bilhete - ele era um sedutor.




as meninas se apaixonam por admiradores secretos




Vanessa se sentia meio ridcula ao lado de garotas desesperadas na apinhada e
superaquecida sala do laboratrio de computao da Constance Billard, todas verificando o
e-mail pela centsima vez para ver quem lhes havia mandado um pattico

e-card de Dia dos Namorados ou colocado uma mensagem na pgina do Admirador Secreto
delas, a nova tradio alarmantemente pouco criativa que a escola tinha inaugurado no Dia
dos Namorados passado. Mas Dan em geral entrava na rede pelo menos uma vez por dia, e
como ele andou to ocupado no fim de semana encontrando-se com Rusty Klein no desfile
da Better Than Naked e no teve oportunidade de ligar para ela o fim de semana todo, ela
imaginou que ele poderia tentar mandar um e-mail para ela hoje, em especial porque era
Dia dos Namorados - no que qualquer um dos dois realmente ligasse para essa besteirada
de feriado comercial.

 claro que no.

- Oi - ela ouviu algum dizer. Era a irm mais nova de Dan, verificando a pgina do
Admirador Secreto no ltimo terminal.

- Oi, Jennifer.

Jenny recuou na cadeira preta giratria e depois se puxou para a frente de novo. Tinha feito
escova nos cabelos crespos e castanhos e parecia mais velha e mais sofisticada do que o
habitual.
- E a, voc e Dan devem ter se divertido muito no desfile. Ele s chegou em casa, tipo
assim, na sexta  tarde. Meu pai ficou resmungando sobre como ns dois ramos mimados e
irresponsveis, mas depois esqueceu completamente de brigar com o Dan. Como sempre.

Vanessa passou a mo na cabea praticamente raspada.

- Na verdade, eu no fui ao mesmo desfile que ele. Fui convidada para outro.

Jenny ficou confusa.

-Ah.

No fundo de sua mente Vanessa sentiu que alguma coisa estava errada. O que Dan andou
fazendo o tempo todo, alis? Mas, novamente, a neve tinha atrapalhado tudo. Talvez ele
tenha passado a noite na casa do Zeke ou coisa assim. Zeke morava no centro.

Ela entrou com o login de gatacareca, senha miau, e clicou na caixa de entrada. E claro que
havia uma mensagem de Dan, e - que surpresa - era um poema. Vanessa leu o poema
ansiosamente, sorrindo quando reconheceu que Dan no tinha feito absolutamente nenhum
esforo naquilo. Gostosona? O que era aquilo tudo? E o que era aquele "Perdi minha
virgindade novamente"? Que porra de brincadeira era aquela do Dan?

Ela clicou em responder e escreveu: R-r. Eu ri. Eu chorei. O que  que t rolando, alis?
Devamos estar fazendo um filme juntos, lembra?

Enquanto esperava pela resposta de Dan, ela entrou na pgina do Admirador Secreto. Para
sua surpresa, havia quatro mensagens:




No consigo parar de te elogiar com todos os meus amigos. Ningum mistura forma e

significado como voc, milady.  prettyboy




Voc deu a este mundo de merda um novo tipo de beleza. Continue imprevisvel. - d.




Feliz Dia dos Namorados para minha irm muito especial em um dia especial. -RubyTuesday




D pra voc ir a Cannes? Vamos tomar um caf e conversar no Brooklyn Thurs.  noite? - o
cineasta que te descobriu




Vanessa revirou os olhos quando leu a ltima. Ela apreciava o que Ken Mogul tinha feito por
ela, mas ele no a havia descoberto, no exatamente. Ela estava ali o tempo todo.

Ela clicou na caixa de entrada novamente mas no havia resposta de Dan, ento ela saiu.

- At mais - sussurrou ela para Jenny, cujos grandes olhos castanhos estavam colados no
computador.

- A gente se v  respondeu Jenny sem desviar os olhos. Havia trs mensagens em sua
pgina do Admirador Secreto.
desculpe por no ter te dado um doce, mas no sabia bem de que tipo voc gosta. vamos
comer um depois da aula. No estou a fim de ir direto pra casa, de qualquer forma. -
garotatriste




alis, quando voc quer terminar aquele quadro? - eu de novo




Aquelas duas eram definitivamente de Elise, mas a terceira parecia ser de um garoto
autntico, da vida real.




Desculpe por demorar tanto, mas no tive coragem para te escrever antes. Se quiser

me encontrar, eu pego o circular da rua 79 para casa depois da aula. No tenho certeza de
como voc , mas se vir um cara realmente alto e magro de cabelo louro olhando para voc
do nibus, sorria, porque provavelmente serei eu. Feliz Dia dos Namorados, Humphrey.
Estou doido para te conhecer. Com amor, L




Jenny releu a mensagem vrias vezes. Um cara alto e magro de cabelo louro? Parecia
exatamente o cara que ela tinha visto na Bendel's! Mas o que significava L? Lester? Lance?
Louis? No, aqueles nomes soavam muito estranhos, e a mensagem no era nada esquisita,
era s doce. Mas como foi que ele conseguiu o e-mail dela? Ah, quem liga pra isso? Ela nem
estava acreditando: ele queria conhec-la!!

Jenny imediatamente deletou as mensagens de Elise e correu para a impressora para pegar
a de L.  claro que ela pretendia rodar no circular da rua 79 a tarde toda e a noite toda, se
era o nibus que ele pegava. Mas, Deus me livre, se eles nunca se encontrassem, Jenny teria
de tratar aquele bilhete de amor com carinho e guard-lo para todo o sempre.

E ela que pensava que no ia mais se apaixonar. Viu como o Dia dos Namorados pode ser
mgico?




abraar, e no se drogar




- Voc no ligou para a emergncia?  perguntou Jeremy Scott Thompkinson a Nate
enquanto desbelotava a erva no papel EZ Wider aberto no joelho direito.

- D um tempo pro cara - observou Charlie Dern. - Ele tava chapado, lembra?

- Eu ia dizer assim: "Valeu, sua maluca da porra! No ligo se voc vai apagar!" - brincou
Anthony Avuldsen.

Jeremy tinha conseguido roubar um pouco da erva do irmo mais velho que estava em casa,
de visita da faculdade, e agora os quatro garotos estavam espremidos em um alpendre
afastado na East End Avenue tirando uma folga antes da aula de educao fsica.

Nate soprou nas mos nuas e as enfiou nos bolsos do casaco revestido de cashmere.
- Sei l. - Ele ainda se sentia muito confuso consigo mesmo. - Acho que eu s queria ligar
para algum que conhecia a gente. Algum em quem eu pudesse confiar.

Jeremy sacudiu a cabea.

- Cara, isso e exatamente o que aqueles psiquiatras da reabilitao querem que voc faa.
Eles j te programaram direitinho.

Nate pensou na forma como Georgie imitava a bobajada psicolgica piegas de Jackie - toda
aquela coisa de curar feridas e amizades negativas. No parecia que Georgie tivesse sido
programada. De repente Nate se perguntou se ela estava com raiva por ele ter ligado para
Jackie. Georgie agora estava o tempo todo na Breakaway e no tinha permisso para
receber nenhum telefonema, para o caso de um dos traficantes ligar ou coisa assim. Nate
esperava v-la de novo no grupo.

- Quanto tempo voc vai ter de lidar com aquela besteira de reabilitao?- perguntou
Charlie. Ele pegou o baseado aceso e deu um tapa.

- Seis meses - respondeu Nate. - Mas pelo menos no tenho de morar l. - os outros
meninos entoaram suspiros entediados e solidrios de nojo. Nate no disse nada. Embora

nunca tivesse admitido, ele meio que gostava de ir para a reabilitao e se encontrar com
gente diferente nos grupos, em especial com Georgie. Ele ficava meio triste quando acabava.

- Caraca - disse Charlie, passando o baseado a Nate.

Nate olhou o baseado e sacudiu a cabea.

- No, obrigado - murmurou a meia voz. Tinha um corao de papel vermelho amassado na
calada diante do alpendre onde os quatro estavam sentados. -  Dia dos Namorados? -
perguntou ele, distrado.

-  - respondeu Anthony. - Por qu?

- Uh - replicou Nate. Ele se levantou e espanou a neve das costas do casaco preto Hugo
Boss. Pelo que parecia uma eternidade, ele sempre mandava rosas especiais no Dia dos

Namorados. - Tenho de fazer uma coisa. Pego vocs na educao fsica, t legal?

Os amigos o observaram se arrastar decidido pela lama em direo a Madison Avenue at
ficar fora de vista. Alguma coisa estava acontecendo com o velho amigo Nate Archibald, e
no era s que ele tenha rejeitado um baseado pela primeira vez desde os dez anos de
idade.

Ser possvel, mas ser possvel mesmo, que ele esteja apaixonado?




o dia n virou um dia d para b




Blair cobriu a boca com a mo e procurou no pensar em Owen em todo o caminho para
casa para evitar vomitar no banco traseiro do txi. Mas quando saiu do elevador de painis
de madeira e entrou na cobertura, suas narinas foram bombardeadas pelo cheiro ptrido de
rosas, levando o estmago a se revirar agourentamente mais uma vez. Todo o hall da frente
estava cheio delas. Rosas amarelas, brancas, cor-de-rosa e vermelhas. Ela largou a bolsa no
cho e leu os cartes nos buqus.
A  Voc  meu docinho. Com amor, S, dizia o carto das rosas amarelas.

Audrey, minha aristocratazinha preferida, gostaria de ser minha namorada? Com amor,
Cary, dizia o carto das rosas vermelhas.

Minha querida Sra. Rose, que nossa filhinha seja to adorvel e to maravilhosa como voc e
que seja feliz como eu sou a cada dia que passo a seu lado. - Seu marido que a ama, Sr.
Rose, dizia o carto do buqu rosa e branco.

Como se um desses cartes no fosse o bastante para Blair revirar as tripas j reviradas, ela
ainda foi bombardeada com trs bilhetes extraordinariamente repulsivos. Atirando o casaco
no cho, ela cambaleou para o banheiro mais prximo para esvaziar o estmago novamente.

- Me! - gritou ela, limpando a boca em uma toalha de hspedes cor de pergaminho com o
monograma R.

- Blair? - respondeu a me. Eleanor Waldorf andou lentamente pelo corredor usando uma
roupa Chanel rosa de l que estava folgada na cintura para acomodar a barriga de cinco
meses de gravidez. O cabelo louro com luzes estava puxado para trs em um rabo-de-cavalo
elegante e ela usava chinelos de pele de coelho branca e levava o celular. Como a maioria
das socialites do East Side, Eleanor passava ao telefone todo o tempo em que no estava em
almoos ou no cabeleireiro. - O que est fazendo em casa? - perguntou a filha.  Est
doente?

Blair apertou a barriga e evitou olhar para a me.

- Vi o carto de Cyrus - grasnou Blair. - Vocs vo ter uma menina?

A me sorriu exultante para ela, os olhos azuis brilhando em xtase.

- No  maravilhoso? Descobri hoje de manh.  Ela estalou os chinelos na direo de Blair e
atirou os braos no pescoo da filha. - Cyrus sempre quis uma menina. E agora,

quando voc vier da faculdade, ter uma irmzinha para brincar!

Blair fez uma careta enquanto o estmago dava outra volta a meno da faculdade.

- Espero que no se importe - tagarelou Eleanor.  Mas estamos planejando transformar seu
quarto no quarto do beb porque estamos sem espao. Voc e Aaron logo estaro na
universidade, de qualquer forma. No se importa, no , querida?

Blair encarou a me com os olhos vagos. No tinha desejado um meio-irmo nem um
padrasto, e certamente no queria uma irm nenm, em especial no uma que ia tomar
conta do quarto dela.

- Eu vou me deitar - respondeu ela com a voz fraca.

- Vou mandar Myrtle levar um caldinho para voc disse a me atrs dela.

Blair bateu a porta do quarto e afundou na cama, enterrando a cabea nas profundezas dos
travesseiros de pena de ganso extramacios. Kitty Minky, a gata russian blue cinza, pulou nas
costas dela e amassou as patas no suter preto e branco Fair Isle de Blair.

- Ajude-me - murmurou Blair infeliz para a gata. Se ao menos pudesse ficar deitada ali at o
fim de agosto e depois ser levada de helicptero a seu novo quarto nos alojamentos

de Yale, pulando todas as partes ruins do roteiro do filme que era sua vida, as partes que
precisavam ser reescritas.
Por hbito, ela estendeu a mo e apertou o play da secretria eletrnica na mesa-de-
cabeceira, mantendo os olhos fechados enquanto ouvia.

"Oi, Blair,  o Owen. Owen Wells. Desculpe por no poder ligar antes. O que aconteceu? Eu
acordei e voc tinha ido embora. De qualquer forma, feliz Dia dos Namorados, linda. Me liga
quando tiver um tempinho. Tchau."

"Oi, Blair,  o Owen de novo. Recebeu minhas flores? Espero que tenha gostado. Me liga
quando tiver um tempinho. Obrigado. Tchau."

"Oi, Blair. Sei que est meio em cima, mas gostaria de jantar comigo? Hmmm,  o Owen,
alis. Os planos no fronte domstico mudaram e estou livre. Ento, que tal Le Cirque hoje 
noite, linda? Me liga."

"Oi, Blair. Reservei uma mesa no Le Cirque..." Blair atirou a secretria eletrnica para fora
da mesa-de-cabeceira e a desplugou. No se importava que Owen tivesse a voz mais

sensual e fosse o melhor beijador de toda Nova York. Ela no podia mais bancar a Audrey
para o Cary dele, no depois de Cary se revelar um papai mentiroso, traidor, filho da puta e
obsceno. Ela nem ligava se Owen dissesse a Yale que ela era uma doida idiota que no
duraria mais de duas semanas l. Foda-se Owen e foda-se Yale.

Ela pegou o telefone e discou o nmero do celular de Owen. Foi o nico numero que ele deu
a ela, provavelmente porque era o nico telefone que ele mesmo podia atender.

- Blair? - respondeu Owen ansioso ao primeiro toque.

- Por onde voc andou? Fiquei tentando te achar o dia todo!

- Na escola? - rebateu Blair. - Sei que faz muito tempo para voc, mas  para l que eu vou
durante a semana, o lugar onde nos ensinam coisas. S estou em casa agora porque

no estou me sentindo bem.

- Ah. Acho que no vai jantar, ento?

A voz de Owen no parecia nada sexy, agora que ela sabia do completo babaca que ele era.
Blair foi at o espelho de corpo inteiro e examinou o cabelo. J parecia um pouco maior.
Talvez no levasse tanto tempo para crescer de novo. Ou talvez o cortasse ainda mais curto.
Ela puxou o cabelo para trs com fora para ver como ficaria supercurto.

- Eu conheo sua filha - sibilou ela ao telefone enquanto andava para o armrio e vasculhava
a gaveta de cima at encontrar a pequena tesoura antiga de prata que herdara da av e que
nunca teve muita utilidade.

- B-blair... - gaguejou Owen.

- V se foder. - Blair desligou o telefone e o atirou na cama. Depois, pegando um punhado
de cabelo, ela comeou a retalh-lo com a tesourinha de prata.

Adeus, Audrey Hepburn; ol, Mia Farrow em O beb de Rosemary!




Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas
Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente !




A FORMA MENOS DOLOROSA DE DIZER ADEUS




 triste, mas  verdade. A realidade do Dia dos Namorados  que ele exige dos
relacionamentos coisas com que os relacionamentos podem no conseguir lidar. O que voc
faz quando os dois sabem que acabou e voc s quer se afastar para poder comear a
estourar os cartes de crdito em presentes para si mesma em vez de para outra pessoa? Na
minha vasta experincia com rompimentos dolorosos, quanta menos voc disser melhor. No
estrague as coisas. Um simples gesto significa muito mais. Um convite para fazer alguma
coisa "com a turma" em vez de sozinhos. Um beijo terno no rosto. Um aceno de adeus. E
no ouse devolver presente nenhum. Eles so seus! Fique com eles.




UMA COISA QUE VOC PODE NO TER PERCEBIDO SOBRE MIM



Eu sou real. Isso quer dizer que fao aniversrio. Na segunda que vem farei 18 anos, vou dar
uma festa e todos esto convidados.

Sei o que voc est pensando.  segunda-feira. Mas na verdade, o que mais voc tem para
fazer numa segunda  noite? O dever de casa de latim? Uma mscara facial? Alm disso, a
semana vai voar depois disso, eu prometo.

Quando? Segunda, das 9 da noite at amanhecer.

Onde? No Gnome. No esquenta se nunca ouviu falar dele.

Ningum ouviu.  um clube novssimo e muito maneiro na Bond Street que vai fazer a
inaugurao na noite da minha festa. No  doce?

O que levar? Voc mesmo, seus amigos mais lindos e,  claro, um presente!




Flagra




B ausente da escola pelo segundo dia seguido. D esperando no saguo do Plaza Hotel
parecendo nervoso com a roupa nova elegante Agns B. S no ateli de Les Best
experimentando um lindo vestido amarelo girassol para uma sesso de fotos. J andando no
circular da rua 79, indo e voltando pelo parque durante horas. A tocando guitarra no trem de
volta de Scarsdale, onde ele ficou escondido por dias. N correndo pelo Central Park - uma
vida to limpa resulta num cara cheio de energia!




Seu e-mail
P: Cara Gossip Girl,

Beijei uma menina (sou menina tambm), mas isso no quer dizer nada. Na verdade, tem
um garoto de que eu gosto. O que devo dizer a essa menina sem magoar os sentimentos
dela, porque ela  minha amiga?

- doisproblemas




R: Cara dois,

Nunca acreditei muito na teoria de que beijar algum  uma promessa de que voc no vai
beijar mais ningum. Beijar  divertido. Por que se limitar s a um beijador? O truque  dizer
a pessoa que voc s est se divertindo, no pretende se casar nem nada. Alis,  melhor
fazer isso antes de beijar, e no depois.

-GG




P: Estou presa na reabilitao e posso entrar na Web, mas algumas contas de e-mail esto
bloqueadas e por isso no posso mandar uma mensagem aquele garoto que estou

namorando e sinto saudade dele. Ele at me mandou rosas! Por sorte eu posso entrar no seu
site e a posso dizer ao mundo que estou apaixonada. Talvez, quando eu sair daqui, a gente
possa tomar umas pra comemorar. Por minha conta.

- rehab babe




R: Cara babe,

Em vez de a gente beber quando voc sair, voc devia comear o seu prprio site. Ou
escrever um livro.  s uma sugesto.

-GG




No se esqueam da minha festa... Esperem a lista de presentes!




Pra voc que me ama,

gossip girl




o estilo de vida dos ricos e famosos




Na quarta-feira depois da aula, Dan estava parado no saguo do Plaza Hotel, remexendo no
colarinho do palet do novo terno Agns B. preto e agarrado ao caderninho com capa de
couro vermelho que Mystery tinha dado a ele no Dia dos Namorados.
Ele s havia ido ao Plaza uma vez, quando ele e Vanessa foram ao Central Park para filmar
patinadores do gelo e ela teve de usar o banheiro. Mesmo no novo terno elegante

ele se sentia deslocado naquele ambiente suntuoso.

Mas estava comeando a se acostumar com isso. Afinal, estava prestes a se tomar um autor
muito famoso que ia tomar ch com a agente em hotis de luxo regularmente.

Plebeu em um castelo de espelhos, pensou de, formando o comeo de um poema.

- Daniel! - Dan ouviu Rusty Klein gritar do outro lado da sala. Desta vez ela estava usando a
peruca vermelha em grossas mechas dos dois lados da cabea, e sua imensa constituio de
mais de 1,80 metro estava coberta por um robe de gueixa japons preto e incomum
pontilhado de florezinhas brancas, acompanhado de botas de veludo preto com saltos agulha
- como se ela j no fosse alta o bastante. Mystery estava ao lado dela parecendo um
fantasma faminto em um vestido esfarrapado cor de ameixa e botas gastas de couro
marrom. A clavcula se destacava do corpo esqulido como uma asa de avio e os lbios
estavam to rachados que eram completamente brancos.

A princesa esqueltica  carregada em um raio de p.

- Oi. - Dan as cumprimentou casualmente, como se ele sempre fosse ao Plaza depois da
aula. Dentro da camisa Agns B. branca, a caneta antigravidade de prata que Mystery

lhe dera batia no peito plido. - Obrigado pelos presentes. Rusty arrastou-o para um abrao
de urso, sufocando-o com o desagradvel perfume de leo de peixe e manchando a
bochecha dele de batom rosa-alaranjado.

- Mystery e eu nos divertimos muito comprando para voc, querido! Tivemos de nos obrigar
a parar.

Mystery passou a lngua nos dentes amarelos.

- Estvamos bebendo martnis e desconstruindo Kafka como duas velhas patetas - grasnou
ela, parecendo que estava bbada e no dormia h semanas. Ela piscou os olhos cinza
sonolentos. - Agora que voc chegou, posso comer. Voc me mata de fome.

Ossos envolvidos em asas de mariposa costurados com teias de aranha.

-  por aqui. - Rusty deu uma risadinha, ignorando a estranha declarao de Mystery. Ela os
conduziu pelo imenso saguo, para dentro de um grande salo de ch cheio de espelhos
dourados, cristal tilintando e senhoras abertamente perfumadas com cabelos recm-
penteados. A mesa redonda com toalha branca tinha sido posta com um servio de ch de
prata e uma bandeja de prata em trs camadas cheia de bolos recm-assados, potes de
gelia e minsculos sanduches de pepino no po sem casca. Duas taas de martni pela
metade estavam sobre a mesa, prontas para ser esvaziadas.

- Fizemos uma festinha para comemorar a estria de Mystery - explicou Rusty alegremente.
Ela se sentou e virou o resto da bebida.

A rainha da poesia d um arranco tentador.

Dan se sentou ao lado dela e ps o caderninho de couro vermelho na mesa.

- Que estria?

Rusty pegou um bolo de blueberry e o lambuzou de manteiga, enfiando tudo em sua enorme
boca rosa-alaranjada, onde desapareceu imediatamente.
- Meu Deus, voc trouxe seu bloco de anotaes. Anda escrevendo tudo? Lembre-se, nada e
inconseqente! - Ela piscou para Mystery. - Quem sabe? Tudo pode acabar num

livro!

Mystery riu e olhou para Dan.

- Terminei meu romance - confidenciou ela com a voz rouca.

Casa em chamas! Casa em chamas!

Dan passou o polegar nos dentes do garfo enquanto absorvia a informao. Mystery tinha
terminado de escrever todo um romance em menos de uma semana e s o que ele fez foi
escrever um poema vagabundo de Dia dos Namorados para Vanessa. Ele nem conseguiu
suportar ler a resposta de Vanessa depois de lhe mandar o poema, de to ruim que ficou.

- Mas eu pensei que tivesse acabado de comear  disse ele, sentindo-se estranhamente
trado.

- E foi. Mas no domingo  noite eu ca do plat e continuei com mpeto, e s consegui parar
de escrever quanto terminei.

Mandei por e-mail para Rusty hoje ao amanhecer, assim que a limpeza das mas estava
chegando. Ela j leu todo o livro.

Diz que sou a Virginia Woolf do futuro!

- Achei que voc fosse a Sylvia Plath do futuro  acusou Dan, rabugento.

A princesa mariposa evita roubar carne.

Mystery sacudiu os ombros magros e despejou uma colherada de acar no martni,
mexendo-o pensativamente antes de pegar a taca com as duas mos e tomar um gole.

- Alis, vamos falar de voc, Dannyboy. - Rusty praticamente gritou. - Ah, que merda. -Ela
pegou o celular rosa da bolsa, apertou uns botes e o ergueu para ouvir. - Esperem

um pouco, meus amores. Tenho de pegar meus recados.

Dan esperou, observando Mystery enfiar tantas colheres de acar no martni que parecia
menos um martni e mais um 7-Eleven lamacento. Ele no tinha percebido antes, mas as
unhas tortas e rodas de Mystery eram to amarelas quanto os dentes.

Rusty atirou o celular no meio da mesa.

- Acho que voc devia escrever suas memrias  disse ela a Dan, pegando outro bolo e
quebrando-o ao meio. - Memrias de um jovem poeta. Adoro! - gritou ela. -Voc  o

Rilke do futuro!

A rainha dos palhaos tira um coelho rosa dos cabelos.

Dan pegou a caneta. Queria escrever algo sobre as unhas amarelas de Mystery no bloco de
anotaes e como era surpreendente que ele no conseguisse se desligar delas. Na verdade,
elas deixavam-no excitado.

- Mas como posso escrever minhas memrias se s o que eu fao  ir a escola? -argumentou
ele, infeliz.  Nada grande acontece comigo. - Ele pegou a chaleira com as mos trmulas e
despejou um ch Earl Grey quente e fragrante em sua xcara branca. Ah, cafena.
Rusty bateu na capa do bloco de anotaes com as unhas compridas e rosa-alaranjadas.

- Pequenas coisas,querido. Pequenas coisas.E voc pode pensar em adiar a faculdade e
escrever por um ou dois anos, como Mystery. - Ela limpou a boca com um guardanapo de
tecido branco, manchando-o de batom. - Inscrevi voc e Mystery em um recital de poesia no
Rivington Rover Poetry Club amanh  noite. Buckley j est distribuindo as filipetas.  a
nova moda. Todos os velhos clubes de poesia estio voltando. Vocs conseguiro se sair bem.
E digo mais: a poesia  o rock'n'roll do futuro!

Mystery deu uma risadinha e chutou a canela de Dan debaixo da mesa como uma bbada
imbecil. Dan ficou tentado a retribuir o chute porque meio que doeu, mas no queria ser
imaturo.

Rusty estalou os longos dedos e o garom apareceu instantaneamente.

- D a estas crianas o que o corao delas desejar - orientou ela. - Tenho de correr, meus
queridos. Mame tem uma reunio. - Ela soprou beijos para os dois e depois saiu

estalando os saltos pela sala com o vestido de gueixa, virando cabeas com suas tranas
enormes e estatura imensa.

A me pssaro voa do ninho, deixando a princesa e o plebeu de bico aberto.

Mystery engoliu o resto do martni de Rusty e olhou com um ar exausto para Dan com os
olhos cinza cados.

- Toda vez que Rusty fala seu nome eu sinto o corao descer at a coxa - confessou ela
guturalmente.  Fiquei dominada pelo desejo a semana toda, mas consegui canalizar

essa energia animal em meu livro. - Ela deu um risinho. Os dentes pareciam ter sido
pintados de lpis de cor amarelo. - Algumas partes dele so totalmente porns.

O plebeu se transforma em prncipe. Para cunhar uma expresso, estou entronizando.

Dan pegou um sanduche de pepino e o enfiou na boca, mastigando-o violentamente sem
sequer sentir o sabor. Ele devia ir para casa e escrever suas memrias. Devia ter uma

namorada. Devia dar o fora nessa garota decididamente insana, excitada e de dentes
amarelos. Mas a verdade era que ele tambm estava excitado. Ele perdeu a virgindade duas
vezes e mal podia esperar para perd-la vezes sem conta.

- Vamos - chamou Mystery, estendendo a mo de unhas amarelas. -Vamos pegar um quarto
e colocar na conta da Rusty.

Dan pegou o bloco de anotaes e seguiu-a para a recepo.A poesia que se danasse. Ele
no conseguia resistir a seguir esta historia at o prximo captulo.




I de love




Jenny no conseguia ter certeza se o L que lhe mandara um bilhete no Dia dos Narnorados
era realmente o garoto da Bendel's. Podia ser um nerd total ou um velho pervertido e
grosseiro, mas no fundo ela estava apaixonada por ele. Sentia-se como uma garota em um
conto de fadas apaixonada por um mascarado, e estava decidida a andar no circular da rua
79 at encontr-lo pessoalmente. Segunda e tera ela rodou sozinha
no nibus at as sete da noite, sem sorte. Na quarta depois da aula, Elise foi com ela.

- No entendi. Por que estamos fazendo isso de novo? - perguntou Elise. Ela j havia
terminado todo o dever de casa e estava olhando pela janela por sobre o ombro de Jenny,

quase chorando de tdio.

- Eu te disse. Deixei meu gorro favorito no nibus hoje de manh e, se eu pegar vrios
nibus, tenho certeza de que vou encontrar - mentiu Jenny.

- Algum provavelmente pegou - argumentou Elise. - Aquele seu gorro bonitinho, vermelho
e felpudo? Tenho certeza de que algum pegou.

Uma mulher de meia-idade e tornozelos inchados, usando um impermevel deselegante e
lendo o Wall Street Journal, olhou para elas como as pessoas sempre olham para
adolescentes quando esto falando em pblico. Tipo assim, pode por favor apertar o boto
mute? Bem, com licena.

- S este ltimo e depois a gente pode ir pra casa  prometeu Jenny, embora tenha
prometido a mesma coisa dois nibus atrs.

Elise ps a mo no joelho de meias pretas de Jenny e deixou a mo ali.

- Eu no ligo. No tenho nada melhor para fazer mesmo.

Jenny esperou que Elise tirasse a mo.

- O que est fazendo? - sussurrou ela alto.

- Com o qu?

- Com a sua mo.

- O livro diz para expressar seu afeto com carcias delicadas - declarou Elise.

- Mas no quero que voc expresse. Alm disso, estamos em um nibus - sibilou Jenny,
empurrando a mo de Elise para longe. A ltima coisa que ela queria era que L visse ela e
Elise acariciando-se. Meu Deus. Que coisa constrangedora.

- Qual  o problema com isso? - reclamou Elise, esmurrando a perna de Jenny assim que o
nibus passou por uma lombada. Jenny escorregou do banco e caiu no cho, a bunda
batendo com fora nos sapatos da vizinha.

Jenny fechou os olhos, mortificada demais para abri-los.

Se seu admirador secreto estivesse vendo agora, no ia mais escrever nenhum bilhete de
amor para ela. O nibus deu um solavanco em outra lombada enquanto rugia pelo parque e
os peitos de Jenny balanaram impiedosamente, como se ela j no tivesse o bastante.

- Vem. - Algum pegou o brao dela.

- V se foder  murmurou Jenny, totalmente humilhada.

Ela afastou a mo com uma pancada e lutou para se colocar de p. Uma cabea loura
assomou acima dela. Alto. Nariz bonito. Olhos castanho-claros com clios alourados. Era ele o
garoto da Bendel's!

- Voc est bem? - perguntou ele. - Tem um banco vazio aqui atrs. Por que no se senta? -
Ele pegou a mo dela e a empurrou para trs atravs da multido.
Jenny escorregou para o banco duro e estreito e olhou para o garoto, o corao aos saltos.
Ele parecia ter uns 16 anos e era perfeito, simplesmente perfeito.

- Voc  L? - perguntou ela sem flego.

Ele sorriu, tmido. Um dos dentes da frente estava meio lascado.

- Sou. Meu nome  Leo - respondeu ele.

Leo.  claro.

- Eu sou Jennifer! - Ela praticamente gritou, de to excitada que estava.

- Jennifer - repetiu Leo, como se fosse o nome mais extraordinariamente bonito que ele j
ouviu.

Elise se enfiou por entre a multido da hora do rush e semicerrou os olhos azuis para Jenny.

- Ei, desculpe por ter te empurrado. Voc t legal?

Leo deu seu adorvel sorriso de dente lascado para ela como que para dizer que qualquer
amiga de Jenny era amiga dele.

O primeiro instinto de Jenny foi rosnar para Elise fechar a matraca, para que ela e Leo
pudessem se conhecer em paz. Mas ela no queria que Leo pensasse que ela fosse uma
piranha total. O homem sentado ao lado dela se levantou e Jenny deu um tapinha no banco.

- Senta.

Elise largou o corrimo e caiu com um baque no banco.

- Oi - disse ela, olhando para Leo. Ela bateu o joelho na perna de Jenny quando o
reconheceu. - Oi.

- Elise, este  Leo. Leo est  Elise. - Jenny os apresentou com gentileza. O nibus parou
abruptamente e Leo colocou a mo no ombro dela para se apoiar. Ai, meu Deus. Ele

tocou em mim! Ele tocou em mim!

Jenny podia sentir Elise analis-los enquanto tentava deduzir o que estava acontecendo.

- Voc tambm  da Constaace Billard?  perguntou Leo a Elise.

Elise assentiu, parecendo totalmente confusa. De repente, Jenny se sentiu mal por ela. Ela
colocou o brao em volta da amiga e sorriu para Leo.

-  minha melhor amiga.

Elise deu uma risadinha e deixou a cabea tombar no ombro de Jenny.

- Acho que voc encontrou seu gorro - cochichou ela baixinho.

-  - Jenny riu de volta, aliviada por Elise ser legal o bastante para no fazer perguntas
demais. Quando ficassem sozinhas, ela explicaria tudo, como grandes amigas deviam

fazer. Ela olhou para o rosto perfeitamente estruturado e perfeitamente pintvel de Leo,
desfalecendo quando de lampejou novamente o sorriso tmido de dente lascado.  Eu sabia
que seu nome no podia ser Lance.
v rejeita a oportunidade de filmar peixes em decomposio!




- Fico feliz por voc ter vindo - disse Ken Mogul na quarta  tarde quando Vanessa se juntou
a ele em um reservado no Chippies, a nova cafeteria de Williamsburg, na rua em que ela
morava. Ele empurrou uma caneca fumegante de capuccino para ela. - Pedi para ns dois.
Espero que esteja bom para voc.

Vanessa se sentou com a parca preta e pegou a caneca com as duas mos, franzindo os
lbios enquanto soprava a espuma leitosa e quente.

- Obrigada por ficar comigo naquela coisa grotesca do desfile. Foi uma besteirada e tanto. -
Ela estremeceu, odiando o modo como ficava quando falava com Ken Mogul. Tipo uma
presunosa idiota descerebrada.

Ken empurrou os culos escuros Persol de aro de tartaruga para o alto dos cabelos ruivos
elegantemente cortados e se inclinou por sobre a mesa, pronto para falar de negcios.

- Gostaria que fosse comigo a Cannes na primavera. Vou te apresentar a outros cineastas
independentes brilhantes. Podemos trocar energia e ter novas idias juntos. Depois quero
que voc adie a faculdade por um ou dois anos para fazer alguns filmes comigo. Vai ser
mgico, posso sentir isso.

Enya tocava no sistema de som. Vanessa abriu o casaco e o fechou novamente. Ela odiava
Enya.

- Eu tinha comeado um novo projeto na Amrica do Sul - continuou Ken Mogul. - Abre com
gaivotas alimentando os filhotes com carne de peixes em decomposio e depois passa a
gorilas na floresta tropical abandonando a cria. Depois vou cortar para as ruas do Rio, onde
as crianas esto se prostituindo em troca de drogas. No comecei a filmar ainda, mas
estava pensando se voc podia entrar nessa e conhecer algumas crianas, fazer amizade
com elas, pegar as histrias delas. Por acaso no sabe portugus, no ?

Vanessa sacudiu a cabea. ser que ele estava brincando?

- Espanhol?

Ela sacudiu a cabea novamente.

- No importa. Teremos um intrprete, ou encontraremos algumas crianas que falem ingls.
Todas as suas despesas sero pagas pela Duke Productions. Lembra do Duke, da

festa Better Than Naked?

Vanessa assentiu com um sorriso de diverso. Como podia se esquecer de Duke, o cara mais
burro do planeta?

- Voc ter um carro, um apartamento, equipamento gratuito e tudo o que precisar -
acrescentou Ken.  Est nessa comigo?

Vanessa percebeu pela primeira vez que Ken Mogul tinha muito pouca definio na rea do
queixo. Na verdade, ele praticamente no tinha queixo.

- Eu sempre quis ir a Cannes - respondeu ela, bebendo pensativamente o capuccino. - E esse
seu novo projeto parece realmente... espantoso. Mas j fui aceita na NYU. Quero

ir para l desde que eu tinha onze anos. No h como adiar.
- Mas e o meu filme? Prostituio infantil! Animais abandonando a cria!  revolucionrio! -
Ken Mogul soltava perdigotos, cuspindo em todo o balco. Vanessa pensou que, se ele
tivesse mais queixo, o cuspe no iria to longe.

Por sobre o ombro de Ken, Vanessa percebeu uma filipeta azul-clara alfinetada num quadro
de avisos.




Canal Aberto na Rivington Rover Poetry Club

Apresenta Recitais de

Daniel Humphrey e Mystery Craze

Quinta-feira, 20 horas




No surpreende que Dan a tivesse evitado a semana toda. Ele estava ocupado ficando
famoso.

- Vanessa? Ainda est nessa comigo? - perguntou Ken. - A primeira lio a aprender nesse
negcio  que o relgio no para.

Vanessa deu seu sorriso de Mona Lisa meio divertido, meio irritado. Embora estivesse
lisonjeada que Ken a tenha convidado para trabalhar com ele, ela no tinha a inteno de se
tomar uma mini-Mogul. Queria desenvolver a prpria voz e a prpria carreira, e no dedicar
toda a energia no trabalho de outra pessoa, mesmo sendo brilhante. Ela sacudiu a cabea
escura quase raspada.

- Desculpe.

O queixo de Ken Mogul, que quase no estava ali, desapareceu completamente enquanto ele
perdia totalmente a compostura.

- Eu nunca propus parceria a ningum - disse ele ferozmente. - Est  a oportunidade da sua
vida. Estou te dando a chance de fazer um filme de destaque antes que voc faa

vinte anos. Nunca se ouviu falar disso!

Aquele cara velho no desfile da Cult of Humanity tinha aconselhado Vanessa a no levar o
talento muito a serio. Ken obviamente levava o dele a srio demais. Ela se levantou e
arrancou a filipeta azul-clara do quadro de avisos atrs da cabea de Ken. Ela e Dan deviam
estar trabalhando num filme juntos, mas, se ela pudesse dar um pulo no clube e film-lo
falando sem que ele percebesse, seria ainda melhor. Dan sempre ficava melhor quando no
sabia que estava sendo visto.

- Obrigada. Eu fico honrada, realmente fico. Mas estou trabalhando numa coisa nova, minha.
Acho que prefiro terminar.

Ken Mogul empurrou os culos de sol para o nariz e olhou pela janela.

- O prejuzo  seu.

- Obrigada pelo caf - disse Vanessa, embora ele no estivesse mais olhando para ela, que
dobrou a filipeta azul e a enfiou no bolso. - Boa sorte em Cannes.
Ken Mogul fechou a parca Prada forrada de pele e puxou o capuz por sobre a cabea, como
que para bloque-la totalmente.

- Tchau.

Vanessa foi para casa preparar o equipamento de filmagem e pensar no que precisava levar
para o recital no Rivington Rover Poetry Club amanh  noite. Quando Dan terminasse o
recital, ela surgiria da multido e o surpreenderia com uma enorme caneca de Irish coffee, a
bebida favorita dele. Depois eles contariam histrias sobre todos os dbeis mentais famosos
que tinham conhecido na semana anterior. E ela o levaria para casa e o lembraria do que ele
andou perdendo. Ela ia mostrar como perder a virgindade novamente do modo como ele
escreveu naquele poema maluco.

Como se ele precisasse de uma aula.




s reinventa a lgrima




- Quer levar Mookie para passear comigo?  perguntou Aaron a Blair atravs da porta
fechada do quarto dela. Era quarta-feira  tarde e Blair tinha se entocado no quarto desde

segunda, s abrindo a porta para receber baguetes de brie e tomate e canecas de chocolate
quente que Myrtle levava para ela s dez da manh e s cinco da tarde. Tinha inclusive
abusado da boa-f do mdico da famlia, pedindo a ele que escrevesse um atestado,
livrando-a da escola por uma semana. Ela no estava exatamente doente, garantiu o mdico
a me dela. Escolas como a Constance simplesmente exigiam demais das meninas, em
especial das terceiranistas, e depois havia toda aquela presso tradicional para entrar em
uma das melhores universidades do pas. Blair simplesmente precisava de alguns dias de
descanso e ficaria bem de novo.

Bem, no  bem assim. Blair estava usando os poucos dias de descanso para se reinventar
totalmente de novo. Tipo Madonna.

Aaron empurrou a porta e enfiou a cabea para dentro. O ar estava pungente do cheiro
qumico de fumaa de cigarro misturado com desinfetante bucal de menta. A cabea de Blair
estava embrulhada em uma echarpe Pucci preta e rosa, e ela se recostava na cama com os
tornozelos nus cruzados, usando um roupo branco felpudo e fumando um Merit Ultra Light
com uma longa piteira preta. O look era muito Greta-Garbo-escondida,

que era exatamente o efeito que ela pretendia.

Do outro lado do quarto, O grande Gatsby, com Robert Redford e Mia Farrow, rolava
silenciosamente na TV Blair deu uma tragada no cigarro, olhando dramaticamente a uma
curta distncia. No conseguia suportar olhar para Aaron porque ele estava usando o suter
de Harvard de novo, como se estivesse especialmente vestido para irrit-la. Ela j arrancara
o pingente de Yale do dossel da cama e o atirara pela janela do banheiro com o velho suter
de Yale do pai.

- Se no se importa, gostaria que, por favor, desse o fora do meu quarto.

- Eu j estava saindo - respondeu Aaron. - Ei, tem falado com Serena ultimamente?

Blair sacudiu a cabea.
- Por qu?

- Por nada. - Aaron deu de ombros, pouco  vontade. Ele tem sado com os colegas de
Scarsdale desde a sexta  noite e no tem visto nem falado com Serena desde o desfile da
Les Best. Aaron pegou uma lata de cigarros naturais do bolso traseiro e a atirou na cama de
Blair. - Experimenta esse - aconselhou. -  cem por cento natural, e o cheiro  melhor do
que essa merda produzida em massa.

Blair chutou a lata no cho.

- Bom passeio pra voc.

Aaron fechou a porta do quarto atrs de si e saiu com Mookie. Entrou no parque pela rua 72,
tomando o caminho que levava a uma pequena passarela de madeira sobre um crrego que
alimentava o lago. De vez em quando Mookie parava para cavar furiosamente na neve com
as patas castanhas e brancas, como se estivesse procurando um brinquedo que tinha
deixado ali no vedo anterior. Depois, por fim, desistia e

voltava a trotar.

Uma lourinha com culos de sol e um bon azul dos Yankees corria usando a camiseta I
LOVE AARON sobre o abrigo aveludado vermelho; a mesma camiseta I LOVEA ARON que
Serena tinha usado no desfile da Les Best. Aaron tinha quase certeza de que a loura era a
atriz Rene Zwingdinger, ou sei l qual era o nome dela, mas no conseguia ter certeza
absoluta. Era muito engraado pensar que atrizes e modelos famosas podiam usar blusas
com seu nome quando ele era s um cara que saiu com uma garota bonita que ele achava
que no ia mais sair com ele.

Quando a passarela de madeira entrou no campo de viso, Aaron percebeu que ela estava
cheia de gente e aparelhagem, uma espcie de equipe de filmagem.  medida que se
aproximou, ele viu que na gua congelada, do outro lado da passarela, um cameraman
estava de p numa pequena balsa inflvel, ajustando o trip.

Aaron deixou Mookie caar esquilos debaixo de uma ryore enquanto via os procedimentos.
O amontoado de gente na ponte se dividiu e revelou uma garota usando um vestido de
vero amarelo-girassol muito pequeno e sandlias azuis, os cabelos louros voando no vento
gelado. Era Serena,  claro.

Era inconfundvel.

De repente Mookie disparou pela neve na direo de Serena, latindo com deleite e abanando
o rabinho coto de boxer.

- Mookie, no! - gritou Aaron. Todos na passarela, inclusive Serena, viraram-se para ver.

- Mookie! - guinchou Serena, abaixando-se para beijar o cachorro no focinho mido
enquanto ele rebolava excitado entre as pernas dela. - Como  que t, lindinho?

Aaron andou para a passarela, as mos enfiadas bem no fundo dos bolsos da cala verde-
oliva.

- Desculpe - murmurou ele para a turma de maquiadores e cabeleireiros.

- Est tudo bem - disse Serena, levantando-se. Ela afastou a comitiva e beijou Aaron
levemente no rosto. Seu vestido amarelo tinha estampas de pssaros azuis iridescentes e o
brilho labial cheirava a melo. - Estamos fotografando para uma propaganda de perfume.
Voc pode ver, se quiser.
Aaron continuou com as mos nos bolsos. Havia um milho de coisas que ela podia ter dito
para faz-lo se sentir culpado por ter se escondido em Scarsdale e no ter ligado para ela,
mas Serena era elegante demais para isso. Ela estava verdadeiramente

magnfica, o que era parte do motivo pelo qual ele a teria deixado. Era esforo demais
acompanhar o passo de algum que brilhava tanto como Serena.

- Eu no quero te atrapalhar - disse Aaron. Ele abriu a lata de cigarros natura is e ofereceu a
ela. Ela pegou um e o colocou entre os lbios pintados de brilho coral enquanto ele o acendia
para ela. - Ah, e obrigado pelas rosas.

Serena exalou, soprando a fumaa doce no ar gelado.

- No fizemos nossas tatuagens.

Aaron sorriu ternamente.

- O que talvez tenha sido uma boa idia.

Uma lgrima perfeita comeou a se formar no canto do olho direito de Serena e tremulou na
beira da plpebra inferior.

- Vamos terminar isso! - gritou o fotgrafo de seu barco inflvel.

Serena se virou para acenar para ele, o vestido amarelo agitando-se em volta dos joelhos e
o cabelo louro voando. Naquele momento, a lgrima caiu em sua adorvel bochecha, uma
ilustrao perfeita de toda emoo humana que a Les Best queria transmitir no anncio do
novo perfume. Eles eliminariam o cigarro da mo de Serena e o arrepio de frio nos braos e
nas pernas, mas voc se surpreenderia com a facilidade com que isso  feito.




a reabilitao  o novo spa




Depois de ver O grande Gatsby duas vezes seguidas, Blair desligou a TV e pegou o telefone.
Estava ansiosa para conversar com algum, para fazer com que o mundo soubesse que ela
ainda estava viva, apesar de tudo. O caso era que ela ficava absolutamente apavorada com
a possibilidade de falar com qualquer solteiro que conhecesse, inclusive o pai gay que
morava na Frana,com quem ela sempre contou para se confortar. Se ao menos houvesse
outra pessoa, algum novo e diferente que...

Na verdade, havia uma pessoa com quem podia tolerar falar. E por que diabos no devia
ligar para ele quando ele tinha ligado inesperadamente na semana anterior enquanto ela

cortava o cabelo?

Ela apertou a tecla de discagem rpida para o celular de Nate e, para sua surpresa, ele
atendeu.

- Natie? - entoou ela ao telefone. - Eu soube o que aconteceu. Como voc est? Est tudo
bem?

- T, na verdade eu estou bem mesmo  respondeu Nate, parecendo estranhamente careta.
- Meu pai ainda me aporrinha muito sobre o que aconteceu e eu no sei como isso

vai afetar minhas chances de entrar pra Brown, mas eu estou bem.
Blair apontou os dedos nus para o ar e fez uma careta para o esmalte rosa-algodo-doce de
um dia que ela mesma pintara de puro tdio.

- Coitadinho - suspirou ela, solidria. - A reabilitao deve ser um porre total.

- Hmmm, na verdade... e eu sei que isso parece estranho... estou comeando meio que a
gostar de l  admitiu Nate. - Eu no queria ser obrigado a ficar l o tempo todo,

mas  um lugar legal mesmo, moderno e , tipo assim, sei l... relaxante fazer uma coisa
que no tem nada a ver com a escola.

-  mesmo? - Blair afofou os travesseiros atrs de si e se sentou reta na cama. A reabilitao
era relaxante? Talvez fosse exatamente do que ela precisava - um intervalo da trabalheira de
sua existncia cotidiana. Ela podia se imaginar enrolada num roupo branco de spa, o rosto
coberto com uma mascara verde de argila, os ps e as mos cheios de agulhas de
acupuntura, bebendo chs de ervas desintoxicantes enquanto se recostava

em um sof-cama batendo papo com um psiclogo atencioso de jaleco branco de linho.

"Se voc pudesse ser um animal, que animal seria?  o psiclogo perguntaria a ela. Nada
muito desafiador.

Reabilitao. Por que no tinha pensado nisso antes?  claro que podia haver alguma terapia
envolvida, mas ela nunca teve problemas em falar de si mesma. E, o melhor de tudo, Nate
estaria l - os dois juntos e sozinhos novamente, longe da cidade e de toda a sua bagagem
confusa. Ela sempre sonhou em passar um fim de semana com Nate em um hotel romntico
no Cape ou nos Hamptons. Uma clnica de reabilitao em Greenwich, Connecticut, seria
quase igualmente bom. Claro que ela achava que queria apagar o Nate arrogante, livrar-se
da presena dele de sua vida totalmente, mas Nate parecia que estava mudando de vida
total, o que era exatamenteo que ela tentava fazer!

- Ento, como  que a gente entra na reabilitao mesmo? D pra se inscrever, ou tem de
ser mandado para l por algum? - perguntou Blair, olhando para si mesma no espelho

nas costas da porta do armrio. Com o cabelo retalhado e a cara lvida, parecia tanto uma
viciada em herona que eles certamente a admitiriam.

- Acho que voc pode se inscrever, mas quem seria maluco pra fazer uma coisa dessas? -
perguntou Nate.

Blair sorriu. Ela seria.

- E a, quer sair amanh a noite ou coisa assim?  perguntou ela. - Sei que agi como uma
piranha s vezes, Nate, mas eu sempre acabo sentindo a sua falta.

- Desculpe. Tenho de ir para o grupo da Breakaway respondeu Nate. Ele no via Georgie
desde a noite da tempestade de neve e Jackie tinha prometido que Georgie voltaria ao grupo
amanha. - Eu pego o trem, ento s vou chegar em casa muito tarde.

- T legal. Mas vamos sair juntos um dia desses, t? - disse Blair. - Voc sabe que me ama -
acrescentou ela num sussurro sedutor e desligou.

Pulando da cama com uma energia recm-descoberta, ela tirou o cachecol Pucci da cabea e
passou uma bisnaguinha de gel capilar texturizante Bed Head no pouco cabelo que restava.

Depois ela abriu a porta do quarto pela primeira vez em toda a semana...

- Me! - gritou ela no corredor. - Vem aqui rpido. Preciso que me ajude com uma coisa.
Que maneira melhor de uma protagonista fazer um retorno triunfal do que sair de uma
reabilitao, fresca e rejuvenescida, com o protagonista lindo a seu lado?




Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente !




AS LGRIMAS DE SERENA




O pessoal da Les Best no perdeu tempo em fazer a propaganda do novo perfume e agora
todos vocs a viram. Magnifique, non? O perfume s estar disponvel em abril, a no ser
que, como eu, vocs tenham acesso a coisas que os outros no tem. Tem um aroma pesado
de jasmim, com toques sutis de sndalo e patchouli. Estou usando o perfume agora e tenho
de admitir que  to divino quanta a propaganda. Mas quando uma certa loura esta
envolvida, no devamos esperar nada menos do que isso, no ?




HERDEIRA ADOLESCENTE DOA PARTE DA HERANA  REABILITAO




Parece que a pobre menininha rica de N foi picada pela mosca da generosidade. Para
mostrar gratido aos que a ajudaram nas ultimas semanas, ela esta financiando a
construo de estbulos de ponta na propriedade Breakaway da desconexa Connecticut. Os
estbulos abrigaro cavalos, porcos, cabras, ces, gatos e galinhas, que sero usados para
fins teraputicos,  claro. Aparentemente as cabras leiteiras podem fazer maravilhas com a
cabea de viciados em coca. S esperamos que as mos de nossa amada herdeira fiquem
longe do armrio de remdios dos estbulos!




Seu e-mail



P: Oi, GG

Sou paciente ambulatorial da Breakaway e estava l hoje quando aquela garota de cabelo
curto e doido e botas de pele chegou e atirou o carto de crdito platinado dela pra
enfermeira da recepo. Ela queria um quarto particular por duas semanas, de preferncia
com vista para a fonte.

Se ligaaaa! Eles disseram a ela que ela s podia ficar se estivesse prejudicando a si mesma
ou aos outros, mas que ela era bem-vinda para se juntar ao grupo de adolescentes, se ela
quisesse.
- sun




R: Oi, sun,

Fico surpresa que ela no tenha agendado uma srie da mscaras faciais! Se voc  do
grupo de adolescentes, eu ficaria longe dela. Parece que ela esta em misso.

-GG




Flagra



J e os dois novos amigos no Bowlmor Lanes. Estavam to bonitinhos juntos, mas eu
estava l, e um trio nunca d certo. S mandada da escola para casa, doente de bronquite.
Isso ensinar a ela a usar roupas de vero no vero! B comprando roupas para a reabilitao
em uma loja elegante na Mulberry Street. Se ela vai fazer o papel de junkie desesperada,
tem de parecer autntica. D no metr praticando para o recital do Rivington Rover Poetry
Club, sussurrando para si mesmo acima do barulho do trem.




Est na hora de sair e fazer alguma coisa cultural pelo menos uma vez. Vejo vocs no recital
hoje  noite!




Pra voc que me ama,

gossip girl




em nome da arte




- Que bom que voc est aqui - disse Dan a Mystery enquanto ela passava os dedos rodos e
amarelos pelo cabelo desgrenhado e na moda dele. Por total coincidncia, ele e

Mystery chegaram ao Rivington Rover Poetry Club ao mesmo tempo, e nos ltimos 15
minutos ficaram fumando Camels sem filtro e se apalpando em um banco do banheiro das
mulheres totalmente grafite, tentando no enlouquecer com o recital. - Estou meio nervoso.

- No fique. - Mystery afrouxou a gravata-borboleta dele e pegou a mo de Dan. - Vem.
Vamos ver o que conseguimos.

Eles saram do toalete das mulheres de mos dadas, Mystery num vestido de seda amarelo-
canrio transparente atravs do qual a calcinha de algodo preta era totalmente visvel e
Dan com seu terno novo: Bonnie e Clyde da poesia.

O pequeno clube no poro escuro j estava lotado de pessoas bebendo caf, recostadas nos
velhos sofs esfarrapados que pontilhavam o ambiente causalmente. Uma bola de discoteca
girava ao acaso no teto preto e no sistema de som Morrissey gemia uma msica deprimente
de seu disco mais recente.
As luzes piscaram duas vezes e uma japonesa minscula, usando uma malha preta com
cala de bal rosa, subiu ao palco.

- Bem-vindos ao canal aberto do Rivington Rover.  to especial ter vocs aqui - sussurrou
ela no microfone.  Hoje  noite dois dos mais especiais poetas de Nova York recitaro para
ns simultaneamente. Tenho a honra de ceder o palco a Mystery Craze e Daniel Humphrey!

A sala escura e apinhada irrompeu em aplausos.

- Eu soube que eles ficaram acordados a noite toda com E e escreveram um livro juntos -
cochichou algum.

- Ouvi dizer que eram casados.

- Eu soube que eles eram gmeos fraternos, separados ao nascimento - assinalou mais
algum.

Vanessa entrou pelos fundos do clube sem ser vista.

- Que diabo de nome  Mystery Craze? - Ela se perguntou enquanto colocava a cmera no
olho e dava um zoom no palco.

Todo o corpo de Dan estava coberto de um suor frio e anormal. Tudo estava acontecendo
rpido demais. Ele nem teve a oportunidade de pensar em como passou da poesia estranha
e soturna, escrita em cadernos que ningum lia, para se apresentar num palco com uma
garota quase famosa em um clube cool, usando um terno elegante de grife. Mas no havia
tempo para duvidar de si mesmo. Ele atuou em peas, representou

nos filmes de Vanessa. Era o Rilke do futuro. Ele tirou o palet e enrolou as mangas da
camisa. Podia fazer isso. Mystery j estava esperando por ele no palco, os dedos ossudos

agarrados ao microfone numa expectativa intensa. Dan podia ver agora que havia dois
microfones, um para ele e outro para ela.

- Qual  seu substantivo preferido? - perguntou Mystery ao pblico com sua voz baixa e
rouca.

- Torta! - gritou um cara de rabo-de-cavalo e obviamente de porre na primeira fila.

- Voc  a anttese da torta - sibilou Mystery para Dan enquanto ele subia ao palco. - Quero
te comer vivo.

Dan pigarreou e pegou o microfone para se preparar.

- Qual  seu verbo preferido? - perguntou ele em resposta, surpreso pela segurana que
demonstrava.

- Trepar - respondeu Mystery friamente. Ela baixou as mos e os joelhos, deslizando para ele
com o microfone entre os dentes. - Trepar - repetiu ela, formigando entre as pernas e
movendo o corpo lentamente at que o rosto dos dois ficasse a centmetros de distncia. O
vestido amarelo deixava os dentes dela ainda mais amarelos.

A cmera tremeu nas mos de Vanessa. Ento era por isso que ela no ouviu um pio de Dan
ultimamente, nem mesmo para trabalhar em A construo da poesia. Dan andou fazendo
poesia com Mystery Craze. E embora doesse ver o cara que ela amava por quase trs anos
cair na conversa de uma garota cujo nome verdadeiro provavelmente era algo totalmente
entediante e nada potico como Jane James, Vanessa no conseguiu parar de filmar. Algo
estava acontecendo com Dan que tinha de ser registrado em filme. Parecia que ele estava se
descobrindo bem diante dos olhos dela.
- Alimente-me - grunhiu Dan no microfone enquanto Mystery se contorcia abaixo dele. -
Revele seu corpo nu em meu prato.

O pblico uivou e gritou de deleite. Dan nem conseguia acreditar na diverso total que
estava tendo. Ele era um poeta rock'n'roll, um deus do sexo! Esquea Rilke, ele era Jim
Morrison! Arrastou Mystery do cho e mergulhou em sua boca num beijo de deus do rock
ansioso e duro.

Vanessa continuou filmando, as lagrimas quente descendo pelo rosto plido. No conseguia
parar, e no estava fazendo isso para se torturar. Estava fazendo em nome de sua arte.

No palco, Dan desabotoou a camisa e Mystery lambeu o peito dele.

- Oh, papai - sussurrou ela com a voz rouca.

Ah, irmaozinho.




a diva faz sua entrada




- Boas-vindas a todos. -Jackie Davis cumprimentou o grupo de terapia de adolescentes da
sexta  tarde da Breakaway. -  um prazer receber de volta nossa velha amiga Georgina
Spark. - Ela bateu a caneta no clipboard. - Tambm estamos esperando uma nova amiga
hoje. Mas, enquanto esperamos por ela, eu gostaria de reconhecer dois membros do grupo
por sua coragem e por demonstrarem o que gosto de chamar de

construo da vida para o resto de ns. - Ela deu um sorriso animador para Nate. - Nate,
gostaria de nos contar o que aconteceu na sexta passada, agora que Georgie voltou?

Nate inclinou a cadeira para trs e depois a ajeitou novamente. Do outro lado do crculo,
Georgie estava sentada com as pernas cruzadas, usando um short curto de cetim laranja e

sandlias de couro laranja, o que era uma opo meio estranha para o meio de inverno, mas
ela no tem sado muito ultimamente. Seu luxuriante cabelo escuro caa sobre o rosto de
Branca de Neve enquanto ela olhava para ele com um sorriso tmido nos lbios vermelho-
escuros.

Nate esfregou as mos nas calas Ralph Lauren verde-oliva. Meu Deus, ele queria beij-la.
Os outros membros do grupo esperavam ansiosamente. Eles sabiam que uma merda sria
tinha rolado, mas ainda no tinham ouvido a histria toda.

- V em frente, Nate  instigou Jackie.

- Na sexta-feira eu estava na casa da Georgie e a gente estava se divertindo, hmmm, se
conhecendo - comeou a explicar.

- Depois eu percebi que Georgie estava tipo tendo sua prpria festinha exclusiva no armrio
de remdios. Quando ela caiu dura, eu meio que fiquei preocupado. Ento liguei pra Jackie.

- Foi um pedido de socorro - entoou Georgie com um entusiasmo falso.

Nate riu para si mesmo. Ela ainda estava mal, mas era to irresistvel. E ele estava feliz por
ter de ir a reabilitao por seis meses inteiros, porque na verdade ele queria ajud-la da
forma como Georgie o ajudou.
- Levamos Georgie para a clnica bem a tempo. Ela vai morar aqui por um perodo e esta se
saindo to maravilhosamente bem, no , Georgie? - disse Jackie efusivamente.

Georgie assentiu e se abraou, um sorriso plcido colado na cara.

- O bolo de carne do jantar de ontem estava inacreditvel.

- Vamos juntar as mos e aplaudir os dois por sua coragem!  gritou Jackie. Cada membro
do grupo se levantou e aplaudiu, inclusive Georgie e Nate.

- Oi - disse Georgie a Nate e lambeu os lbios vermelho-sangue.

- Oi - disse Nate como resposta.




-  por aqui, senhorita.

Blair alisou as sobrancelhas recm-tiradas e passou brilho rosa nos lbios midos enquanto
seguia um dos membros da equipe da Breakaway para a sala onde a sesso de terapia do
grupo de adolescentes j estava em andamento. Ela usava o novo vestido Diane von
Furstenberg vermelho, preto e roxo combinando com o par favorito de botas de cano alto de
camura preta pontudas, e estava positivamente transbordando de empolgao com a idia
de vomitar as tripas na frente de um pblico arrebatado que incluiria Nate.

- Bem-vinda, Blair Waldorf- cumprimentou-a uma mulher malvestida usando um feio batom
marrom quando o membro da equipe abriu a porta. Ela andou e acompanhou

Blair a sala. - Sou Jackie Davis, a facilitadora do grupo de adolescentes. Por favor, entre e
sente-se.

Blair deu uma olhada no grupo. L estava Nate, o Nate dela, formidvel como sempre em
sua cala verde-oliva que realava os maravilhosos olhos verdes. Para sua consternao, a
nica cadeira vazia ficava ao lado da de Jackie, uma pessoa que Blair j podia dizer que era
uma chata total.

- Todos podem se sentar novamente - instruiu Jackie, tomando seu lugar. - Agora, o que
gostamos de fazer quando um novo membro se junta ao grupo  correr a roda dizendo

quem somos e a coisa ou a circunstncia que nos trouxe aqui. Sejam o mais especficos e
concisos possvel. Lembrem-se, dar nome a fraqueza  o primeiro passo para assumir o
controle dela. No se preocupe, Blair. - Jackie ps a mo tranqilizadora no brao de Blair. -
Nao vou comear por voc. Billy, gostaria de comear?

Um garoto atarracado e musculoso com um suter branco de Dartmouth esfregou as mos
nervosamente.

- Eu sou Billy White. Sou viciado em levantar peso e tomar bebidas anabolizantes - anunciou
ele. - Sou um bulmico de exerccios.

Nate foi o seguinte. Ele no conseguia acreditar que Blair realmente tivesse aparecido na
Breakaway, mas ele a conhecia h bastante tempo para saber que ela era capaz de tudo.

- Sou Nate e eu costumava fumar maconha todo dia. Mas tenho de dizer, ultimamente no
tenho vontade nenhuma disso. -Era meio estranho admitir isso na frente de Blair,

a garota da poca em que ele ficava permanentemente chapado.
As sobrancelhas de Blair se ergueram com uma surpresa agradvel. Ser que Nate estava
realmente se reformando? Ele estava fazendo isso por ela?

- Eu sou Hannah Koto - disse a garota sentada ao lado de Nate. - Eu tomava E todo dia
desde a morte do meu cachorro no ultimo vero. -Ela olhou para Jackie. - Desculpe.

Ecstasy - esclareceu ela.

- Sou o Campbell e sou um alcolatra em formao. - Era um garoto louro que parecia no
ter mais de dez anos. - Acabei com as adegas de vinho dos meus pais em Darien e

em Cape Cod.

- Eu sou Georgie e j fiz de tudo - disse uma menina admiravelmente bonita com cabelos
castanhos longos e sedosos enormes olhos castanhos e lbios vermelho-escuros. Usava

um short curto de cetim laranja Miu Miu e lindas sandlias de couro tangerina Jimmy Choo,
notou Blair com inveja. - Gosto de comprimidos, mas ultimamente eu tinha medo de dormir
um dia e no acordar mais. Agora que sei que tenho um cavaleiro da armadura reluzente... -
Ela bateu as plpebras castanhas e grossas na direo de Nate. Blair ficou rosa de raiva.

- Obrigada, Georgie - interrompeu Jackie antes que Georgie pudesse dizer qualquer coisa
que colocasse em risco seu controle sobre o grupo.  O prximo?

- Eu sou Jodie e sou alcolatra tambm - disse a menina gorducha sentada ao lado de Blair.
- At perfume eu bebi uma vez.

- Eu tambm - interrompeu Blair, ansiosa para superar a performance de Georgie. Ela
descruzou e recruzou as pernas, dando a sala um vislumbre de suas meias arrasto pretas

e sensuais atravs do talho em sua roupa. - Eu sou Blair e... -Ela hesitou. Por onde comear?
Ela respirou fundo, de um jeito teatral. - Meus pais se divorciaram no ano passado. Acontece
que meu pai era gay e estava traindo minha me com o assistente dela, que s tinha 21
anos. Eles ainda esto juntos e agora moram num chteau em um vinhedo da Frana. Minha
me acaba de se casar com aquele empreiteiro anormal gordo e grosseiro e agora eles vo
ter um beb, embora ela tenha, tipo assim, uns cem anos de idade.  uma menina, eles
souberam. Eu devia me candidatar a Yale, mas minha entrevista foi um horror. Ento um
velho amigo do meu pai disse que faria uma entrevista de ex-aluno comigo. Ele era muito
atraente e eu nunca tinha sado com um cara mais velho antes, ento eu meio que fiquei
com ele. - Ela deu um olhar de desculpas para Nate. Ele a perdoava por ser namoradeira,
como Blair o perdoava por se afastar dela.

Jackie ouvia boquiaberta. Estava acostumada a garotos no grupo de adolescentes dando um
pouco mais de detalhes do que o necessrio, mas nunca tinha visto ningum que parecesse
gostar tanto de falar de si mesmo.

- Acho que parte do motivo para eu cortar meu cabelo todo foi que eu estava tentando ficar
feia, embora eu no percebesse isso na poca. Achei que o cabelo curto podia me dar um
look legal. Mas acho que eu talvez estivesse tentando trazer toda a feira de dentro para
fora, sabe? E na semana passada eu matei aula e fiquei em casa. No estava realmente
doente, eu s no podia...

- Desculpe interromper, mas se puder simplesmente dar nome a seu problema... - disse
Jackie quando percebeu que Blair no estava nem perto de terminar.

Blair franziu a testa e girou o anelzinho de rubi em volta do dedo. Parecia que tinha de ter
um problema especfico ou seria expulsa.
- s vezes, quando estou triste... o que, considerando minha vida agora,  o tempo todo...
Eu como muito, ou eu como alguma coisa que no devia, e depois vou vomitar. -

Pronto, isso parecia convincente.

Jackie assentiu.

- Pode dar um nome ao seu problema, Blair? H um nome para isso, voc sabe.

Blair olhou para ela.

- Regurgitao induzida por estresse? - respondeu ela com firmeza. Ela sabia que Jackie
queria que ela dissesse bulimia, mas era uma palavra to grosseira que ela se recusava a

proferir, especialmente na frente de Nate. Bulimia era para mans.

O resto da sala abafou o riso. Jackie estava ansiosa para colocar o grupo de volta aos trilhos
depois do solilquio de Blair.

- Bem, acho que  uma maneira de dizer  observou ela, tomando nota em seu clipboard.

Ela olhou para cima e alisou os cabelos castanhos crespos.

- Agora  a minha vez. Sou Jackie Davis e meu trabalho  ajudar todo mundo a se libertar! -
Ela socou o ar e deixou escapar um pequeno uivo como se estivesse em um jogo de
basquete e seu time tivesse feito um ponto. Ela esperou que os membros do grupo socassem
o ar e uivassem com ela, mas eles s a encararam com o olhar vazio. - Tudo bem. timo.
Agora quero que todos formem duplas. Vamos fazer um pequeno

exerccio que gosto de chamar de "Vai pro inferno, demnio!". Um de vocs ser a coisa que
acabaram de nomear, a coisa da qual vocs esto tentando se libertar. Quero que o

outro fique de cara para o primeiro e diga para o demnio ir embora. Diga tudo o que quiser,
mas com sentimento. Fazendo com que seja real. Tudo bem, vamos l, formem duplas. Ns
somos s sete, ento algum ter de formar dupla comigo.

Hannah ergueu a mo.

- Pera. Estamos falando do seu demnio ou do nosso demnio?

- Do seu demnio - esclareceu Jackie. - Isso vai ajud-la a se exercitar!

Blair esperou que Nate fosse na direo dela, mas, antes que ele sequer tivesse uma
oportunidade, a piranha branquela do short de cetim totalmente inadequado andou afetada
at ele e pegou a mo de Nate.

- Meu parceiro? - Blair ouviu o gemido dela. Todos os outros j estavam em duplas, ento
Blair ficou presa a Jackie.

- Muito bem, Blair!  guinchou Jackie para ela. Usava uma sombra marrom empelotada e os
olhos dela eram castanho-sapo. - Vamos dizer ao demnio aonde ir!

De repente Blair se perguntou se a reabilitao era realmente o lugar certo para ela.

- Tenho de ir ao banheiro - anunciou ela. Ela esperava que o exerccio estivesse terminado
quando voltasse, e a podia conseguir uma cadeira ao lado de Nate antes que os outros de
sentassem.

Jackie olhou para ela cheia de suspeita.
- Tudo bem, mas v rpido. E deixe-me lembr-la de que todos os toaletes so monitorados.

Blair revirou os olhos enquanto abria a porta e andava pelo corredor at o banheiro das
mulheres. Ela lavou as mos e retocou o brilho labial, abriu o vestido e olhou os espelhos
com o peito nu, s para dar um showzinho a quem estivesse olhando. Depois voltou pelo
corredor e espiou pela porta novamente, verificando para ver se tinham terminadoo o
exerccio.

Nate e aquela puta de shortinho Miu Miu Georgie estavam de pe perto da porta. As mos
dela estavam nos ombros de Nate e o rosto dos dois estava a centmetros de distncia.

- Andei pensando numa forma de agradecer a voc pelas rosas. - Blair pensou ter ouvido
Shortinho sussurrar. - Quero te dar um passeio de pnei.

Ela no estava falando com o demnio dela, percebeu Blair. Estava falando com Nate.

Blair esperou que Nate expressasse horror e repulsa ao que Shortinho estava dizendo, mas
s o que ele fez foi rir para ela com a lngua de fora, como se estivesse ansioso para ouvir
mais.

- Vou cobrir voc de... - Blair no esperou para ouvir o resto da frase de Georgie. Estava
bastante bvio por que Nate gostava tanto da reabilitao e por que ele estava se
reformando com tanta rapidez. Ela voltou pela porta para o corredor, pegando o celular da
bolsa para ligar para a me. Um carro devia vir e peg-la em duas horas para lev-la de
volta a cidade, mas de jeito nenhum ela ia esperar tanto tempo. A reabilitao no era
nenhum spa; era s outra sala de aula cheia de mans ridculos que precisavam cair na vida.

- No pode usar isto aqui, senhorita! - gritou uma ajudante para ela no corredor. Blair olhou
para ela e marchou pelo corredor at o saguo. Uma das recepcionistas estava lendo um
jornal com um anncio colorido de pgina inteira das Lgrmas de Serena no verso.

De repente alguma coisa ocorreu a Blair. Ela nunca pensou realmente nisso antes, mas
Serena van der Woodsen  sua suposta melhor amiga - era a rainha absoluta do retorno. No
outono Serena tinha sido expulsa do internato e voltado para casa na cidade com a
reputao to manchada que s as puxasacos mais desesperadas falavam com ela. Mas, em
uma srie de pontas que roubaram o filme, Serena tinha reconquistado todo mundo,
inclusive Blair, e agora ela era a estrela da campanha publicitria da porra de um perfume
internacional. Se algum podia ajudar Blair a voltar ao topo e fazer com que

todos se apaixonassem por ela de novo, esse algum era Serena.

Blair abriu as portas de vidro da clnica de reabilitao e ficou parada no alto da escada de
mrmore, arfando no frio. Rapidamente, ela procurou o nmero do telefone de Serena

no celular.

- Blair? - gritou Serena, a ligao pipocando.  Achei que estivesse puta comigo. - Ela tossiu
alto. - Meu Deus, estou doente.

- Onde voc est? - perguntou Blair. - Est em um txi?

-  - respondeu Serena. - Vou para a estria de um filme com algumas pessoas que conheci
nas fotos do perfume. Quer ir?

- No posso - respondeu Blair. - Serena, preciso que voc venha aqui. Diga ao txi para
pegar a 1-95 para Greenwich. Sada 3. Tem um lugar chamado Breakaway na Lake Avenue.
Diga a ele para parar e pedir informaes, se no conseguir encontrar. T legal?
- Greenwich? Mas vai me custar umas cem pratas! - concordou Serena. - O que  que t
pegando, Blair? Por que est em Greenwich? Isso no tem nada a ver com aquele cara

velho que vi com voc na outra noite, tem?

- Eu pago a corrida - interrompeu Blair impaciente. - Vou te contar tudo quando voc chegar.
Voc vem, S?  perguntou ela, usando o apelido carinhoso que no usava desde

que eram garotinhas.

Serena hesitou, mas Blair sabia que ela estava intrigada com a idia de uma aventura com a
velha amiga. O telefone estalou quando ela ouviu Serena dar as orientaes ao motorista.

- Tenho de desligar porque a bateria do celular esta arriando - gritou Serena. J vou chegar
a, t? Ah, e a propsito,Aaron e eu terminamos.

Blair puxou o ar frio pelas narinas, os lbios com uma camada recente de brilho virando-se
para cima num sorriso presunoso enquanto ela absorvia a informao.

- Vamos conversar quando voc chegar. - Desligando, ela se sentou nos degraus frios e
duros e abotoou o casaco de cashmere azul-celeste, puxando o capuz sobre a cabea antes
de acender um Merit Ultra Light. Se algum passasse por ela na estrada, veria uma garota
misteriosa num casaco azul de capuz, parecendo desafiadoramente certa de si mesma,
embora a trama tivesse mudado e o roteiro precisasse ser totalmente reescrito.




do que falamos quando no falamos de amor




- Peguem os casacos, todas - disse Serena as alunas do primeiro ano do grupo de discusso
na segunda-feira.  Vamos conversar tomando chocolate quente no Jackson Hole.

- No se preocupem, temos permisso  acrescentou Blair, olhando-se no espelho do
refeitrio. Tinha voltado ao salo para refazer o cabelo e agora parecia Edie Sedgwick dos
tempos da Factory de Andy Warhol. Era totalmente estranho.

- Uau  exclamou Jenny baixinho, olhando-a.  Voc est tima. - Jenny estava to feliz
desde que conheceu Leo que estava praticamente explodindo de amor por todo mundo

que encontrava.

Blair se virou, lembrando-se de uma coisa.

- J viu seu e-mail? - perguntou ela.

Os olhos de Jenny se acenderam.

- Ah, sim. J, eu vi!

Blair pensou em assumir o crdito pelo bvio estado de completo xtase de Jenny, mas era
mais divertido ver Jenny brilhar e ficar nas sombras. Talvez no seja uma coisa to horrvel
assim ser uma irm mais velha, afinal. Ela percebeu que Elise Wells usava um suter preto
pudo e apertado em vez de um de seus cardigs rosa de grife. timo. Talvez a me dela
finalmente tenha assassinado o pai por ser um babaca total.

- Como vo as coisas com seu pai, Elise?  perguntou Serena, praticamente lendo o
pensamento de Blair.
Para surpresa de Blair, Elise sorriu, feliz.

- timas. Ele e mame viajaram juntos neste fim de semana. - Ela riu e cutucou o brao de
Jenny. - Mas isso no importa. Acho que Jenny tem uma coisa a dizer.

Jenny sabia que seu rosto estava vermelho feito uma beterraba, mas ela no ligava.

- Estou apaixonada - declarou ela.

Serena e Blair trocaram olhares depreciativos. A ltima coisa de que queriam falar era de
amor.

- Vamos, peguem os casacos - instou Serena. Vamos nos reunir fora daqui.

O ar no Jackson Hole da Madison Avenue estava espesso do cheiro de gordura de
hambrguer e o som abafado de fofoca. Enquanto o grupo de discusso andava e se sentava
a uma mesa perto da janela de vidro, Kati Farkas e Isabel Coates se espremiam num canto,
discutindo os ltimos desenvolvimentos sem que ningum pudesse ouvir.

- J soube do Nate Archibald e aquela garota de Connecticut? - perguntou Kati. Tinha
cortado o cabelo curto no fim de semana e seu nariz germnico parecia duas vezes maior. -
Eles foram pegos transando no armrio de vassouras da clnica e agora ele tem de fazer
terapia particular na cidade.

- Pera, achei que era Blair e Nate no armrio de vassouras - fungou Isabel. Ela usava uma
amostra do Lgrimas de Serena que tinha pegado com o amigo publicitrio da me

que trabalhava na vogue. Fazia seu nariz escorrer.

- No, idiota. Blair est vendo aquele cara velho, lembra? Mas ela no vai ter mais o beb.
Teve um aborto espontneo.  por isso que ela faltou tanto s aulas.

- Ouvi dizer que Blair e Serena mandaram as solicitaes para o sistema de universidades da
Califrnia  disse Laura Salmon. - Elas esto fazendo admisses, e a voc descobre qual
universidade pode te aceitar, tipo assim, umas semanas depois de se candidatar. - Ela
ergueu as sobrancelhas finas cor de morango. - Ei, de repente a gente devia fazer a mesma
coisa!

No que qualquer uma delas realmente tivesse pensado em ir para qualquer universidade da
Califrnia.

- E a, como  que foi fazer aquele comercial de perfume? - perguntou Mary Goldberg a
Serena enquanto as meninas do grupo de discusso A esperavam pelo chocolate quente.
Cassie Inwirth e Vicky Reinerson apuraram o ouvido. As trs meninas tinham cortado o
cabelo curto no fim de semana, mas, como nenhuma delas tinha visto Gianni na Garren,

os cortes eram s imitaes fraquinhas do cabelo antigo de Blair e nada comparvel ao novo
corte.

- Frio - respondeu Serena. Ela assoou o nariz em um guardanapo de papel e depois puxou os
longos cabelos dourados para o alto da cabea, torceu-o em um coque e enfiou

uma caneta por dentro para prend-lo.

 claro que agora todas queriam no ter cortado o cabelo.

- Na verdade eu prefiro no falar nisso  acrescentou ela misteriosamente.

Blair se inclinou sobre a mesa.
- Ela e Aaron terminaram durante as fotos - disse e1a as meninas do primeiro ano num
sussurro confidencial. Endireitou-se na cadeira novamente. - Fim de papo.

O garom trouxe o chocolate quente, em canecas fumegantes e enormes, carregadas de
Reddi-Wip.

- Podemos falar de amor agora?- perguntou Jenny meio trmula. Ela olhou em volta para o
salo abarrotado. Se tivesse sorte, Leo podia at aparecer ali para ela poder exibi-lo.

- No! - gritaram Serena e Blair em unssono. Elas trouxeram o grupo especificamente ao
Jackson Hole para no ter de falar de meninos, comida, pais, escola, nada. O que elas

queriam era beber o chocolate quente e curtir a companhia uma da outra.

De repente um silncio caiu sobre o restaurante quando Chuck Bass rodopiou com um
chapu de pele de raposa e um casaco azul-beb, o anel rosa com monograma piscando
enquanto ele entregava filipetas cor-de-rosa a todos que estavam ali.

- Ou vai ou  careta! - gritava ele, adejando pela porta em uma nuvem de Lgrimas de
Serena to de repente como entrou.

A filipeta era um convite para uma festa na segunda a noite, e segundos depois todo o
restaurante zumbia.

- Voc vai?

- Pera. Acha que  realmente a festa sai do armrio do Chuck?

- No.  o aniversario dele. No leu?

- Mas a gente foi colega de jardim-de-infncia. O aniversrio dele  em setembro. E nem 
uma festa dele.  de uma garota. Ele s est distribuindo as filipetas.

- Eu ainda acho que ele  bi. Eu o vi com uma garota da L'cole Franaise no sbado, e e1es
estavam praticamente transando.

- Quem era aquele cara, alis?- gemeu Cassie Inwirth.

- Sabe aquele site www.gossipgirl.net? Pois , acho que  e1e!- anunciou Mary Goldberg.

- Acha que a Gossip Girl  ele?- ops-se Vicky Reinerson.

- De jeito nenhum! - gritaram Serena e Blair.

Nunca se sabe.




                                Gossipgirl.net
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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                        oi, gente !




NO QUE EU SEJA GANANCIOSA NEM NADA DISSO
Agora todos vocs j viram a filipeta convidando todos para minha festa na segunda  noite.
E, se voc no viu, onde  que estava? Escondido debaixo de uma pedra? Por favor, no se
incomode em aparecer a no ser que leve uma das coisas que se seguem:

Um filhote de poodle toy caramelo

O mximo de frascos de Lgrimas de Serena. Sei que h uma lista de espera, mas eu sou
viciada!

Passagens de primeira classe para Cannes em maio

Diamantes

Um senso de humor incrvel

Todos os caras lindos de sua agenda de endereos

Flagra


N e a namorada branquinha completamente rica em um passeio de charrete no Central
Park. Acho que ela conseguiu um dia de folga da reabilitao por bom comportamento. S e
B na Les Best experimentando toda a linha de outono. V entregando um envelope de
cnhamo ao departamento de teatro da Riverside Prep. Voc no acha que ela realmente
estava entregando aquele filme ao professor de teatro de D, acha? A, isso  que 
dedicao! D e aquela poeta maluca gritando disparates da janela do apartamento dela em
Chinatown. A pequena J e o novo gal olhando tatuagens na Stink, uma loja no East
Village. Vamos rezar para que eles s estejam olhando.




E QUANTO QUELAS PERGUNTAS IMPORTANTSSIMAS...

Ser que N e sua herdeira malcomportada continuaro a ser um artigo genuno?

B vai mesmo superar N? Vai deixar o cabelo crescer? E  ainda bem que a resposta vir logo
- vai entrar para Yale??




Ser que S e B vo continuar amigas ... pelo menos at a formatura?

S se tornar uma supermodelo insossa, redundante e comedora de aipo? Ser que vai ficar
com um cara por mais de cinco minutos?

J e o novo garoto vo viver felizes para sempre? O novo namorado dela vai tentar romper?

V vai olha para D novamente?

D continuar saindo com aquela poeta de dentes amarelos? Ser que os dentes dele vo
acabar amarelos tambm? Ele realmente vai escrever as memrias?




Ser que o resto de ns vai entrar para a faculdade? O mais importante, vamos todos nos
formar?

Voc vai descobrir quem eu sou?

Logo tudo ficara claro como cristal.
Vejo vocs na minha festa segunda  noite, e no se esqueam de levar pelo menos uma
coisa da lista. Au revoir!




                                Pra voc que me ama,

                                      gossip girl




                   www.BAIXELIVRO.com
